Um guia bíblico para as eleições 2026
COMO O CRISTÃO DEVE AVALIAR CANDIDATOS E PROPOSTAS
Antes de votar, pense
Votar não é simplesmente escolher uma pessoa de quem você gosta. Também não é escolher quem fala mais bonito, quem tem mais seguidores nas redes sociais, quem aparece mais na televisão ou quem promete dar aquilo que você gostaria de receber. Para o cristão, o voto deve ser acompanhado de responsabilidade, conhecimento e discernimento.
A Bíblia ensina que “os simples passam adiante e sofrem a pena, mas os prudentes se cercam de conhecimento” (Pv 22:3). Isso também vale para a vida pública. O cristão não deve votar apenas por emoção, amizade, tradição familiar, propaganda ou pressão de outras pessoas. Antes de escolher, deve procurar saber quem é o candidato, o que ele defende, o que já fez, a que partido pertence, quais são as ideias do partido e como suas propostas se relacionam com os princípios da Palavra de Deus.
Nas Eleições Gerais de 2026, o brasileiro escolherá presidente e vice-presidente, governador e vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. O primeiro turno acontecerá em 4 de outubro, e eventual segundo turno para presidente e governador ocorrerá em 25 de outubro.
Este pequeno guia não pretende dizer ao cristão em quem votar. Seu objetivo é ajudá-lo a fazer perguntas melhores. Afinal, o cristão não deve entregar sua consciência a um candidato, a um partido ou a uma ideologia. Sua consciência pertence a Deus.
1. PRIMEIRA PERGUNTA: O QUE ESSE CANDIDATO DEFENDE?
Antes de perguntar “quem é o candidato?”, pergunte:
O que esse candidato realmente propõe?
Não confie apenas em vídeos curtos, slogans ou discursos de campanha. Procure o programa de governo, os projetos apresentados, os votos que deu, as declarações públicas e aquilo que seu partido oficialmente defende.
No caso dos candidatos à Presidência, o próprio Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza os planos de governo, organizados por temas, permitindo que o eleitor consulte diretamente as propostas apresentadas pelas candidaturas.
Link para comparar as propostas de cada candidato, clique aqui!
Faça perguntas simples:
- O que ele promete?
- Como pretende fazer?
- Quanto isso vai custar?
- Quem vai pagar?
- O governo tem competência para fazer aquilo que ele promete?
- A proposta depende de uma lei, de uma emenda constitucional ou de outra medida?
- O candidato já defendeu essa ideia anteriormente?
- Ele já teve oportunidade de colocar essa proposta em prática? Se sim, por que ainda não fez?
- O que aconteceu quando ele ou seu grupo político teve poder para fazer algo semelhante?
Promessa não é realização.
Um candidato pode prometer praticamente qualquer coisa durante uma campanha. O eleitor responsável precisa procurar evidências.
2. SEGURANÇA PÚBLICA: COMO O CANDIDATO ENTENDE JUSTIÇA E PUNIÇÃO?
Poucas questões preocupam tanto a população quanto a segurança pública. Violência, assaltos, homicídios, estupros, violência contra crianças e mulheres, tráfico de drogas, atuação de facções criminosas e sensação de impunidade fazem parte da realidade cotidiana de muitas famílias brasileiras. Por isso, o cristão não deve avaliar candidatos apenas pelo que dizem sobre economia, saúde ou educação. É necessário perguntar também: como esse candidato entende o crime, a punição, a autoridade policial, os direitos das vítimas e a responsabilidade do criminoso?
A Bíblia não apresenta um código penal moderno, mas oferece princípios claros sobre justiça e autoridade. Romanos 13:1-4 ensina que a autoridade civil foi estabelecida por Deus e que o governante possui a responsabilidade de punir o mal. Paulo afirma que a autoridade “não traz a espada sem motivo”. Isso significa que o Estado possui legitimidade para exercer coerção e aplicar punições contra aqueles que violam a lei. A justiça bíblica não elimina a misericórdia, mas também não transforma misericórdia em impunidade. O criminoso continua sendo uma pessoa criada à imagem de Deus, mas também continua sendo moralmente responsável por seus atos.
Por isso, ao avaliar um candidato, não pergunte somente se ele fala em “ressocialização”. Pergunte também como ele entende a responsabilidade pelo crime e qual deve ser a consequência jurídica para quem pratica um delito.
Pergunte ao candidato:
- É favorável ou contrário à redução da maioridade penal?
- Se for favorável, em quais situações?
- Se for contrário, qual alternativa propõe para crimes graves cometidos por adolescentes?
- Defende mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente para crimes violentos?
- Como pretende combater a reincidência?
- É favorável à manutenção, ampliação ou restrição das chamadas “saidinhas”?
