Arquivo para Tag: vida cristã

“Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio” (Provérbios 17:28).

O Filósofo e Matemático francês Blaise Pascal tinha razão quando disse: “A maior parte dos problemas do homem decorre de sua incapacidade de ficar calado”. Sobre isso, o texto sagrado também apresenta lições preciosas. Vejamos:

Primeira, a sabedoria não raras vezes é percebida pelo nosso silêncio. Às vezes, não são as muitas palavras que evidenciam uma pessoa sábia, mas sua capacidade de ficar calada. Precisamos lembrar com certa frequência do velho ditado popular: “Boca fechada não entra mosquito”.

 

Segunda, o silêncio é pedagógico. O silêncio ensina até um tolo. Diz o texto: “Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio”. Os problemas não se agigantam quando ficamos calados, mas quando falamos muito e sem discernimento.

Terceira, aprender a ficar calado em certas ocasiões pode ajudar as pessoas a mudarem conceitos a seu respeito. Novamente o texto diz: “Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio”. O tolo calado é visto como sábio.

Nem bem a morte do candidato à Presidência da República Eduardo Campos em um acidente aéreo, nesta quarta (13), foi confirmada e surgiram comentários com afirmações de mau gosto ou inferências políticas bizarras nas redes sociais.

Pessoas pedindo para que, no lugar de Campos, naquele jatinho, estivesse Aécio ou Dilma. Ou colocando a culpa em um ou em outro pelo acidente.

Não, isso não é piada. Muito menos revolta contra a política.

Há outro nome para esse tipo de ignomínia, para essa incapacidade crônica de sentir empatia com os passageiros de um avião que cai e com as pessoas que estavam em solo. Talvez essa impossibilidade de se reconhecer no outro e demonstrar algum apreço pela vida humana seja alguma forma de psicopatia grave.

O que não surpreende, pois tem o mesmo DNA das discussões estéreis e violentas levadas a cabo na internet, sob anonimato ou não. Mas não deixa de chocar.

O que tem faltado é respeito, respeito a dor de quem perdeu não um político, mas uma vida, não, não sou partidário de Eduardo Campos, sou alguém fica chocado com a incapacidade da empatia de algumas pessoas.
À família e aos amigos de Campos e de sua equipe e aos feridos entre os moradores de Santos, minha solidariedade. Aos que fazem disso uma brincadeira ou uma chance para aparecer, e aos que se dizem apenas expressar seu pensamento, volto a afirmar:

“Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio” (Provérbios 17:28).

Soli Deo gloria

O rei Davi já no final de sua vida, logo após passar a sucessão do trono para seu filho Salomão, o aconselha com as seguintes palavras:

“Vou para onde todos na terra irão algum dia. Seja corajoso e seja homem. Obedeça às ordens do Senhor, seu Deus, e siga os caminhos dele. Guarde os decretos, mandamentos, estatutos e preceitos escritos na lei de Moisés, para que seja bem-sucedido em tudo que fizer e por onde quer que for.” (1 Reis 2:2,3)

Que conselhos preciosos vindo de um pai que foi chamado de “um homem segundo o coração de Deus”. Penso que não há conselhos melhores do que estes, afinal, o que é mais importante nessa vida se não for “obedecer às ordens de Deus e seguir o seu caminho”?

Fazer isso, sem dúvidas exige coragem e hombridade. Vivemos em uma cultura que caminha a passos largos na contra-mão dos ensinamentos de Deus, uma cultura que não só não obedece a Deus e nem segue os seus caminhos, como zomba e persegue aqueles que o fazem. Vivemos em uma cultura que “chama o certo de errado e o errado de certo”. Sendo assim, precisamos trazer esse conselho em nossas mentes, pois ele ainda é válido para nós: seja corajoso e seja homem! Devemos seguir obedecendo a Deus e caminhando nos seus caminhos, mesmo contra uma cultura relativista e pagã.

No evangelho de João lemos que:

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” (João 14:21)

Lemos também, em outra porção das Escrituras:

“Então Jesus disse aos seus discípulos:— Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mateus 16:24)

O mundo é hostil ao cristianismo, mas seja corajoso e seja homem; nosso Senhor venceu o mundo! Se ele venceu, nós venceremos também. Prossigamos, amando, obedecendo e seguindo os passos do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

Soli Deo gloria

A Bíblia é o livro mais importante da humanidade e sempre serviu de inspiração aos grandes homens do passado e do presente, produzindo em seres comuns, os maiores sentimentos morais e intelectuais possíveis. Ela já foi proibida, perseguida, queimada e ridicularizada, mas permaneceu viva provando ser um livro inigualável. Ela é a palavra de Deus capaz de transformar e mudar de forma esplêndida a vida daqueles que dela se aproximam com um coração puro e reverente.

Para os cristãos ela é o guia, a regra de fé, a bússola, a espada que penetra a alma, o martelo que esmiúça a penha, a revelação e a luz que tudo ilumina.

Se o cristão pretende ter uma vida abundante e espiritual, não pode de forma alguma negligenciar este livro, a leitura e prática deve ser diária como uma luta constante.

