Como Viveremos? O desafio de ser cristão na era da pós-modernidade
“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo.”
Mateus 5.13–16
Chegamos à última mensagem da série Como Viveremos? — O desafio de ser cristão na era da pós-modernidade. Durante estas semanas, procuramos compreender não apenas o mundo em que vivemos, mas principalmente as ideias que ajudaram a construí-lo. Começamos no Éden, porque a crise humana não começou na internet, nas universidades, na política ou nas redes sociais; começou quando o ser humano decidiu interpretar a realidade independentemente da Palavra de Deus. Depois acompanhamos, de maneira resumida, o deslocamento da centralidade de Deus na cultura ocidental, passando pela crescente autonomia da razão humana até chegarmos a uma cultura em que o indivíduo, seus desejos e seus sentimentos ocupam um espaço cada vez maior na definição da verdade, da identidade e da moralidade. Na terceira mensagem, ouvimos o chamado de Paulo em Romanos 12.2: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. Agora, porém, precisamos dar o passo decisivo. Se sabemos que não devemos nos conformar com este mundo, como devemos viver dentro dele?
Essa pergunta está no coração do livro de Francis Schaeffer, Como Viveremos?. Publicado originalmente em 1976, o livro procura interpretar a história ocidental a partir das ideias, pressuposições e cosmovisões que moldaram sua filosofia, ciência, arte, política e cultura. Schaeffer não olha para a história como uma sequência de acontecimentos desconectados; ele procura enxergar o fluxo das ideias e mostrar como aquilo que os homens acreditam sobre Deus, o homem, a verdade e a realidade acaba aparecendo na maneira como constroem suas sociedades. Sua tese fundamental é que as ideias têm consequências e que uma sociedade não muda primeiro seus comportamentos para depois mudar suas crenças; normalmente acontece o contrário: mudam-se as pressuposições, depois os valores, depois os comportamentos e, finalmente, a cultura. É justamente por isso que a pergunta “Como viveremos?” não pode ser respondida apenas com regras de comportamento. Precisamos saber em que cremos, a quem pertencemos e que visão de mundo governa nossa existência.
E é aqui que as palavras de Jesus se tornam extraordinariamente atuais. No Sermão do Monte, depois de apresentar as bem-aventuranças, Jesus olha para seus discípulos e declara: “Vós sois o sal da terra” e “Vós sois a luz do mundo”. Observe que Jesus não começa dizendo: “Façam alguma coisa”. Ele começa dizendo: “Vós sois”. Antes da missão existe identidade. Antes da influência existe pertencimento. Antes de Jesus falar sobre aquilo que seus discípulos precisam fazer no mundo, ele diz quem eles são diante do mundo. Essa ordem é fundamental para a igreja contemporânea, porque existe sempre o perigo de tentarmos transformar a sociedade sem permitir que Cristo transforme primeiro nossa própria vida. A igreja não recebeu uma estratégia de marketing para conquistar a cultura; recebeu uma identidade em Cristo. Somos discípulos, somos povo de Deus, somos aqueles que foram alcançados pela graça e chamados para viver sob o senhorio de Jesus. A missão nasce da identidade.
Essa verdade também nos ajuda a compreender o que significa não nos conformarmos com este século. Paulo não está dizendo que devemos abandonar o mundo. O cristão não é chamado para desaparecer da sociedade, construir uma bolha religiosa e esperar a volta de Cristo. Jesus, inclusive, orou pelos seus discípulos dizendo ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17.15). O problema não é estarmos no mundo; o problema é permitirmos que o mundo determine quem somos. Não fomos chamados para fugir da cultura, mas para entrar nela sem assumir sua forma. Não fomos chamados para viver isolados, mas para viver de tal maneira que nossa presença produza uma diferença real. Schaeffer insistia justamente nessa dimensão pública da fé cristã: o discípulo de Jesus precisa compreender a cultura, pensar biblicamente sobre ela e agir dentro dela de acordo com a verdade de Deus. Para ele, conhecer uma cosmovisão cristã sem agir a partir dela seria insuficiente; o cristão precisa conhecer, agir e falar.