- Entende que condenados por crimes violentos devem ter direito a saídas temporárias?
- É favorável ou contrário à progressão de regime?
- Se defende a progressão, quais critérios considera necessários?
- Defende exame criminológico para determinados crimes?
- É favorável ao aumento do tempo efetivamente cumprido para crimes graves?
- Defende penas mais severas para crimes hediondos?
- Como pretende combater a impunidade?
- Como pretende proteger vítimas e testemunhas?
- Defende maior proteção para policiais que atuam dentro da lei?
- Como pretende combater homicídios, roubos e estupros?
- Que medidas propõe para combater a violência contra mulheres e crianças?
- Como pretende combater o abuso e a exploração sexual de crianças?
- Defende penas mais rigorosas para estupro e crimes sexuais contra menores?
- Como pretende enfrentar o tráfico de drogas?
- Como pretende enfrentar as organizações criminosas que controlam territórios?
- Considera determinadas facções criminosas apenas organizações criminosas ou entende que determinadas condutas dessas organizações devem receber tratamento jurídico ainda mais severo?
- É favorável ou contrário a mudanças na legislação para tratar organizações criminosas ultraviolentas com maior rigor?
- Como pretende impedir que facções controlem presídios?
- Como pretende impedir que criminosos continuem comandando atividades criminosas de dentro das prisões?
- Defende o confisco de bens provenientes do crime?
- Como pretende fortalecer investigação, inteligência policial e combate ao crime organizado?
Essas perguntas não são meramente políticas. Elas envolvem uma questão moral fundamental: o que significa fazer justiça?
A Bíblia não ensina que o criminoso deve ser tratado como alguém sem dignidade. Mesmo o criminoso continua sendo portador da imagem de Deus. Entretanto, também não ensina que a responsabilidade individual desaparece por causa das circunstâncias sociais. A Escritura reconhece a realidade do pecado pessoal e a responsabilidade pelas próprias ações. Por isso, uma política de segurança pública precisa levar em consideração tanto a proteção da sociedade quanto a responsabilidade do infrator.
O cristão também precisa distinguir ressocialização de impunidade. A possibilidade de um criminoso se arrepender, mudar de vida e voltar à sociedade é perfeitamente compatível com a fé cristã. O evangelho é, inclusive, uma mensagem de transformação de pecadores. Entretanto, o arrependimento não elimina necessariamente a necessidade de punição. Davi foi perdoado por Deus por seus pecados, mas continuou sofrendo consequências temporais de suas ações. O perdão cristão não significa que toda consequência jurídica deva desaparecer.
Da mesma maneira, progressão de regime não deve ser confundida automaticamente com impunidade. A legislação brasileira estabelece requisitos para a progressão, e esses requisitos podem ser alterados pelo Congresso. A Lei 14.843/2024, por exemplo, passou a exigir exame criminológico para a progressão de regime e restringiu o benefício da saída temporária. A legislação atualmente vigente também estabelece percentuais específicos de cumprimento de pena para diferentes situações, inclusive percentuais elevados para reincidentes em crimes hediondos e para crimes hediondos com resultado morte.
Por isso, o eleitor não deve ficar apenas no slogan “sou contra a impunidade”. Deve perguntar:
“Que mudança concreta você pretende fazer na legislação?”
E também:
“Qual será o critério?”
“Qual crime será atingido?”
“Qual será a pena?”
“Quanto tempo efetivamente será cumprido?”
“Quais serão os efeitos sobre a reincidência?”
“Como serão protegidas as vítimas?”
E AS FACÇÕES CRIMINOSAS?
Esta é uma questão que merece atenção especial nas eleições de 2026.
O Brasil aprovou, em março de 2026, a Lei nº 15.358/2026, que instituiu um novo marco legal de combate ao crime organizado. A lei criou, entre outras medidas, o conceito de “organização criminosa ultraviolenta”, definido na própria legislação em determinadas circunstâncias, e tipificou o chamado “domínio social estruturado”. Também estabeleceu tratamento penal mais severo para os crimes abrangidos pela nova legislação.
Isso significa que o eleitor precisa acompanhar não apenas o que os candidatos dizem sobre segurança, mas também qual posição possuem diante das mudanças legislativas que estão sendo discutidas ou implementadas.
Pergunte:
“Como você define uma facção criminosa?”
“Você considera que organizações criminosas que utilizam violência sistemática, controlam territórios, intimidam populações e atacam instituições devem receber tratamento jurídico diferenciado?”
“É favorável ao endurecimento das penas para líderes e integrantes dessas organizações?”
“Como pretende impedir que essas organizações controlem comunidades e territórios?”