3 Motivos para ler a Bíblia Diariamente

1- Ela alimenta a Alma

Assim como o corpo físico precisa se alimentar, ingerindo uma alimentação equilibrada com as proteínas necessária para o bom desenvolvimento do organismo inteiro, a alma e o espírito também precisa da alimentação adequada para seu desenvolvimento.

A Bíblia é o alimento da alma e do espírito, pois ela é a única literatura no mundo capaz de alcançar o mais íntimo do ser humano, por ter sido inspirada por Deus. A alma humana anseia desesperadamente um contato íntimo com o Criador, retornando ao ponto de referência perdido por este mundo de confusões e pecado.

Por tanto, ler a bíblia de forma constante irá nos alimentar espiritualmente e nos fornecer as ”proteínas” necessárias para uma vida espiritual e material plena. ”Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo” (1 Pe 02:02).

Jesus nos dá uma dica clara desta questão, quando em sua tentação no deserto, contrapõe o diabo em seus argumentos materialistas e falaciosos. ”Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt. 04.04).

2- Ela Aumenta a Fé

A Fé é o requisito essencial para um relacionamento perfeito com Cristo e sem ela não podemos agradar a Deus. ”Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6).

As Escrituras Sagradas aumentam a nossa fé, na medida em que buscamos com sinceridade os conselhos do Senhor revelados na palavra, nos fortalecendo e acrescentando esperança nas promessas registradas nela.

Em momentos de fraqueza espiritual, muitos abandonam o convívio cristão se voltando à coisas que não edificam, e que somente distrai. Nestes momentos é preciso buscar forças em Deus, tanto na comunhão com os irmãos, na oração e principalmente nas escrituras, que certamente o fortalecerá, aumentando a fé para vencer os obstáculos. Ler a Bíblia diariamente em meditação e reflexão é a maneira perfeita de ter a fé necessária para estar firme diante dos dardos do inimigo e vencê-los. ”De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10:17).

3- Ela nos ensina a vontade de Deus

Andar com Cristo e não reconhecer e entender seus planos é algo que não devemos fazer, já que sem conhecermos sua vontade e nos aplicarmos em cumpri los não podemos amá-lo e servi-lo adequadamente. ”Vós sois meus amigos, se praticais o que Eu vos mando” (João 15:14).

Muitos cristãos da atualidade vivem sua caminhada cristã, crendo em coisas que receberam de outros, e não estou querendo dizer que não devemos aprender uns com outros, pelo contrário. Mas viver a vida com Cristo sem ter um contato íntimo com as escrituras é como dizer que é formado em medicina sem nunca ter estudado o assunto, ou seja é absolutamente absurdo.

A Vontade de Deus é que todos os conheçamos de forma plena, pela experiência pessoal e pela revelação das escrituras. Todos nós sabemos, que as experiências que um crente pode ter neste mundo são apenas aspectos da glória de Deus, e que elas não podem ser o parâmetro para medir a plenitude da vontade do Senhor, ou seja, elas são apenas gotas em um oceano. Cristo é a plenitude, e a vontade de Deus foi nos dada por revelação nos textos sagrados. ”Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mateus 22:29).

Sendo assim, a bíblia é a maneira segura de conhecermos a vontade do Senhor e consequentemente vivê-la de forma a agradar a Deus verdadeiramente.

Finalizando

Espero de todo coração, que este breve resumo, possa lhe encorajar a ler as sagradas letras de forma abundante e que através da leitura e reflexão possamos crescer ainda mais na presença de Deus e realmente fazermos a diferença nesses tempos de apostasia.

”Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória, agora e no Dia eterno! Amém” (2 Pe 03:18).

Solio Deo gloria

“Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus. – Mateus 10:32,33

As palavras de Jesus a respeito da confissão pública como uma confirmação de fé a Deus nos fazem refletir as formas sutis de negação e os riscos delas. Existe, em primeiro plano, a negação direta e exposta da existência de Deus e, consequentemente, da existência do Cristo. No entanto, mais perigosa que ela, é a adaptação do evangelho às ideias de cada um.

Na necessidade clara de se aproximar de um ser redentor sem querer deixar as práticas e os pensamentos atuais, aproxima-se a pessoa de Jesus a esse conjunto antropocêntrico de ver a vida, de maneira que Ele passa a ser retratado como gay, em representação à comunidade LGBTQIA+, Hippie, para liderar o movimento “paz e amor”, mulher, para “amenizar o patriarcalismo”, negro para combater o racismo.

Perceba como existe um movimento de “encurtamento de espaços” para que Jesus possa confessar os homens diante de Deus. Nesse entendimento, igrejas têm se contaminado a fim de promover e avalizar essas adaptações em maior escala, abandonando os exemplos de culto e de vida em comunidade relatados pela Bíblia. Lord Carey, Arcebispo da Igreja Anglicana de Cantuária, disse: “A Igreja da Inglaterra encontra-se a somente uma geração de sua extinção”. A conclusão dele aconteceu a partir do êxodo de jovens e adultos do cristianismo e de uma migração para o islamismo.

