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Em defesa do cristianismo

Nas últimas décadas, tem se tornado comum no mundo ocidental “malhar” o cristianismo. Intelectuais, acadêmicos, escritores e articulistas de renome costumam se referir à fé cristã de forma desairosa e depreciativa. Infelizmente, com freqüência muitos críticos estão dentro das fileiras do próprio cristianismo. É considerado politicamente incorreto falar mal de outras religiões, como o islamismo, o budismo e o hinduísmo, que estão muito em voga na Europa e nas Américas, mas não se vê nenhum problema em condenar o movimento cristão. Alguns pensadores ateus, autores de livros campeões de vendas, têm defendido explicitamente a extinção pura e simples do cristianismo. Segundo afirmam, seria desejável que todas as religiões deixassem de existir, mas na realidade eles têm em mente antes de tudo a fé cristã, a tradição religiosa predominante no Ocidente.

Além de preconceituosa, essa atitude é profundamente injusta do ponto de vista histórico. Os próprios cristãos reconhecem que sua trajetória ao longo dos séculos não está isenta de dolorosos problemas. As cruzadas, o anti-semitismo, a Inquisição, as guerras religiosas e a escravidão nas Américas são manchas tristes na experiência da igreja, falhas que os cristãos conscienciosos lamentam profundamente. É preciso lembrar esses fatos continuamente para que eles não voltem a se repetir. Todavia, as contribuições e os benefícios que o cristianismo legou ao mundo são muito mais marcantes e numerosos que os seus erros, como o estudo desapaixonado da história demonstra de maneira conclusiva. Alguns desses benefícios não foram generalizados nem contínuos, tendo ocorrido mais em algumas épocas e lugares do que em outras.

A influência histórica
O cristianismo é a principal tradição cultural do mundo ocidental, o mais importante fator na formação histórica da Europa e das Américas. Assim sendo, a influência cristã permeia todos os aspectos da vida desses continentes e suas nações. Caso prevalecesse a tese dos autores que defendem a extinção do cristianismo, por uma questão de coerência vastas mudanças teriam de ser feitas na vida social desses povos. Por exemplo, o calendário teria de ser trocado por outro — a semana de sete dias, os termos “sábado” e “domingo” (“dia do Senhor”) e a contagem dos anos (como 2008) não mais fariam sentido, porque todos têm origem cristã ou judaico-cristã. Algumas das celebrações e festividades mais apreciadas pelas pessoas (Natal, Páscoa, Dia de Ação de Graças) teriam de ser eliminadas. Milhões de pessoas teriam de mudar seus nomes de origem cristã, inclusive muitos ateus. O mesmo aconteceria com um imenso número de designações de cidades, logradouros e pontos geográficos. Os idiomas, a música, o folclore, as tradições e outros elementos seriam profundamente afetados.

Mas existem questões mais importantes. Olhando-se para a história antiga e recente, percebe-se o enorme impacto humanizador e civilizador do cristianismo. Desde o início da era cristã, houve uma grande preocupação com a dignidade da vida humana, que se traduziu no combate a práticas degradantes como o aborto, o infanticídio e as lutas de gladiadores. O cristianismo valorizou a criança, a mulher, o idoso, o casamento e a vida familiar. Embora no início os cristãos tenham mantido a escravidão que existia no Império Romano, a fé cristã continha valores que levaram à gradual extinção desse mal. Tem sido imenso, ao longo do tempo, o esforço dos cristãos em socorrer os pobres, doentes e desamparados de toda espécie, através de um sem-número de iniciativas e instituições humanitárias. Até hoje, tanto em tribos indígenas e populações carentes como entre povos adiantados, a contribuição cristã nessas áreas se faz notar de modo saliente.