“Como pretende impedir que continuem comandando crimes de dentro dos presídios?”
Aqui também é importante que o eleitor conheça exatamente a legislação vigente, porque o debate sobre classificação jurídica de facções criminosas e eventual enquadramento em legislação antiterrorismo continua sendo objeto de discussão política e legislativa. Há, por exemplo, proposições apresentadas em 2026 buscando alterar a Lei Antiterrorismo para equiparar determinadas condutas de organizações criminosas ultraviolentas a um regime de maior rigor penal.
Portanto, não aceite simplesmente a frase “sou duro contra o crime”.
Pergunte:
“O que exatamente você fará?”
“Que lei pretende mudar?”
“Que pena pretende estabelecer?”
“Como pretende fazer cumprir essa lei?”
“Quanto isso custará?”
“Quem será responsável pela execução?”
E OS CRIMES CONTRA MULHERES E CRIANÇAS?
O cristão precisa dar atenção especial à proteção dos vulneráveis.
A Bíblia condena a violência, a opressão e a exploração dos fracos. Jesus demonstra preocupação especial com as crianças (Mt 18:5-6), e a Escritura apresenta repetidamente a responsabilidade de proteger aqueles que estão em situação de vulnerabilidade.
Por isso, pergunte:
- O candidato defende penas adequadas para estupro?
- Como pretende combater estupro e violência sexual?
- Como pretende proteger crianças contra abuso e exploração?
- Como pretende combater violência doméstica?
- Como pretende melhorar a investigação desses crimes?
- Como pretende proteger vítimas e testemunhas?
- Defende medidas específicas contra reincidentes em crimes violentos?
- Como pretende impedir que criminosos condenados por crimes sexuais voltem a cometer os mesmos delitos?
A questão não deve ser tratada apenas como uma disputa política entre grupos. Existe uma pergunta moral anterior:
“O Estado está cumprindo seu dever de proteger o inocente e punir aquele que pratica o mal?”
Romanos 13:4 apresenta exatamente essa responsabilidade da autoridade.
SEGURANÇA NÃO É APENAS AUMENTAR PENA
Também é necessário avaliar o candidato com maturidade. Uma política de segurança pública não consiste somente em aumentar penas.
Pergunte também:
- Como pretende melhorar a investigação?
- Como pretende combater a corrupção policial?
- Como pretende melhorar a inteligência policial?
- Como pretende combater o tráfico de armas?
- Como pretende combater lavagem de dinheiro?
- Como pretende controlar fronteiras?
- Como pretende combater o financiamento das organizações criminosas?
- Como pretende melhorar o sistema penitenciário?
- Como pretende impedir que presídios se transformem em centros de comando do crime?
- Como pretende reduzir a reincidência?
- Como pretende proteger policiais e cidadãos?
Uma política pode defender penas mais duras e, ao mesmo tempo, precisar responder como essas penas serão efetivamente aplicadas. Lei sem capacidade de execução não produz automaticamente segurança.
Por isso, o cristão deve procurar propostas que combinem justiça, responsabilidade, proteção dos inocentes, autoridade legítima e capacidade real de execução.
A pergunta fundamental
No final, o eleitor cristão pode resumir sua avaliação da segurança pública em uma pergunta:
“Este candidato entende que o Estado deve proteger o cidadão, punir o mal, responsabilizar o criminoso e garantir justiça às vítimas?”
E depois deve perguntar:
“Como, concretamente, ele pretende fazer isso?”
Essa segunda pergunta é indispensável.
Porque discurso sobre segurança não é política de segurança.
O eleitor precisa conhecer a proposta, o projeto de lei, o histórico de votação e aquilo que o candidato efetivamente fez quando teve oportunidade de exercer autoridade.
A Bíblia ensina:
“Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça.”
João 7:24
Esse princípio também deve orientar o voto. Não escolha apenas pelo discurso. Examine os fatos.
3. JUSTIÇA: O QUE É JUSTO SEGUNDO A BÍBLIA?
A Bíblia apresenta a justiça como algo muito maior do que simplesmente distribuir coisas de maneira igual. Justiça envolve agir corretamente diante de Deus e do próximo, respeitar direitos, não favorecer o poderoso contra o fraco, não aceitar suborno, não dar falso testemunho e não perverter o direito.
A Lei de Deus afirma:
“Não cometerás injustiça no juízo; não favorecerás o pobre, nem honrarás o grande; com justiça julgarás o teu próximo.”
Levítico 19:15
Observe algo importante: a Bíblia não manda favorecer automaticamente o pobre nem favorecer automaticamente o rico. Ela manda julgar com justiça.
Por isso, pergunte ao candidato:
- Ele defende a igualdade perante a lei?