Se no cenário europeu, os ensinamentos enraizados e inegociáveis disseminados pelos muçulmanos geraram um crescimento de adeptos, a percepção de Carey não é restrita ao Velho Mundo. Ano após ano vemos uma inclinação para deturpar a fé apostólica, bíblica, que foi dada aos pais e aos apóstolos, e substituí-la por um conjunto de ensinamentos parecido, afinal, precisamos confessar Jesus para sermos confessados diante de Deus. Basta que flexibilizemos uma ordem aqui, um mandamento acolá e pronto: #somostodosdeCristo. Ou Ele seria capaz de negar alguém que está mais perto do que antes?

Soli Deo gloria

Não existiu ninguém como Davi diante dos homens nem houve alguém como ele aos olhos de Deus. Depois da sua morte, havia um memorial diante do Eterno, tanto que repetidamente vemos citações na Bíblia como “por amor a Davi farei”…

Já parou para pensar sobre o que fazia de Davi alguém fora do comum? Ele simplesmente era quem era e isso era natural para ele. Pode parecer redundante e ridiculamente simples, mas esse é o ponto: Davizinho tinha uma identidade e não queria ser quem não era. Existe algo incrível em aceitar a própria identidade e história. Há um mistério sobre isso que só você mesmo pode desvendar em Deus. Trata-se de quem você é na sua essência e como Deus se move através da história que desenhou para você.

Davi era sincero e fazia suas canções para Deus de coração. Era corajoso diante das adversidades, mas na presença de Deus ele revelava toda a sua fragilidade. Creio que isso atrai o coração de Deus. Ser alguém que diz o que quer dizer e sabe que depende do Todo Poderoso.

Um episódio em especial sobre a vida de Davi é o confronto entre ele e Golias. Saul oferece a sua armadura, mas Davi vê que não serve e decide não usar. Davi entende o próprio tamanho e enxerga que o método de Saul não é o dele. E de forma inusitada, mas eficaz, ele derrota Golias.

Trazendo isso para a realidade: a sua trajetória tem importância dentro daquilo que você foi chamado para ser; é o caminho que leva para o destino. Você carrega a história dos seus pais com você. Eles sofreram para que você fosse quem é. E isso é real no mundo espiritual. Um preço foi pago para que você pudesse usufruir da própria identidade. Deus age como um “compensador dos sofrimentos”, certamente os seus pais geraram uma herança espiritual que você pode não compreender imediatamente, mas ela é real. Você só precisa aceitar o que herdou e não ficar olhando para os outros para medir a sua existência. Existe algo de Deus sobre a sua vida!

Outro ponto importante sobre Davi foi a inimizade com Saul, que forjou o seu interior. A oposição de Saul era como uma pressão constante que o transformava em um homem melhor e mais dependente de Deus. O inimigo, como bom antagonista, sempre apontava para as suas fraquezas, fazendo com que Davi tivesse que consertar suas falhas. Olhando dessa perspectiva, é como se Saul fosse seu melhor amigo, seu maior aliado.

Eu escrevo isso porque Deus tem transformado o meu coração. Tem feito enxergar melhor a minha identidade e a maneira que Ele se move através de mim. Deus me fez enxergar as coisas incríveis que Ele gerou em mim, mas já houve um tempo em que eu não via com essas lentes cor de rosa. Até o que eu achava que estava me “matando” era o que mais estava me fazendo bem. Oposições que eu sofria que resultaram em grandes resultados porque eu decidi aceitar o que Deus queria fazer em mim, e Ele só queria me fazer melhor.

Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. – Romanos 8:28

Soli Deo gloria

A festa celebra o nascimento de João Batista, que virou um dos santos católicos. É realizada no dia 24 de junho com base no fato que João Batista havia nascido seis meses antes de Jesus (Lc 1:26,36). Se o nascimento de Jesus (Natal) é celebrado em 25 de dezembro, então o de João Batista é celebrado seis meses antes, em 24 de junho. É claro que estas datas são convenções, apenas, pois não sabemos ao certo a data do nascimento do Senhor.

A origem das fogueiras nas celebrações deste dia é obscura. Parece que vem do costume pagão de adorar seus deuses com fogueiras. Os druidas britânicos, segundo consta, adoravam Baal com fogos de artifício. Depois a Igreja Católica inventou a história que Isabel acendeu uma fogueira para avisar Maria que João tinha nascido. Outra lenda é que na comemoração deste dia, fogueiras espontâneas surgiram no alto dos montes.

Já a quadrilha tem origem francesa, sendo uma dança da elite daquele país, que só prosperou no Brasil rural. Daí a ligação com as roupas caipiras. Por motivos obscuros acabou fazendo parte das festividades de São João.

Fazem parte ainda das celebrações no Brasil (é bom lembrar que estas festas também são celebradas em alguns países da Europa) as comidas de milho – provavelmente associadas com a quadrilha que vem do interior – as famosas balas de “Cosme e Damião.” São realizadas missas e procissões, muitas rezas e pedidos feitos a São João. As comidas são oferecidas a ele.