O legado cultural
Sem desprezar as magníficas contribuições das antigas civilizações grega e romana, foi principalmente o cristianismo que moldou a vida dos povos ocidentais como os conhecemos hoje, além de exercer grande influência positiva na África e na Ásia. À medida que a fé cristã se expandia, ela elevou o padrão de vida dos povos que deram origem às nações européias. A contribuição cristã na área da educação tem sido das mais destacadas. Durante séculos, as únicas escolas que existiam estavam ligadas à igreja. Muitos povos, ao serem evangelizados, receberam simultaneamente a escrita e a alfabetização, como ocorreu entre os eslavos, na Europa oriental, e em muitas nações africanas. A Bíblia, traduzida para as línguas desses povos, se tornou importante nesse processo. As primeiras universidades (Paris, Bolonha, Oxford) e muitas outras surgidas mais tarde (Harvard, Yale, Princeton etc.) foram criadas por cristãos.

O cristianismo deu uma contribuição inigualável em outras áreas significativas, notadamente em séculos recentes. Alguns exemplos no âmbito político são o governo representativo, a separação dos poderes, a expansão da democracia e a ampliação dos direitos e liberdades civis. As convicções cristãs permitiram a ascensão econômica do homem comum, gerando prosperidade para famílias e povos. Outra área de atuação foi a ciência, não só pelo fato de que a maior parte dos cientistas ao longo da história têm sido cristãos, mas de que o cristianismo, com sua visão de um mundo ordenado e sujeito a leis fixas, porque criado por Deus, possibilitou o próprio surgimento da ciência. E que dizer das contribuições nos campos da literatura e da arte? Se não fosse o cristianismo, não teríamos obras como as “Confissões”, de Agostinho, a “Divina Comédia”, de Dante, o “Paraíso Perdido”, de Milton, e tantas outras. Não contemplaríamos as magníficas catedrais góticas, a Capela Sistina, bem como as esculturas e pinturas de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rembrandt e outros mais. Não poderíamos ouvir “O Messias” de Haendel nem as inspiradoras composições de Johann Sebastian Bach.

Valores religiosos e éticos
Os legados mais valiosos do cristianismo ao mundo são a vida e os ensinos de seu fundador, registrados no Livro dos Livros. Jesus Cristo, o carpinteiro de Nazaré que os cristãos consideram o próprio Filho de Deus encarnado, proferiu algumas das palavras mais belas, sublimes e cativantes que se conhecem na história humana. Ele falou das coisas transcendentes e eternas de modo simples e acessível a qualquer indivíduo. Os valores que ensinou, como o amor, a compaixão, o altruísmo, a integridade, a veracidade e a justiça, têm trazido benefícios incalculáveis ao mundo. Todavia, ele não se limitou às palavras e conceitos, mas exemplificou em suas ações as verdades que buscava transmitir. Por fim, deu sua vida na cruz para cumprir cabalmente a missão de que estava incumbido. Desde então, seu ensino e exemplo têm inspirado e transformado milhões de pessoas em todos os recantos do mundo, além de ter induzido mudanças radicais nos mais diferentes aspectos da sociedade.

Sem Cristo e seu grandioso legado, o mundo certamente seria um lugar muito mais sombrio, triste e desesperançado. Essa é a tese de D. James Kennedy em seu livro “E se Jesus não Tivesse Nascido?” (Editora Vida, 2003). Não se pode negar que muitos não-cristãos têm dado contribuições relevantes à sociedade. Os cristãos não têm dificuldade com isso, porque entendem que Deus atua em toda a criação e que sua imagem, ainda que desfigurada, está presente em todos os seres humanos. Todavia, as alternativas de um mundo sem fé e sem cristianismo podem se tornar aterrorizantes. Basta lembrar que os homens mais cruéis, desumanos e sanguinários do século 20 — indivíduos como Josef Stálin, Adolf Hitler, Mao Tsé Tung e Pol Pot — além de não serem cristãos, eram inimigos do cristianismo. Mesmo sem apelar para casos extremos como esses, está claro que o crescente secularismo que avassala o mundo, com sua relativização do significado e da importância da vida, representa uma grande ameaça para o futuro da humanidade.