- Defende que pessoas poderosas também sejam responsabilizadas quando cometem crimes?
- Defende o direito de defesa e o devido processo?
- Combate corrupção e privilégios?
- Suas propostas fortalecem ou enfraquecem as instituições responsáveis pela justiça?
- Ele utiliza a justiça como instrumento contra adversários políticos?
- Sua proposta trata pessoas diferentes de maneira injusta simplesmente por pertencerem a determinado grupo?
O cristão deve procurar justiça, não vingança; misericórdia, não impunidade; igualdade perante a lei, não privilégios políticos.
4. ECONOMIA: COMO O CANDIDATO ENTENDE O DINHEIRO?
A Bíblia não ensina que o dinheiro seja mau. O problema está no amor ao dinheiro.
Paulo escreve:
“Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males.”
1 Timóteo 6:10
A Bíblia valoriza o trabalho (Ef 4:28; 2Ts 3:10-12), condena o roubo (Êx 20:15), protege a propriedade (Êx 20:17), condena a exploração dos trabalhadores (Tg 5:4) e ordena generosidade para com os necessitados (1Tm 6:17-19).
Isso significa que o cristão deve rejeitar dois extremos: a ganância que transforma a riqueza em ídolo e a ideia de que a propriedade ou a riqueza legítima sejam, por si mesmas, injustiças.
Ao analisar uma proposta econômica, pergunte:
- A proposta estimula trabalho e produção?
- Como pretende financiar suas promessas?
- Vai aumentar impostos?
- Vai aumentar a dívida pública?
- O Estado passará a controlar mais áreas da economia?
- Como a proposta afetará pequenos empresários?
- Como afetará trabalhadores?
- Como afetará famílias de baixa renda?
- Como afetará o preço dos produtos e serviços?
- A proposta protege o direito de propriedade?
- Incentiva responsabilidade ou dependência permanente do Estado?
Não basta perguntar: “O candidato promete ajudar os pobres?”
Pergunte também:
“A maneira proposta para ajudar os pobres é economicamente sustentável e respeita os princípios de responsabilidade, trabalho, propriedade e justiça apresentados nas Escrituras?”
5. RACISMO: COMO O CRISTÃO DEVE ENXERGAR AS PESSOAS?
A Bíblia começa com uma afirmação fundamental: todos os seres humanos foram criados à imagem de Deus.
“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”
Gênesis 1:27
Paulo também afirma que Deus “de um só fez toda raça humana para habitar sobre toda a face da terra” (At 17:26).
O racismo, entendido como desprezo, discriminação ou tratamento injusto de uma pessoa por causa de sua origem ou pertencimento racial, é incompatível com a dignidade humana apresentada pela Escritura. Tiago condena a acepção de pessoas dentro da igreja (Tg 2:1-9).
Mas o cristão também precisa analisar cuidadosamente as propostas políticas apresentadas em nome do combate ao racismo.
Pergunte:
- A proposta combate discriminação real?
- Protege igualmente a dignidade de todas as pessoas?
- Trata pessoas como indivíduos responsáveis ou simplesmente como membros de grupos?
- A proposta busca igualdade perante a lei?
- Cria privilégios permanentes para determinados grupos?
- Como define discriminação?
- Quais critérios objetivos serão utilizados?
- Existe evidência de que a política proposta alcança o resultado anunciado?
O princípio cristão é claro: nenhuma pessoa deve ser desprezada por causa de sua origem, e todos devem ser tratados com justiça. A análise de cada política concreta, entretanto, exige examinar seus fundamentos e seus efeitos.
6. HOMENS E MULHERES: IGUAIS EM DIGNIDADE
A Bíblia ensina que homem e mulher foram criados à imagem de Deus (Gn 1:27). Portanto, homens e mulheres possuem igual dignidade humana.
O Novo Testamento também afirma que, em Cristo, “não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28).
Isso não significa que a Bíblia ensine que homens e mulheres sejam idênticos em todas as funções. A Escritura apresenta distinções entre os sexos e também diferentes responsabilidades no casamento, na família e na igreja. Mas distinção de função não significa inferioridade de valor.
Ao analisar candidatos, pergunte:
- Ele reconhece a dignidade igual de homens e mulheres?
- Combate violência e exploração?
- Defende igualdade perante a lei?
- Como sua proposta trata a maternidade?
- Como trata a responsabilidade paterna?
- Como suas políticas afetam a família?
- Suas propostas protegem mulheres contra violência sem transformar homens e mulheres em grupos moralmente opostos?
- Sua visão sobre sexualidade e identidade humana é compatível com a antropologia bíblica?
O cristão deve rejeitar tanto a ideia de inferioridade feminina quanto a transformação da diferença entre homem e mulher em motivo de hostilidade entre os sexos.