Se estas festividades tivessem somente um caráter religioso e fossem celebradas dentro das igrejas como se fossem parte das atividades dos católicos, não haveria qualquer dúvida quanto à pergunta, “pode um evangélico participar?” Acontece que as festas juninas foram absorvidas em grande parte pela cultura brasileira de maneira que em muitos lugares já perdeu o caráter de festa religiosa. Para muitos, é apenas uma festa onde acendem-se fogueiras, come-se milho preparado de diferentes maneiras e soltam-se fogos de artifício, sem menção do santo, e sem orações ou rezas feitas a ele.

Paulo enfrentou um caso semelhante na igreja de Corinto. Havia festivais pagãos oferecidos aos deuses nos templos da cidade. Eram os crentes livres para participar e comer carne que havia sido oferecida aos ídolos? A resposta de Paulo foi tríplice:

O crente não deveria ir ao templo pagão para estas festas e ali comer carne, pois isto configuraria culto e portanto, idolatria (1Cor 10:19-23). Na mesma linha, eu creio que os crentes não devem ir às igrejas católicas ou a qualquer outro lugar onde haverá oração, rezas, missas e invocação do São João, pois isto implicaria em culto idólatra e falso.

O crente poderia aceitar o convite de um amigo pagão e comer carne na casa dele, mesmo com o risco de que esta carne tivesse sido oferecida aos ídolos. Se, todavia, houvesse alguém presente ali que se escandalizasse, o crente não deveria comer (1Cor 10:27-31). Fazendo uma aplicação para nosso caso, se convidado para ir a casa de um amigo católico neste dia para comer milho, etc., ele poderia ir, desde que não houvesse atos religiosos e desde que ninguém ali ficasse escandalizado.

E por fim, Paulo diz que o crente pode comer de tudo que se vende no mercado sem perguntar nada. A exceção é causar escândalo (1Cor 10:25-26). Aplicando para nosso caso, não vejo problema em o crente comer milho, pamonha, mungunzá, etc. neste dia e estar presente em festas juninas onde não há qualquer vínculo religioso, desde que não vá provocar escândalos e controvérsias. Se Paulo permitiu que os crentes comessem carne que possivelmente vieram dos templos pagãos para os açougues, desde que não fosse em ambiente de culto, creio que podemos fazer o mesmo, ressalvado o amor que nos levaria à abstinência em favor dos que se escandalizariam.

O Culto Espiritual, Augustus Nicodemus Lopes. Cultura Cristã, 2012:

“A situação de Corinto era diferente. O problema lá não era o mesmo tratado no concílio de Jerusalém. O problema não era os escrúpulos de judeus cristãos ofendidos pela atitude liberal de crentes gentios quanto à comida oferecida aos ídolos. Portanto, a solução de Jerusalém não servia para Corinto. É provavelmente por esse motivo que o apóstolo não invoca o decreto de Jerusalém.[1] Antes, procura responder às questões que preocupavam os coríntios de acordo com o princípio fundamental de que só há um Deus vivo e verdadeiro, o qual fez todas as coisas; que o ídolo nada é nesse mundo; e que fora do ambiente do culto pagão, somos livres para comer até mesmo coisas que ali foram sacrificadas.

1. A primeira pergunta dos coríntios havia sido: era lícito participar de um festival religioso num templo pagão e ali comer a carne dos animais sacrificados aos deuses? Não, responde Paulo. Isso significaria participar diretamente no culto aos demônios onde o animal foi sacrificado (1 Co 10.16-24). Paulo havia dito que os deuses dos pagãos eram imaginários (1 Co 10.19). Por outro lado, ele afirma que aquilo que é sacrificado nos altares pagãos é oferecido, na verdade, aos demônios e não a Deus (10.20). Paulo não está dizendo que os gentios conscientemente ofereciam seus sacrifícios aos demônios. Obviamente, eles pensavam que estavam servindo aos deuses, e nunca a espíritos malignos e impuros. Entretanto, ao fim das contas, seu culto era culto aos demônios.[2] Paulo está aqui refletindo o ensino bíblico do Antigo Testamento quanto ao culto dos gentios:

Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus… (Dt 32.17)

…pois imolaram seus filhos e suas filhas aos demônios (Sl 106.37).

O princípio fundamental é que o homem não regenerado, ao quebrar as leis de Deus, mesmo não tendo a intenção de servir a Satanás, acaba obedecendo ao adversário de Deus e fazendo sua vontade. Satanás é o príncipe desse mundo. Portanto, cada pecado é um tributo em sua honra. Ao recusar-se a adorar ao único Deus verdadeiro (cf. Rm 1.18-25), o homem acaba por curvar-se diante de Satanás e de seus anjos.[3] Para Paulo, participar nos festivais pagãos acabava por ser um culto aos demônios. Por esse motivo, responde que um cristão não deveria comer carne no templo do ídolo. Isso eqüivaleria a participar da mesa dos demônios, o que provocaria ciúmes e zelo da parte de Deus (1 Co 10.21-22). Paulo deseja deixar claro para os coríntios “fortes”, que não tinham qualquer intenção de manter comunhão com os demônios, que era a atitude deles em participar nos festivais do templo que contava ao final. Era a força do ato em si que acabaria por estabelecer comunhão com os demônios.[4]

2. Era lícito comer carne comprada no mercado público? Sim, responde Paulo. Compre e coma, sem nada perguntar (1 Co 10.25). A carne já não está no ambiente de culto pagão. Não mantém nenhuma relação especial com os demônios, depois que saiu de lá. Está “limpa” e pode ser consumida.