Conclusão
Depois de afirmar todas essas realidades em defesa do cristianismo, destacando os elementos construtivos de sua herança milenar, é preciso acrescentar que os cristãos não têm motivos para se entregar ao ufanismo triunfalista. O cenário cristão contemporâneo tem dificuldades que deveriam produzir em seus fiéis um forte senso de humildade e contrição. As rivalidades, incoerências, mediocridades, extremismos e outras distorções existentes em muitas igrejas e grupos cristãos são amiúde as causas da atitude beligerante mencionada no início deste artigo. Daí a necessidade de se fazer uma distinção entre as estruturas de poder, as instituições humanas, a religiosidade meramente nominal e cultural, e o cristianismo genuíno ensinado por Cristo e seus apóstolos, exemplificado pelos elementos positivos da trajetória cristã. Somente se os cristãos retornarem continuamente aos fundamentos de sua fé, eles poderão continuar a proporcionar ao mundo e à sociedade os mesmos benefícios oferecidos por seus antecessores.


Autor: Alderi Souza de Matos, doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e “Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil”.

Pragmatismo religioso

“Sabe, porém isto: Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis; pois os homens serão egoístas, avarentos jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, antes amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade. E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; eles, todavia, não irão avante: porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles” (II Tim. 3:1-9).

A Inglaterra, que uma vez já foi conhecida pela sua vitalidade espiritual, agora está mergulhada numa letargia espiritual e a visão missionária dos Estados Unidos está substituindo aquilo que a Inglaterra deixou de lado. Além disso, muita coisa do que Deus está fazendo hoje está acontecendo fora desses dois países. Eu espero que a Igreja no Brasil esteja em constante oração para que, a partir do Brasil, uma outra reforma e um grande despertamento venha e tome conta do mundo.

Não sabemos o que Deus vai fazer no mundo, mas seria muito emocionante se pudéssemos fazer parte daquilo que Ele deseja fazer no Brasil. É maravilhoso ser um cristão e saber que Deus tem todas as coisas debaixo do Seu controle. Todos nós sabemos da necessidade de um grande avivamento, mas ao mesmo tempo existe uma grande polêmica nesses dias sobre a questão. Sem sombra de dúvidas, se convidássemos as pessoas para uma reunião de avivamento, muitas delas viriam com conceitos diferentes do que é avivamento. Assim sendo, faz-se necessário ter uma definição clara em nossa mente do significado desse termo. Qual a diferença entre avivamento e avivalismo, se assim podemos chamar?

Avivalismo e Pragmatismo

Avivalismo, especialmente na tradição deixada por Charles Finney, é, na realidade, um fenômeno americano e queremos tratar de parte desse fenômeno. Não somente porque é um produto feito na América, mas porque muitos dos movimentos que estão vindo dos Estados Unidos para outras partes do mundo têm essa visão característica de entender avivamento segundo o modelo de Charles Finney.

Esse modelo tem como base o que nós chamamos de pragmatismo. Se você for abrir um negócio você tem que ser pragmático e se você vai criar uma família, existe uma série de considerações práticas que você precisa sempre ter em mente; e, certamente, o mesmo se aplica quando nós estamos fundando uma Igreja e queremos desenvolvê-la.

Todos sabemos que há preocupações práticas que devemos considerar, mas o pragmatismo é uma filosofia que empurra para a periferia uma série de princípios fundamentais e elege, como único fator relevante, a questão: “Isso funciona?”

Quais os perigos do pragmatismo? Voltando para o texto de II Tim. 3:1-9, consideraremos primeiramente os aspectos relativos à nossa chamada para o ministério. Vejamos, então, o contexto do nosso ministério. Paulo se refere a esse contexto como sendo o dos “últimos dias”. Sabemos que os “últimos dias” começaram com o tempo dos apóstolos, e terminarão com a segunda vinda do nosso Senhor. Portanto, estamos vivendo nos “últimos dias”, como, também, Timóteo estava vivendo nos “últimos dias”. Qual é o contexto, então, do ministério nesse período entre as duas vindas de Cristo? Paulo diz, em primeiro lugar, que nos últimos dias os homens serão amantes de si mesmos.