7. ABORTO: QUANDO COMEÇA A PROTEÇÃO DA VIDA?
Esta é uma das questões em que o cristão precisa ter muita clareza.
A Bíblia afirma que a vida humana possui valor porque o ser humano foi criado à imagem de Deus. Ela também apresenta Deus como aquele que conhece e forma o ser humano no ventre materno (Sl 139:13-16; Jr 1:5).
Por isso, a proteção da vida humana antes do nascimento é uma consequência importante da antropologia bíblica.
Pergunte:
- O candidato considera a vida humana no ventre digna de proteção?
- Qual é sua posição sobre aborto?
- Apoia mudanças na legislação?
- Em quais situações?
- O partido ao qual pertence possui posição oficial sobre o assunto?
- O candidato já votou sobre essa questão?
- Suas declarações atuais correspondem ao seu histórico?
O cristão precisa compreender também que não basta perguntar o que o candidato diz pessoalmente. É necessário descobrir qual é a posição do partido, quais projetos estão em discussão e como o candidato pretende votar.
8. DROGAS: LIBERDADE OU RESPONSABILIDADE?
A Bíblia não apresenta uma legislação específica sobre maconha, cocaína, crack ou outras drogas modernas. Portanto, o cristão precisa ter cuidado para não afirmar que determinada política contemporânea é literalmente um mandamento bíblico.
Mas a Bíblia oferece princípios importantes.
Ela ordena sobriedade:
“Sede sóbrios e vigilantes.”
1 Pedro 5:8
Também ensina que o corpo deve ser tratado como pertencente ao Senhor (1Co 6:19-20), condena comportamentos que destroem a pessoa e reconhece a responsabilidade das autoridades na manutenção da ordem (Rm 13:1-4).
Por isso, diante de uma proposta sobre drogas, pergunte:
- O que significa exatamente “legalizar”?
- A proposta trata de uso, porte, produção ou comércio?
- Quais drogas estão incluídas?
- Como pretende combater o tráfico?
- Como protegerá crianças e adolescentes?
- Como tratará dependência química?
- Qual será a responsabilidade de quem comercializa drogas?
- Quais experiências de outros lugares sustentam a proposta?
- Qual é o posicionamento oficial do partido?
Aqui é especialmente importante separar o princípio bíblico da aplicação política concreta. A Bíblia exige sobriedade, responsabilidade e proteção da vida; a maneira mais eficaz de alcançar esses objetivos é uma questão que precisa ser examinada à luz de evidências, legislação e realidade social.
9. LIBERDADE DE EXPRESSÃO: O CRISTÃO PODE FALAR A VERDADE?
A liberdade de expressão é fundamental para a vida pública, mas a Bíblia não apresenta uma teoria constitucional moderna sobre liberdade de expressão.
Ainda assim, encontramos princípios importantes.
Os apóstolos, quando receberam ordem para deixar de anunciar Cristo, responderam:
“Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.”
Atos 5:29
Ao mesmo tempo, a Bíblia condena mentira, calúnia, falso testemunho e palavras destrutivas (Êx 20:16; Ef 4:25,29).
Portanto, o cristão deve defender tanto a possibilidade de falar a verdade quanto a responsabilidade moral pelo que fala.
Ao avaliar um candidato, pergunte:
- Ele defende a liberdade de expressão?
- Aceita críticas?
- Tolera opiniões contrárias?
- Defende liberdade religiosa?
- Defende a liberdade de pregação e ensino?
- Pretende combater desinformação? Como?
- Quem decidirá o que é “desinformação”?
- Existem mecanismos independentes para impedir abuso de poder?
- O candidato ou seu partido já defendeu restrições à expressão de adversários?
Uma sociedade livre precisa tomar cuidado para que a proteção contra mentiras não se transforme em instrumento para silenciar opiniões legítimas.
10. PROPRIEDADE PRIVADA: POSSO POSSUIR?
A Bíblia começa reconhecendo Deus como Senhor de todas as coisas:
“Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém.”
Salmo 24:1
Mas isso não significa que ninguém possa possuir nada.
O oitavo mandamento diz:
“Não furtarás.”
Êxodo 20:15
E o décimo diz:
“Não cobiçarás […] coisa alguma que pertença ao teu próximo.”
Êxodo 20:17
Esses mandamentos pressupõem uma distinção entre aquilo que pertence a uma pessoa e aquilo que pertence a outra. A Bíblia reconhece propriedade, mas coloca a propriedade debaixo da autoridade de Deus.
Por isso, pergunte:
- O candidato respeita o direito de propriedade?
- Defende desapropriações?
- Como trata propriedade rural?