3. Era lícito comer carne na casa de um amigo idólatra? Sim e não, responde Paulo. Sim, caso não haja, entre os convidados, algum crente “fraco” que alerte sobre a procedência da carne (1 Co 10.27). Não, quando isso ocorrer (1 Co 10.28-30).

O ponto que desejo destacar é que para o apóstolo Paulo a carne que havia sido sacrificada aos demônios no templo pagão perdia a “contaminação espiritual” depois que saia do ambiente de culto. Era carne, como qualquer outra. É verdade que ele condenou a atitude dos “fortes” que estavam comendo, no próprio templo, a carne sacrificada aos demônios. Mas isso foi porque comer a carne ali era parte do culto prestado aos demônios, assim como comer o pão e beber o vinho na Ceia é parte de nosso culto a Deus. Uma vez encerrado o culto, o pão é pão e o vinho é vinho. Aliás, continuaram a ser pão e vinho, antes, durante e depois. A mesma coisa ocorre com as carnes de animais oferecidas aos ídolos. E o que é verdade acerca da carne, é também verdade acerca de fetiches, roupas, amuletos, estátuas e objetos consagrados aos deuses pagãos. Como disse Calvino,

Alguma dúvida pode surgir se as criaturas de Deus se tornam impuras ao serem usadas pelos incrédulos em sacrifícios. Paulo nega tal conceito, porque o senhorio e possessão de toda terra permanecem nas mãos de Deus. Mas, pelo seu poder, o Senhor sustenta as coisas que tem em suas mãos, e, por causa disto, ele as santifica. Por isso, tudo que os filhos de Deus usam é limpo, visto que o tomam das mãos de Deus, e de nenhuma outra fonte.[5]”

_______________________________
Notas:

Autor: Augustus Nicodemus
[1] Note que Paulo não teve qualquer problema em anunciar o decreto em Antioquia, o que produziu muito conforto entre os irmãos (At 15.30-31).
[2] Não somente Paulo, mas os cristãos em geral tinham esse conceito. João escreveu: “Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras das suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar” (Ap 9.20).
[3] Cf. Charles Hodge, A Commentary on 1 & 2 Corinthians (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1857; reimpressão 1978) 193.
[4] Hodge (1 & 2 Corinthians, 194) chama a nossa atenção para o fato de que o mesmo princípio se aplica hoje aos missionários que, por força da “contextualização”, acabam por participar nos festivais pagãos dos povos. Semelhantemente, os protestantes que participam da Missa católica, mesmo não tendo intenção de adorar a hóstia, acabam cometendo esse pecado, ao se curvar diante dela.
[5] João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, em Comentário à Sagrada Escritura, trad. Valter G. Martins (São Paulo: Paracletos, 1996) 320.

É no mínimo uma incoerência intelectual sustentar um discurso como esse no cotidiano da vida. O ser humano atualmente não pode mais ser contestado ou corrigido, a razão para isso é o fato de que temos de amar ao invés de julgar. Diante disso, a pergunta que fica no ar é a seguinte: não existe amor em meio à correção? Discernir, julgar, tomar decisões, escolher entre um caminho e outro, uma opção e outra, corrigir, retomar, rejeitar, são atitudes inerentes à vida, fazem parte do desafio de existir desde quando o mundo é mundo. Estão querendo, então, pintar uma realidade em que o discernimento entre o bom e o ruim, o justo e o injusto, é algo dispensável e desprezível? Estão querendo que rasguemos nosso senso crítico como uma folha de papel rascunho e o atiremos na lata do lixo? Como assim? Negar isso é privar o ser humano da construção sadia da sua própria personalidade e de seus próprios valores, negar esse processo crítico inerente ao ser humano e todas as suas implicações seria o cúmulo da relativização. Se formos privados do direito e, por que não, do dever de julgar, cairemos num completo suicídio existencial, pense comigo, como poderiam se sustentar as relações e a convivência humana diante de tal quadro?

Temos fortes sinais deste tipo de pensamento, que é chamado de liberalismo moral, já presentes no seio da sociedade atual. Impunidade escancarada, multiculturalismo em prol do “bem comum”, relativização de inúmeros valores inegociáveis pela sociedade até então, flerte, pelo menos no ocidente, com a legalização de práticas como o aborto, zoofilia, pedofilia, canibalismo, e a máxima “o corpo é meu faço dele o que eu quiser” proclamada aos quatro cantos, gostem ou não. Tudo em nome da liberdade e da autonomia do ser humano. A mentira da vez é que o ser humano é livre, mesmo sendo claramente, escravo de suas próprias vontades, por mais bizarras que elas sejam. Não existe mais errado, tudo é relativo, cada um constrói a sua verdade e ninguém mais julga ninguém. Pergunta honesta: qual pessoa com o mínimo de senso crítico realmente acredita num discurso como esse? Então, quer dizer que todas estas pessoas que exigem que se pare com julgamentos também não julgam mais nada e ninguém? Isso não faz sentido! Estamos sendo imbecilizados, estão querendo impor sobre nós um consciente coletivo onde todo mundo deve pensar dentro de uma determinada caixa que abrange certas ideologias e aquele que não o fizer, automaticamente é considerado fundamentalista, retrógrado, mente fechada, ridículo, burro, ignorante, ditador e por aí vai. Querem nos tirar a capacidade de entender e discernir a realidade até o ponto que nos transformemos em seres de pensamento acrítico.