Somos o sal da terra
Quando Jesus diz “vós sois o sal da terra”, ele apresenta uma das imagens mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundas para explicar a presença cristã no mundo. O sal não precisa ser maioria para exercer influência. Pelo contrário, normalmente existe muito menos sal do que comida, mas uma pequena quantidade é capaz de alterar significativamente o sabor de uma grande quantidade de alimento. Essa imagem precisa ser recuperada pela igreja em uma época em que somos constantemente tentados a medir nossa relevância pela quantidade. Talvez não sejamos maioria. Talvez nossos valores não sejam os valores dominantes. Talvez aquilo que cremos pareça estranho para parte da sociedade. Talvez nossos filhos estejam crescendo em uma cultura muito diferente daquela em que nós crescemos. Mas Jesus não disse: “Vocês serão o sal quando forem maioria”. Ele disse: “Vós sois o sal da terra.” A eficácia do sal não está em sua quantidade absoluta, mas em sua presença e em sua capacidade de produzir efeito.
Ser sal significa, portanto, preservar uma identidade. O sal não pode perder seu sabor e continuar cumprindo sua função. Por isso, existe uma relação inseparável entre santidade e missão. A igreja não influencia o mundo tornando-se semelhante ao mundo. Influencia justamente porque continua sendo diferente. Se o cristão adota os mesmos critérios de sucesso, os mesmos padrões de relacionamento, a mesma ética sexual, a mesma relação com dinheiro, a mesma linguagem agressiva, a mesma obsessão por poder e a mesma lógica de vingança que domina a cultura, sua capacidade de testemunhar diminui. Não porque precise ser perfeito — nenhum de nós é —, mas porque a graça que professamos precisa produzir uma vida que seja reconhecivelmente diferente. O sal precisa continuar sendo sal.
Isso significa que santidade não é isolamento, mas distinção. O cristão precisa estar perto das pessoas sem perder sua identidade. Precisa trabalhar com pessoas que não compartilham sua fé, estudar com pessoas que pensam de maneira diferente, conviver com pessoas que possuem outras convicções e participar da sociedade sem permitir que a sociedade determine seus valores. A santidade cristã não é uma fuga da realidade; é uma maneira diferente de viver dentro da realidade. É possível estar profundamente envolvido com a sociedade sem ser absorvido por ela. É possível amar pessoas sem concordar com tudo o que elas pensam. É possível dialogar sem abandonar convicções. É possível ser firme sem ser agressivo. É possível ser sal sem deixar de estar na comida.
E talvez essa seja uma das maiores necessidades da igreja de nosso tempo. Precisamos parar de imaginar que só teremos influência quando formos maioria. O sal quase sempre será menor do que aquilo que tempera. O cristão pode ser minoria dentro de uma sala de aula, de uma empresa, de uma universidade, de um ambiente profissional ou até mesmo de uma família. Ainda assim, pode fazer diferença. Um funcionário que se recusa a participar de uma desonestidade está sendo sal. Uma jovem que decide manter sua pureza em uma cultura que banalizou a sexualidade está sendo sal. Um marido que permanece fiel quando a cultura ensina que relacionamentos são descartáveis está sendo sal. Um empresário que se recusa a corromper seus princípios para ganhar dinheiro está sendo sal. Um cristão que, em uma discussão política, mantém convicções firmes sem transformar o adversário em inimigo está sendo sal. Não precisamos controlar o ambiente para influenciá-lo. Precisamos estar nele como discípulos de Cristo.
Isso também vale para nossa participação política. O cristão não pode transformar nenhum partido ou político em seu salvador. Podemos e devemos participar da sociedade, votar, discutir políticas públicas, defender a vida, a família, a justiça e a dignidade humana, mas nossa esperança jamais pode repousar em um candidato. Existe um perigo espiritual quando conhecemos mais profundamente os discursos de determinados políticos do que conhecemos a Palavra de Deus, quando defendemos nossos candidatos com mais paixão do que defendemos o evangelho e quando somos capazes de romper relacionamentos cristãos por causa de preferências partidárias. O político não morreu por nós. O político não ressuscitou por nós. O político não perdoa nossos pecados. Cristo é o nosso Senhor. Schaeffer nos ajuda justamente a recuperar uma visão cristã abrangente da sociedade sem transformar a participação cultural em idolatria política. O cristão deve agir publicamente, mas sua esperança continua sendo escatológica e cristocêntrica.