- Como trata propriedade urbana?
- Como pretende combater invasões?
- Como pretende lidar com impostos sobre patrimônio?
- O Estado poderá retirar propriedade privada em quais circunstâncias?
- O partido defende alterações na concepção de propriedade?
O cristão não deve idolatrar a propriedade, mas também não deve tratar a propriedade privada como se fosse automaticamente uma injustiça.
11. FAMÍLIA E EDUCAÇÃO: QUEM DEVE EDUCAR OS FILHOS?
A Bíblia atribui aos pais uma responsabilidade fundamental na formação dos filhos:
“Estas palavras […] tu as inculcarás a teus filhos.”
Deuteronômio 6:6-7
Efésios 6:4 também coloca sobre os pais a responsabilidade de criar os filhos na disciplina e admoestação do Senhor.
Portanto, ao analisar propostas relacionadas à educação, pergunte:
- Qual é o papel da família?
- Qual é o papel do Estado?
- Quem decide os valores ensinados às crianças?
- Os pais terão liberdade para participar da educação moral dos filhos?
- Como o candidato entende a autoridade dos pais?
- Como sua proposta trata sexualidade, religião e formação moral?
- A proposta respeita a liberdade religiosa das famílias?
O Estado possui responsabilidades educacionais importantes, mas isso não significa que ele seja o proprietário moral dos filhos. Na perspectiva bíblica, os pais possuem responsabilidades que não podem ser simplesmente transferidas ao governo.
12. RELIGIÃO, FÉ E IGREJA: O QUE O PARTIDO PENSA?
Esta é uma pergunta que muitos cristãos esquecem de fazer.
Não basta ouvir um candidato dizer “eu respeito os cristãos”. Descubra:
O que o partido pensa sobre religião?
Leia o estatuto do partido.
Leia seu programa.
Procure declarações oficiais.
Veja como seus parlamentares votaram em temas relacionados à liberdade religiosa.
Pergunte:
- O partido defende liberdade religiosa?
- Defende liberdade de culto?
- Defende liberdade de pregação?
- Reconhece o direito das igrejas de organizar sua própria vida?
- Como trata organizações religiosas?
- Considera a religião uma contribuição legítima para o debate público?
- Defende que o Estado seja neutro diante das religiões ou pretende restringir determinadas manifestações religiosas?
- O candidato já fez declarações sobre a igreja e a fé?
- O discurso eleitoral atual corresponde à história do partido?
A Constituição brasileira protege a liberdade de consciência e de crença e assegura o livre exercício dos cultos religiosos. Portanto, esse também deve ser um tema importante para o eleitor cristão.
13. NÃO ANALISE APENAS O CANDIDATO. ANALISE O PARTIDO.
Um erro comum é pensar:
“Eu gosto desse candidato, portanto vou votar nele.”
Mas candidatos não trabalham sozinhos.
Um deputado eleito pertence a uma bancada. Um senador pertence a um partido. Um governador precisa construir maioria parlamentar. Um presidente precisa negociar com Congresso Nacional.
Por isso, descubra:
Quem é o partido?
Qual é sua história?
Qual é seu programa?
Qual é seu estatuto?
Quem são seus principais líderes?
Como seus parlamentares votaram?
Quais projetos seus representantes apresentaram?
O que o partido defende sobre família, religião, economia, propriedade, segurança, aborto e drogas?
O TSE mantém informações oficiais sobre os partidos registrados, incluindo seus estatutos.
Não vote apenas no discurso do candidato. Conheça a legenda que estará ao lado do nome dele na urna.
14. PESQUISE O PASSADO DO CANDIDATO
Se o candidato já ocupou cargo público, existe uma pergunta ainda mais importante:
O que ele fez quando teve poder?
Não avalie somente aquilo que ele promete fazer.
Pesquise:
- Como votou?
- Quais projetos apresentou?
- Participou de quais comissões?
- Quais posições defendeu?
- Cumpriu suas promessas anteriores?
- Possui histórico de mudança frequente de posição?
- Como administrou recursos públicos?
- Teve contas ou processos relevantes?
- Como utilizou o mandato?
Para as eleições de 2026, o TSE disponibiliza o DivulgaCandContas, sistema que reúne informações sobre candidaturas e contas eleitorais. O sistema permite consultar, entre outras informações, declaração de bens, arrecadação, gastos, doadores e fornecedores.
Isso significa que o eleitor não precisa depender apenas da propaganda eleitoral.
A internet permite verificar muita coisa. Use-a.
Mas utilize fontes confiáveis.
Procure primeiro:
- TSE;
- Câmara dos Deputados;
- Senado Federal;
- Assembleia Legislativa;
- Portal da Transparência;
- Tribunal de Contas;
- Diário Oficial;
- site oficial do partido;
- site oficial do candidato;
- veículos jornalísticos confiáveis.