Deixar de exercer juízo sobre as pessoas e seus comportamentos em sociedade é escancarar as portas para que em pouquíssimo tempo coisas que hoje, ainda, são absolutos inquestionáveis tornem-se questionáveis, combatidos e vencidos. Imagine dentro de poucos anos, pedófilos com aval da sociedade para agirem livremente, como já tem sido amplamente discutido em países como Estados Unidos e Inglaterra. Ou então que o canibalismo seja legalizado mediante consenso mútuo dos envolvidos. O que você pensaria? Ah não! Vamos com calma, não podemos julgar! Percebem onde isso pode parar? Se o ser humano excluiu Deus de sua agenda e trabalha numa velocidade cada vez maior para extinguir todos os valores judaico-cristãos extraídos da Escritura Sagrada que ajudaram a construir toda a moral e ética do ocidente, o que vai nos restar? Qual balança iremos usar? A qual absoluto iremos recorrer? Gente, se cada um tem a sua verdade, pensa o que quer, faz o que quer, se não existe absoluto moral algum porque ninguém pode julgar ninguém em nome do amor, quem poderá falar com propriedade sobre o que é certo ou errado? Não existe autoridade. A alegação de um pedófilo será, por exemplo, que se envolver sexualmente com uma criança é uma forma que ele tem de demonstrar amor por ela. Se tudo é relativo e cada um tem sua verdade, quem, legitimamente, poderá contestar o argumento deste homem? Conseguem compreender que se aprofundarmos um pouco mais as implicações desse discurso politicamente correto no cotidiano da vida podemos estar comprometendo a nossa ordem como humanidade? Onde vamos parar?

Obviamente, esse texto não tem por objetivo esgotar a discussão, mas o argumento que o ser humano é autônomo e pode fazer o que quiser, contanto que não desrespeite a existência do outro é perigosíssimo. O ser humano não é autônomo, antes, é formado por inúmeros fatores que o afetam desde criança; família, ambientes, crenças, sejam religiosas ou não, atividades, criação, escolaridade, tudo isso compõe uma gama enorme de influências sobre a mente de um indivíduo. O ser humano não pode conceber sua existência como uma ilha, esse argumento é falho, fomos criados para viver em comunidade, tudo que fizermos reverberará direta ou indiretamente no nosso próximo. Amigos, o que seria do “eu” sem o “tu”? Em última instância, não estaríamos nem aqui, não haveria raça humana. O indivíduo achar que aquilo que ele faz, seja de bom ou de ruim, repercute apenas e exclusivamente nele mesmo é, no mínimo, inocência.

Por tudo isso, o exercício do discernimento e do julgamento tão combatido atualmente, é e sempre foi fundamental para o bom andamento da convivência e da ordem das coisas. No entanto, a ideia aplaudida e reverenciada nos dias atuais é o franco combate ao ato de se julgar, esta ideia, na grande maioria das vezes, tem sido fundamentada erradamente sobre os ensinos de Cristo registrados na Escritura Sagrada, e a este ponto gostaria de me dedicar neste momento. Vejamos o principal texto utilizado para sustentar essa posição:

Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus. Porque Deus julgará vocês do mesmo modo que vocês julgarem os outros e usará com vocês a mesma medida que vocês usarem para medir os outros. Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão. (Mt 7.1-5 NTLH)

Claro que a prática de se julgar indiscriminada e levianamente é combatida de forma contundente por Cristo! Isso é óbvio! Nós como seres humanos falhos, temos de nos policiar em todo o tempo, pois, para nós é natural criticar e denegrir o outro com muito mais facilidade do que a nós mesmos. Esse posicionamento é desprezível e aquele que age assim é chamado pelo próprio Cristo de “hipócrita”. O julgamento hipócrita é feito por aqueles que não têm autoridade alguma para julgar o assunto que estiver em questão. O ensinamento de Cristo nesse caso é “tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão”. Notem que ele diz “tire a trave do olho para que, então, esteja apto para tirar o cisco do olho do seu irmão”. Jesus não condena o ato de tirar o cisco do olho do irmão, e sim, a atitude hipócrita, desprovida de amor, de condenar alguém sem que tenhamos autoridade alguma para fazê-lo.

O julgamento cristão nunca deve ser desprovido de compaixão e amor por aquele que está sendo julgado. O próprio Deus “corrige a quem ele ama e castiga a quem ele aceita como filho” (Hb 12.6-7). Dizer que Jesus condena todo e qualquer julgamento é infantilidade mimada de quem busca um espaço inexistente nos ensinos bíblicos para avalizar suas práticas erradas. O próprio Cristo combate a postura infantil dos judeus de sua época e ordena: “julguem segundo a reta justiça”, leiam João 7 e tirem suas próprias conclusões. O mesmo Jesus que diz “não julgueis”, agora diz “julgai segundo a reta justiça”? Está Cristo se contradizendo ou somos nós que não estamos o entendendo? Fico com a última resposta. Basta uma busca honesta e corajosa pela Escritura e veremos que somos ordenados a combater falsos mestres, falsos ensinos, dominar, administrar e sujeitar a terra como bons mordomos, trata-se de uma tarefa grandiosa e para cumprimos estas coisas julgar é e sempre será imprescindível.