Narcisimo e Auto-Estima

Christen Lash, um sociólogo americano bastante conhecido, escreveu um livro sobre a cultura americana cujo título é: “O culto do Narcisismo”. Essa é uma acusação difícil de se fazer, porque o que ela implica é que a cultura americana é uma cultura onde as pessoas se endeusam. E como vocês se lembram “Narciso” é o nome daquele jovem da lenda grega que costumava admirar o seu próprio reflexo no espelho das águas. Mas isso não somente é parte da nossa cultura, como também se tornou parte das nossas igrejas. Muitos dos movimentos que se entitulam “avivados”, em nossos dias, simplesmente estão reavivando o narcisismo, ou seja: a adoração do “eu”. Isso pode ser visto na declaração de um desses pastores que afirmou: “A Reforma errou porque foi centralizada em Deus e não no homem, como devia ser”. Esse pastor escreveu um livro cujo título é: “Crendo no Deus Que Crê em Você”. Uma certa ocasião, trouxemos esse cidadão para falar no nosso programa de rádio. Então eu li essa passagem, onde Paulo diz que as pessoas serão amantes de si mesmas, e perguntei-lhe: “Como você pode dizer às pessoas que a salvação começa com o amor próprio, quando Paulo diz que nos últimos dias as pessoas serão amantes de si mesmas? Não estaria ele dizendo que isso é uma coisa errada, e que nós não devíamos ser amantes de nós mesmos? E como Deus vai nos fazer felizes com esse falso evangelho narcisista?”

O que está acontecendo é que a piedade e a santidade deixaram de ser os referenciais pelos quais julgamos se um movimento é ou não é do Espírito. Assim, o critério que tem sido adotado é: “Funciona? Vai me fazer feliz? Vai me ajudar a criar minha família? Vai consertar o meu casamento?”. Todas essas questões são importantes, à luz das Escrituras, mas não são as mais importantes.

Em segundo lugar, Paulo diz que eles serão amantes do dinheiro. Porque as pessoas amam excessivamente a si mesmas, elas criam o evangelho da auto-estima; e porque as pessoas amam excessivamente o dinheiro, elas criam o evangelho da prosperidade.

Rebeldia, desprezo pelo passado e busca do prazer

Paulo diz ainda que haverá muito orgulho e revolta contra as autoridades. Haverá pessoas desobedientes aos pais. Uma geração não se preocupará com a geração anterior. O cantor Bob Marley escreveu uma música sobre a cultura americana dizendo: “Povo do futuro, onde está o teu passado? Povo do futuro, quanto tempo vocês vão durar?” O povo que não tem passado também não tem futuro. Não sei se Bob Marley era crente, mas com certeza esses versos refletem um ponto de vista bíblico ao tentar se segurar naquilo que pede o seu passado.

Eu quero lhes garantir que se levarem a doutrina bíblica a sério, muitos irmãos e irmãs vão lhes dizer que vocês não estão andando nos passos do Espírito; vão lhes dizer que o Espírito Santo hoje quer fazer uma coisa inteiramente nova, tal como nunca fez no passado. E o que vocês vão falar? Vão falar sobre os grandes avivamentos do passado, sobre a Reforma? Qual o valor disso para os amantes de si mesmos e materialistas? Eles responderão que Deus está fazendo algo completamente diferente nos dias de hoje. Mais uma vez eu quero lembrar que isso faz parte do narcisismo que diz o seguinte: – “eu é que sou importante e aqueles da minha geração é que são importantes e não os que vieram antes de nós”.