Não compartilhe uma acusação apenas porque recebeu no WhatsApp.
15. PROPOSTA BOA PRECISA RESPONDER A CINCO PERGUNTAS
Uma maneira simples de avaliar qualquer proposta é fazer cinco perguntas:
1. É moralmente correta?
Isso é compatível com os princípios da Palavra de Deus?
2. É constitucionalmente possível?
O cargo que o candidato está disputando realmente possui autoridade para fazer isso?
3. É economicamente viável?
Quanto custa? Quem paga? Quais serão os efeitos?
4. É tecnicamente executável?
Existe um plano concreto para realizar aquilo?
5. Já funcionou?
Existe experiência ou evidência que permita avaliar a proposta?
Uma promessa pode parecer excelente e ainda assim ser inviável.
16. O QUE ESTÁ EM JOGO NAS ELEIÇÕES DE 2026?
É importante compreender que as eleições de 2026 não envolvem apenas a escolha do presidente.
O eleitor escolherá presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
Cada um desses cargos possui competências diferentes.
O presidente participa da definição das políticas do Poder Executivo federal, nomeia ministros e também indica pessoas para determinadas posições que dependem de aprovação do Senado.
Os deputados federais participam da elaboração das leis federais e das emendas à Constituição, dentro das regras constitucionais.
Os senadores também participam da legislação federal e possuem competências próprias, entre elas a apreciação das indicações para ministro do Supremo Tribunal Federal.
Isso é particularmente relevante porque a Constituição estabelece que os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República depois de aprovados pela maioria absoluta do Senado Federal.
Além disso, ministros do STF estão sujeitos à aposentadoria compulsória aos 75 anos.
Portanto, as eleições não determinam automaticamente quem ocupará o Supremo, mas a composição do Poder Executivo e do Senado influencia o processo de futuras indicações e aprovações de ministros.
Isso significa que o eleitor que vota para presidente e senador também está participando, indiretamente, da formação institucional que terá consequências para os próximos anos.
17. LEIS QUE PODEM MUDAR A VIDA DO CIDADÃO
Outra razão para analisar cuidadosamente deputados e senadores é que o Congresso pode aprovar leis e emendas constitucionais que afetam diretamente a vida cotidiana.
Questões trabalhistas são um exemplo atual.
Em 2026, tramita no Congresso a discussão sobre o chamado fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. A PEC 221/2019, por exemplo, prevê redução da jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos e passou a ser discutida em comissão especial na Câmara; em maio de 2026, a matéria avançou no processo legislativo e foi encaminhada ao Senado.
Uma mudança dessa natureza pode produzir consequências para trabalhadores, empresas, comércio, serviços, preços, salários, contratação e organização da jornada.
Por isso, o cristão não deve simplesmente perguntar:
“Eu gosto da ideia de trabalhar menos?”
A pergunta precisa ser maior:
“Qual é o princípio bíblico sobre trabalho? Qual é o objetivo da proposta? Quais serão seus custos? Quem será afetado? Qual será o impacto sobre trabalhadores e empresas? E qual é a posição do candidato sobre essa matéria?”
O mesmo raciocínio vale para impostos, previdência, educação, segurança, saúde, propriedade, liberdade religiosa, regulação econômica e inúmeras outras questões.
A política produz consequências concretas na vida cotidiana.
Ela pode afetar o salário.
Pode afetar o preço dos alimentos.
Pode afetar o preço da energia.
Pode afetar o preço dos combustíveis.
Pode afetar os impostos.
Pode afetar a liberdade de uma empresa contratar.
Pode afetar a jornada de trabalho.
Pode afetar a família.
Pode afetar a educação dos filhos.
Pode afetar a liberdade religiosa.
Pode afetar a propriedade.
Pode afetar a segurança.
Por isso, votar exige mais do que conhecer o rosto do candidato.
18. UMA PERGUNTA PARA CADA CANDIDATO
Antes de votar, procure responder:
SOBRE O CARÁTER
- Essa pessoa demonstra honestidade?
- Cumpre aquilo que promete?
- Reconhece seus próprios erros?
- Trata seus adversários com respeito?
- Tem histórico de corrupção ou de abuso de poder?
SOBRE A VISÃO DE MUNDO
- O que ela entende sobre Deus?
- O que pensa sobre religião?
- O que pensa sobre família?
- O que pensa sobre liberdade?
- O que pensa sobre propriedade?
- O que pensa sobre Estado?
SOBRE A BÍBLIA
- Suas propostas respeitam princípios bíblicos?