Com esse discurso politicamente correto de “não julgueis” estamos barateando o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário, como se todo seu sofrimento e morte fossem o passe-livre que precisávamos para viver uma vida promíscua e despreocupada com a santidade. As vezes tenho a impressão que em certas ocasiões a expressão “não julgueis” significa muito mais um “deixe-me pecar em paz” do que qualquer outra coisa. Sinceramente, esse pensamento me assusta. Todo o plano de Deus não é e nunca foi sacrificar o seu Filho para que o homem pudesse ficar livre e tranquilo para praticar seus pecados sentido-se perdoado, não! Deus penalizou-se a si mesmo, matando seu Filho amado, para que pudéssemos, enfim, nos livrar do jugo do pecado! Por mais formoso que possa parecer aos nossos olhos, o pecado é mau e nos afasta de Deus. Parece que estamos tentando arrumar uma desculpa para trilhar exatamente o caminho oposto. O ser humano é pecador e vai cair, sim! Vai pecar, sim! E justamente nesta hora temos de ser ainda mais amorosos e gentis com aquele que cai, estendo-lhe mãos de socorro, perdão e correção. No entanto, não é porque temos de ser amorosos, que faremos vistas grossas e seremos condescendentes com o erro. Se você quer saber o quanto o pecado é detestável para Deus, olhe para a cruz, veja o que Ele fez Cristo, seu Único Filho, padecer por causa do seu e do meu pecado! Se você quer saber o quanto Deus ama o ser humano e quer que ele se livre do salário do pecado, olhe para cruz! A cruz é o cenário mais estonteante da história!

Muitos pregam o maravilhoso evangelho do “eu também não a condeno” de João 8.11, mas, se esquecem de pregar o não menos maravilhoso evangelho do “agora vá e abandone sua vida de pecado” do mesmo João 8.11. É preciso entender que esta segunda afirmação também é carregada de amor, bondade e cuidado de Deus. Cristo só pôde dizer àquela mulher “eu também não a condeno” porque sabia que muito em breve ele padeceria horrores numa cruz em pagamento dos pecados dela, alguém teria de pagar aquela conta. O Filho de Deus ofereceu sacrifício alto demais para que vivamos conformados à lama do pecado. É importante refletir que na grande maioria das vezes crescemos e aprendemos muito mais com as dificuldades e tempestades da vida do que com os momentos de bonança. Correção é dádiva! Seguir a Cristo implica em constante luta contra nossa natureza pecaminosa. Foi sempre assim, o apóstolo Paulo já dizia aos coríntios: “esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado”. Vejo muita gente falando por aí que Deus é amor, mas quase ninguém dizendo com a mesma ênfase que Ele também é santo, do mesmo jeito e na mesma essência. Permitam-me uma ousadia teológica, se fôssemos examinar ao longo de toda Escritura, o único atributo de Deus que é repetido três vezes é o atributo de sua santidade. Em nenhum lugar vemos Deus sendo chamado de justo, justo, justo, ou, amor, amor, amor. Servimos a um Deus que é Santo, Santo, Santo e seu amor não existe e nunca existiu em detrimento de sua santidade. Portanto, por mais dolorido que seja, que nos alegremos nos momentos em que formos julgados “segundo a reta justiça”, este será sempre um grande sinal de que Deus nos ama e quer o melhor para nós. Que combatamos sim, em nosso meio, a prática leviana do julgamento hipócrita, desprovido de amor que não aponta para glória de Deus e para recuperação do próximo, tal comportamento deve ser banido do nosso coração e da nossa prática. Mas, que também nos posicionemos de modo a trazer maior lucidez e coragem para este tema que tem sido grosseiramente manipulado em detrimento de interesses que não atendem em absoluto a agenda do Reino de Deus. Que não transformemos o evangelho do Cristo Bendito em uma ideologia barata, ou numa espiritualidade a la carte onde cada um se serve daquilo que bem entende e julga ser correto e mais confortável para si.

Aliás, já perceberam que todos nós julgamos todo mundo e todas as coisas o tempo todo, e exigir que alguém pare de julgar é uma contradição lógica e ao mesmo tempo uma hipocrisia? Que tenhamos maior profundidade, coragem e maturidade em encarar as questões sérias que compõem a nossa realidade, sempre em amor, para glória de Deus e zelosos pelo próximo. As vezes é bem difícil, mas nunca foi tão necessário.