Aqui cabe uma advertência simples, mas necessária: cuidado para não confundir sal com pimenta. Há cristãos que, quando entram na política, deixam de preservar e começam apenas a provocar; deixam de temperar e passam a inflamar; deixam de testemunhar e passam a brigar. O sal conserva e dá sabor. A pimenta pode tornar algo mais ardido. A igreja não foi chamada para ser a pimenta da terra. Podemos ter convicções políticas fortes sem transformar cada conversa em uma guerra. Podemos denunciar o erro sem odiar pessoas. Podemos discordar sem desumanizar. Podemos defender a verdade sem abandonar a graça. Nossa paixão por Cristo precisa ser maior do que nossa paixão por qualquer político.
Somos a luz do mundo
Jesus acrescenta: “Vós sois a luz do mundo.” Se a imagem do sal enfatiza uma influência que penetra e muitas vezes não é percebida imediatamente, a luz possui uma característica diferente: ela é visível. A luz revela. A luz torna aquilo que estava escondido perceptível. Por isso, Jesus afirma que ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um cesto. A fé cristã não foi criada para permanecer confinada ao domingo, ao templo ou ao espaço privado da consciência. A fé cristã é pessoal, mas nunca foi planejada para ser privada.
Cristo precisa aparecer na família, no trabalho, na escola, nos relacionamentos, na maneira como tratamos as pessoas, na maneira como usamos o dinheiro, na nossa sexualidade, na maneira como falamos, na maneira como lidamos com autoridade e poder e na maneira como enfrentamos o sofrimento. Se Cristo é realmente Senhor, então ele não pode governar apenas algumas horas da semana. Ele precisa governar a totalidade da vida. É justamente aqui que a contribuição de Schaeffer permanece tão relevante: o senhorio de Cristo não pode ser reduzido ao culto, à oração e à leitura bíblica. A cosmovisão cristã precisa alcançar a maneira como pensamos sobre ciência, arte, política, economia, família, trabalho, cultura e sociedade. Para Schaeffer, o cristão precisa compreender que todas as áreas da vida estão diante de Deus.
Imagine, por exemplo, um jovem cristão que passa todos os dias com seus amigos não cristãos. Ele trabalha ou estuda com eles, conversa, brinca, participa das atividades e é querido pelo grupo. Não existe necessariamente nada errado em sua conduta. Ele é educado, honesto e prestativo. De certo modo, ele é sal: sua presença produz algum efeito. Mas existe um problema: ninguém sabe por que ele vive como vive. Ele nunca fala de Cristo. Nunca aponta para o evangelho. Quando alguém está sofrendo, oferece apenas conselhos humanos. Quando perguntam sobre sua fé, muda de assunto. Seus amigos sabem que ele “é da igreja”, mas talvez nunca tenham ouvido dele aquilo que Cristo significa para sua vida. Ele está presente, mas sua luz está escondida.
E esse é um problema que precisamos enfrentar. Não fomos chamados apenas para sermos boas pessoas. Fomos chamados para testemunhar de Cristo. Nossa vida precisa preparar o terreno, mas em algum momento nossa boca precisa anunciar aquilo em que cremos. A vida cristã coerente abre portas para o testemunho verbal. A integridade desperta perguntas. A fidelidade desperta curiosidade. A esperança em meio ao sofrimento desperta atenção. E então podemos dizer: “O que você está percebendo em mim não nasceu de mim. Cristo fez isso em minha vida.” A luz não existe para chamar atenção para o cristão; existe para apontar para Cristo.
Por isso, Jesus conclui: “…e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” Essa frase impede que o nosso testemunho se transforme em autopromoção. Nós não somos luz para que as pessoas digam: “Que cristãos extraordinários”. Somos luz para que, vendo nossas boas obras, glorifiquem o Pai. A luz começa aparecendo em nossa vida, mas termina apontando para Deus. A santidade aponta para Deus. A generosidade aponta para Deus. A fidelidade aponta para Deus. O perdão aponta para Deus. A esperança no sofrimento aponta para Deus. Nossa vida deve ser uma janela pela qual as pessoas consigam enxergar algo da glória de Cristo.
Como viveremos em uma cultura de “paz pessoal” e “prosperidade”?
Aqui encontramos outra contribuição importante de Schaeffer para nossa geração. Ele identificou dois valores que considerava especialmente perigosos na cultura moderna: paz pessoal e prosperidade. A paz pessoal é o desejo de não ser incomodado pelos problemas do mundo; a prosperidade é a busca crescente por conforto, segurança e abundância material. O problema não está em desejar paz ou em usufruir aquilo que Deus concede. O problema aparece quando esses desejos se tornam absolutos e nos levam a abandonar nossas convicções para preservar nosso conforto. Schaeffer advertia que uma sociedade pode chegar ao ponto de preferir segurança à liberdade e conforto à verdade.