- Quando uma proposta entra em conflito com a Bíblia, qual princípio prevalece?
- O candidato defende liberdade para os cristãos viverem sua fé?
SOBRE O DINHEIRO
- Quanto custa sua proposta?
- Quem vai pagar?
- Vai aumentar impostos?
- Vai aumentar a dívida?
- Qual será o impacto sobre os mais pobres?
SOBRE A LIBERDADE
- Defende liberdade religiosa?
- Defende liberdade de expressão?
- Aceita opiniões contrárias?
- Defende propriedade privada?
- Respeita a autonomia das famílias dentro dos limites da lei?
SOBRE A JUSTIÇA
- Defende igualdade perante a lei?
- Combate corrupção?
- Como trata criminosos?
- Como protege vítimas?
- Defende punição proporcional ao crime?
SOBRE O FUTURO
- O que esse candidato fará se tiver poder?
- Quem estará ao seu lado?
- Que partido o sustenta?
- Quem serão seus aliados?
- Quais leis poderá apoiar?
- Quais indicações poderá fazer?
19. NÃO VOTE POR MEDO, ÓDIO OU PAIXÃO
Existe outro princípio importante.
O cristão não deve permitir que a política domine seu coração.
Não devemos transformar candidatos em salvadores.
Não devemos transformar adversários políticos em inimigos pessoais.
Não devemos acreditar que determinado político resolverá todos os problemas do país.
A Bíblia nos lembra:
“Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.”
Salmo 146:3
Isso não significa abandonar a política. Significa colocá-la no lugar correto.
O cristão deve votar com responsabilidade, mas sua esperança não está no presidente.
Sua esperança não está no Congresso.
Sua esperança não está no STF.
Sua esperança não está em partido político.
Sua esperança está em Deus.
20. UMA REGRA SIMPLES PARA O ELEITOR CRISTÃO
Antes de confirmar seu voto, procure responder a estas sete perguntas:
1. O que esse candidato acredita?
2. O que ele promete?
3. O que ele já fez?
4. A qual partido ele pertence e o que esse partido defende?
5. Quanto suas propostas vão custar e quem pagará?
6. Como suas propostas se relacionam com os princípios da Palavra de Deus?
7. Se ele receber poder, quais mudanças poderá produzir na sociedade?
Se você não consegue responder essas perguntas, talvez ainda não esteja preparado para votar naquele candidato.
Não tenha pressa.
Pesquise. Compare. Ore. Pense.
Não vote apenas porque alguém mandou.
Não vote apenas porque sua família vota.
Não vote apenas porque seu pastor falou.
Não vote apenas porque alguém apareceu em um vídeo.
Conheça o candidato.
Conheça o partido.
Conheça as propostas.
Conheça o histórico.
Leia a Bíblia.
E então exerça sua cidadania com consciência diante de Deus.
CONCLUSÃO
O cristão não deve terceirizar sua consciência política. Deus não nos chamou para sermos espectadores da sociedade, mas cidadãos responsáveis, capazes de discernir, examinar e agir com sabedoria. O voto é uma responsabilidade civil e, para o cristão, também pode ser exercido como parte de sua responsabilidade diante de Deus.
Por isso, antes de perguntar “em quem eu vou votar?”, pergunte:
“Que tipo de sociedade esta pessoa pretende construir?”
Depois pergunte:
“Que visão de ser humano está por trás dessa proposta?”
E finalmente:
“Essa visão é coerente com aquilo que a Palavra de Deus ensina?”
Não precisamos procurar candidatos perfeitos. Não existem candidatos perfeitos. Também não precisamos transformar nenhum político em salvador da nação. O que precisamos é de discernimento para avaliar pessoas, propostas, partidos e consequências.
Nas eleições de 2026, estarão em disputa cargos que possuem diferentes poderes e responsabilidades. O eleitor escolherá presidente, governadores, senadores e deputados. Essas escolhas terão consequências sobre leis, políticas públicas, orçamento, economia, segurança, educação, liberdade, relações de trabalho e também sobre a composição futura de instituições como o Supremo Tribunal Federal, considerando o papel constitucional do presidente e do Senado nas indicações e aprovações de ministros.
Por isso, não desperdice seu voto por falta de informação.
A Bíblia diz:
“O coração do sábio adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios procura o saber.”
Provérbios 18:15
Que o cristão entre na cabine de votação não apenas com um número decorado, mas com consciência, conhecimento, responsabilidade e temor de Deus.
Vote com consciência.
Vote com conhecimento.
Vote sem idolatria.
Vote sem ódio.
Vote sem ingenuidade.
E vote procurando submeter suas convicções à verdade da Palavra de Deus.
Soli Deo gloria











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