Soli Deo gloria

Até pouco tempo, ser “evangélico” indicava vagamente aqueles protestantes de todas as denominaçoes – presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos, luteranos e pentecostais, entre outros – que detinham pelo menos três características: consideravam a Bíblia como Palavra de Deus, autoritativa e infalível; eram conservadores no culto e nos padrões morais; cultivavam uma visão missionaria. Hoje, no Brasil, o termo não abrange mais tais itens, mas tem sido usado para se referir a todos os que, no âmbito do cristianismo. não são católicos romanos: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, igrejas emergentes, comunidades dos mais variados tipos etc. Os evangélicos tem tido dificuldade para escolher uma única palavra que os defina, já que “evangélico” praticamente perdeu seu sentido original. Quando, para nos identificarmos, precisarmos pedir licença para tecer longas explicações e depois temos de lançar mão de três ou quatro atributos. isto é sinal de que a coisa está realmente feia.

Quando me converti ao cristianismo, era em uma igreja pentecostal que tem na sua história uma tentativa de romper com o legalismo, lembro-me que quando fui a igreja pela primeira vez fiquei impactado pelo amor e a forma diferente dos irmãos daquela igreja, aos poucos fui conhecendo a igreja e seus costumes, observei que nem tudo era liberado aos membros daquela igreja.

Contudo, a igreja parecia realmente viver aquilo que seu pastor presidente escrevera em seu livro,-É proibido, do pastor Ricardo Gondim -. Ainda hoje muitas igrejas tem tentado tirar o rótulo de legalista, mas ao tentar fugir do legalismo tem caído em uma perigosa armadilha, a falta de disciplina, o que tem levado igrejas a um liberalismo sem precedentes, alias, foi por isso que o ministério o qual conheci a Cristo fracassou no Ceará.

É evidente a crise gigantesca em que os evangélicos se encontram: indefinição quanto aos rumos teológicos. multiplicidade de teologias divergentes. falta de liderança com autoridade moral e espiritual. derrocada doutrinaria e moral de lideres que um dia foram reconhecidos como referenda, ascensão de lideres totalitários que se autodenominam pastores, bispos e apóstolos, conquista gradual das escotas de teologia pelo liberalismo teológico, ausência de padrões morais que pautem ao menos a disciplina eclesiástica, depravação da doutrina.

Como resultado. cada vez mais pessoas procuraram igrejas para se sentirem bem, para buscarem solução imediata de seus problemas. Sem sequer refletir nas questões mais profundas acerca da existência e da eternidade. migrando de uma comunidade para outra sem qualquer compromisso ou engajamento com a vida crista.

O que aconteceu para que 0 evangelicalismo brasileiro? Entendo que a Reforma, com sua teologia e pratica. nunca chegou plenamente a nosso pais. Como declarou alguém: “Somos evangélicos moldados por uma argamassa meio católica, melo espirita e pouco ou quase nada reformada”.

Na fuga quase que desesperada para fugir do legalismo criamos ou permitimos que a disciplina fosse frouxa ou em alguns casos nem houvesse, aos poucos, enfraqueceu-se a aderência aos pontos fundamentais, com o objetivo de alargar a base de “comunhão” com outras linhas dentro da cristandade. Com a progressiva redução do que era básico, e com a “desculpa” de fazer-se “loucos” para ganhar os loucos, nos perdemos e nós é que estamos loucos.

A igreja pentecostal vem sofrendo uma mutação, da teologia Armínio/Wesleyana tem passado ser caracterizada pela teologia pelagiana e semi-pelagiana, tal mutação acarreta várias consequências, como: neopentecostalíssimo, uma espiritualidade mística empírica, uma doutrina pragmática e centrada no homem, e por fim, a perda da cosmo visão bíblica. O que se vê hoje, é uma igreja evangélica limitada a ações isoladas e fragmentadas na área social e politica, muitas vezes sem conexão alguma com a visão crista de mundo.

A frouxidão doutrinária e teológica e a escassez de disciplina tem nos conduzidos a uma vida meramente religiosa, mas sem relacionamento íntimo com Deus, somos os novos “católicos”, buscamos avivamento mas não temos santidade, sem qual ninguém verá a Deus.

Hoje ouço muito falar em AVIVAMENTO ESPIRITUAL nos púlpitos ,mas quase não ouvimos falar em SANTIDADE, precisamos compreender de uma vez por todas, SEM SANTIDADE não haverá AVIVAMENTO.

A disciplina eclesiástica está em risco de extinção. Desde que o pós-modernismo encontrou lugar em nossas igrejas, qualquer conceito que ameace o individualismo e seu estilo de vida, logo é taxado de arcaico. Volto a afirmar que muitos dos que se denominam cristão, acreditam que santidade é apenas um comportamento interno da igreja e em nada tem haver com o procedimento secular dos membros. O medo da impopularidade tem levado muitos crentes a serem complacentes com o pecado e tem tentado inutilmente justificar certos atos como comum a natureza humana e que a bíblia e a igreja não devem interferir. Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometem injustiças e causam mais males do que bens?

Em todo esse contexto, a disciplina tem vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda. Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina?

Biblicamente a disciplina na igreja tem um triplo objetivo:

  1. Reestabelecer o pecador (MT 18:15; 1CO 5:5; GL 6:1)
  2. Manter a pureza da igreja (1CO 5:6-8)
  3. Dissuadir outro (1TM 5:20)