Essa advertência continua profundamente relevante para a igreja. Talvez nosso maior perigo não seja apenas sermos perseguidos por causa de Cristo. Talvez seja sermos seduzidos pelo conforto. Porque é muito mais fácil ser fiel quando a fidelidade não custa nada. É fácil dizer que Cristo é Senhor quando isso não interfere em nossas escolhas. É fácil defender a verdade quando ninguém se incomoda com ela. É fácil falar de santidade quando não precisamos renunciar a nenhum desejo. Mas quando ser fiel começa a custar uma oportunidade, uma amizade, uma promoção, uma vantagem financeira, uma aceitação social ou uma parte do nosso conforto, então descobrimos quem realmente governa nossa vida.
Como viveremos, então? Viveremos como pessoas que não têm o conforto como seu deus. Não significa procurar sofrimento desnecessariamente, mas estar disposto a obedecer quando obedecer custa alguma coisa. Não significa desprezar prosperidade, mas recusar fazer da prosperidade o propósito da existência. Não significa desejar perseguição, mas estar preparado para permanecer fiel caso ela venha. Cristo vale mais do que nosso conforto. A verdade vale mais do que nossa aprovação social. A fidelidade vale mais do que nossa conveniência.
Como viveremos dentro de nossas famílias?
Talvez nenhuma aplicação desta série seja mais urgente do que esta. Se a cultura está formando a mente de nossos filhos, precisamos perguntar: quem está discipulando nossos filhos? Não podemos entregar a formação espiritual deles ao algoritmo, às redes sociais, à televisão, aos influenciadores, aos colegas ou à universidade e depois esperar que algumas horas de culto por semana sejam suficientes para corrigir tudo. A ausência de formação consciente não significa ausência de formação. Nossos filhos estão sendo formados todos os dias. A questão é: por quem?
A resposta não pode ser simplesmente criar uma bolha. Não conseguiremos proteger nossos filhos de toda influência cultural, e talvez nem devamos tentar. Precisamos ensiná-los a pensar cristianamente, discernir, questionar, argumentar, conhecer as Escrituras, amar a verdade e encontrar em Cristo sua identidade. Precisamos construir casas onde o evangelho não seja apenas assunto de domingo. Casas onde se ora, onde a Bíblia é lida, onde os pais pedem perdão, onde os filhos aprendem a perdoar, onde o dinheiro é tratado com responsabilidade, onde a sexualidade é ensinada à luz da criação de Deus, onde o sofrimento é interpretado à luz da providência divina e onde Cristo não é apenas convidado para a casa, mas reconhecido como Senhor da casa.
Schaeffer compreendeu que uma cosmovisão cristã não poderia ficar confinada ao intelecto. Ela precisava tornar-se uma maneira de viver. Essa é uma das grandes contribuições de sua obra para a igreja: não basta saber o que é verdade; precisamos viver como se a verdade fosse realmente verdadeira. A fé cristã precisa sair da teoria e entrar na mesa de jantar, no orçamento familiar, na educação dos filhos, no casamento, na profissão e nas decisões diárias.
Como viveremos?
Depois de quatro mensagens, chegamos finalmente à pergunta que deu nome à série. E talvez agora possamos respondê-la.
Como viveremos?
Não viveremos conformados.
Não viveremos escondidos.
Não viveremos assustados.
Não viveremos como quem precisa dominar o mundo para provar que Cristo é Senhor.
Não viveremos como quem abandona suas convicções para ser aceito pelo mundo.
Viveremos como sal e luz.
Seremos sal porque precisamos preservar aquilo que Deus revelou como verdadeiro, bom e santo. Seremos sal porque precisamos influenciar nossas famílias, nossos ambientes de trabalho, nossas escolas, nossas comunidades e nossa sociedade. Seremos sal mesmo quando formos minoria, porque nossa missão nunca dependeu de sermos maioria.
Seremos luz porque não esconderemos nossa fé. Cristo aparecerá na nossa casa, no nosso casamento, no nosso trabalho, na nossa maneira de tratar as pessoas, no uso do dinheiro, na sexualidade, na política, na maneira de falar e na maneira de sofrer. Não queremos apenas que as pessoas percebam que somos diferentes; queremos que descubram por que somos diferentes.
E aqui está talvez a resposta mais importante de toda a série: não fomos chamados simplesmente para vencer uma guerra cultural. Fomos chamados para viver fielmente diante de Deus. Schaeffer não escreveu sua obra para ensinar os cristãos a dominar a cultura, mas para fazê-los compreender o mundo em que estavam vivendo e responder a ele com uma fé cristã integral, intelectualmente coerente, moralmente distinta e publicamente comprometida. Sua proposta é que o cristão conheça a verdade, viva de acordo com ela e a proclame.
Portanto, a pergunta “Como viveremos?” começa muito antes das decisões políticas, dos debates culturais ou das estratégias apologéticas. Ela começa diante do senhorio de Cristo. Quem governa minha mente? Quem governa meus desejos? Quem governa minha família? Quem governa meu dinheiro? Quem governa minha sexualidade? Quem governa minhas decisões? Quem governa minhas ambições? Quem governa minha maneira de reagir quando sou contrariado?
Porque, no final, a questão não é simplesmente se estamos vivendo em uma sociedade pós-moderna.
A questão é:
Estamos vivendo como discípulos de Jesus Cristo dentro dela?
A cultura continuará mudando. Ideias continuarão surgindo. Valores continuarão sendo disputados. Governos mudarão. Tecnologias mudarão. As gerações passarão. Aquilo que hoje parece absoluto amanhã poderá ser questionado. Mas existe algo que permanece: a Palavra de Deus e o senhorio de Cristo.
Por isso, não precisamos ter medo do futuro.
Precisamos ser fiéis.
Não precisamos ser maioria.
Precisamos ser sal.
Não precisamos esconder nossa fé.
Precisamos ser luz.
Não precisamos colocar nossa esperança em políticos.
Precisamos colocar nossa esperança em Cristo.
Não precisamos viver em uma bolha.
Precisamos viver no mundo sem pertencer ao mundo.
Não precisamos simplesmente reclamar da cultura.
Precisamos encarnar uma cultura cristã de vida, verdade, santidade, justiça, misericórdia e amor onde Deus nos colocou.
E talvez seja justamente aqui que a frase que nos acompanhou durante toda esta série encontre seu sentido completo:
A forma como pensamos determina a forma como vivemos.
Se pensarmos como o mundo, viveremos como o mundo.
Se permitirmos que nossos sentimentos sejam nosso senhor, viveremos governados por nossos sentimentos.
Se fizermos do dinheiro nosso senhor, viveremos para acumular.
Se fizermos da política nossa esperança, viveremos ansiosos a cada eleição.
Se fizermos de nós mesmos nosso centro, viveremos para nós mesmos.
Mas se Cristo for o centro, nossa vida começará a tomar a forma de Cristo.
E essa é a resposta cristã à pergunta de Schaeffer.
Como viveremos?
Viveremos de joelhos diante de Cristo e de pé diante do mundo.
De joelhos, porque reconhecemos que dependemos da graça.
De pé, porque não temos vergonha do evangelho.
De joelhos, porque Cristo é nosso Senhor.
De pé, porque somos suas testemunhas.
De joelhos, porque não confiamos em nossa própria força.
De pé, porque o Espírito Santo nos capacita.
Seremos sal. Seremos luz.
E quando nossa vida terminar, nosso maior desejo não deverá ser que alguém diga que vencemos uma discussão, que elegemos nosso candidato, que defendemos nossa ideologia ou que preservamos nossa reputação.
Nosso desejo deverá ser muito mais simples e muito mais grandioso:
que alguém tenha olhado para nossa vida e conseguido enxergar Cristo.
Porque no fim, essa é a resposta.
Como viveremos?
Viveremos para que o mundo veja Cristo em nós e glorifique o nosso Pai que está nos céus.
Referências
SCHAEFFER, Francis A. How Should We Then Live? The Rise and Decline of Western Thought and Culture. Wheaton: Crossway. A obra foi publicada originalmente em 1976 e percorre a história do pensamento e da cultura ocidental, relacionando filosofia, religião, ciência, arte e sociedade.
BÍBLIA. Mateus 5.13–16; João 17.15; Romanos 12.2.
Soli Deo gloria












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