E ele diz também que as pessoas serão hedonistas, amantes do prazer, nos últimos dias; como ele diz no verso 4, serão mais “amigos dos prazeres que amigos de Deus”. Mais uma vez queremos enfatizar: Se você perguntar em uma Igreja: “Vocês concordam com o hedonismo?” Creio que ninguém vai responder sim a essa pergunta. Mas se você entrar numa livraria evangélica, se ouvir uma emissora de rádio evangélica, se prestar atenção a muitos sermões evangélicos, você ouvirá mensagens afirmando que o Cristianismo é a melhor maneira para você se auto-realizar. Quantos testemunhos temos visto que funcionam como comerciais de televisão? Nos Estados Unidos, temos aquelas propagandas de dieta que mostram uma pessoa antes e depois da dieta. Muitas vezes, os testemunhos dos crentes são assim: “Antes eu era triste, agora sou feliz; antes eu era deprimido, mas agora eu estou extremamente motivado para viver”. Esses são benefícios maravilhosos, mas, por vezes, a verdade é que nós, como cristãos, nos tornamos tristes. Algumas vezes, o caminho da cruz é o caminho do sofrimento, e nem sempre estamos tão entusiasmados a respeito disso. Apesar de tudo isso, a perspectiva que predomina nos nossos dias é que temos que viver para satisfazer a nós mesmos.

Moralidade sem piedade

No verso 5 do texto destacado, Paulo diz: “tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder”. Veja bem! O que Paulo está dizendo é que pode haver uma moralidade sem Deus. Existem pagãos que tem uma vida moral excelente, e há ímpios que acreditam ser errado você trair sua esposa. Há pessoas não cristãs que têm famílias muito boas. Mas será que este é o propósito do cristianismo? Consertar tudo aquilo que está moralmente errado no mundo, ou será que o foco está em Deus, nos Seus mandamentos justos, e no Evangelho pelo qual nós devemos viver?

É esse o contexto do nosso ministério. Então respondamos à pergunta: Qual o nosso chamado para o ministério? O exemplo de Paulo é alguma coisa que temos de imitar nesse sentido. Mas agora perguntamos: Como, historicamente, essa filosofia do pragmatismo dominou o pensamento moderno? A figura mais destacada no cenário evangélico, neste sentido, é a de Carlos Finney. Quantos de vocês já ouviram falar de Charles Finney? Quase todo mundo. Isso é significante porque Finney é uma pessoa muito importante para aqueles que são proponentes do movimento de crescimento da Igreja e do movimento de sinais e prodígios.

Evangelho ou Pragmatismo?

Charles Finney era presbiteriano, mas atacou a Confissão de Fé de Westminster que ele próprio subscrevera. Ele a chamou de: “um papa de papel”. Ele dizia, no século XIX em que viveu: “Nós já somos pessoas muito ilustradas e racionais para acreditar em todas essas coisas aí que a Confissão de Fé está dizendo”. Vejam algumas das coisas que Charles Finney escreveu:

Quando o homem se torna religioso – disse Finney – ele não recebe um poder que não tinha antes, ele simplesmente muda a sua vontade, e resolve seguir, agora, numa direção moral. Religião é obra do homem, não é um milagre e nem depende de um milagre em qualquer sentido; é simplesmente um resultado filosófico do uso correto de técnicas. O homem já possui, por natureza, toda a habilidade necessária para prestar perfeita obediência a Deus, portanto o objetivo do ministro é emocionar as pessoas até que se disponham a tomar essas decisões.

Foi dessa filosofia que nasceu o que ficou chamado naquela época de “novas medidas introduzidas por Finney”. Por exemplo: O sistema de apelo para que as pessoas se manifestem fisicamente e caminhem até à frente em resposta à pregação nasceu com Charles Finney, nesse período. Em sua Teologia Sistemática, Finney nega explicitamente a doutrina do pecado original. Ele diz ainda que a doutrina da substituição vicária de Cristo é uma ficção, e que a justificação pela graça, por meio da fé somente, é “outro evangelho”. Com certeza, é um evangelho diferente daquele que Finney estava pregando.

É isso que Paulo diz a Timóteo, quando fala de pessoas que têm forma de piedade mas negam, entretanto, o seu poder. Afinal de contas, onde reside o poder da piedade? É o poder de Deus para a salvação! E que poder é esse? É o evangelho de Jesus Cristo! Somente o Evangelho pode nos capacitar a viver a vida cristã. Portanto, é possível ter moralidade sem piedade; e esse é o resultado do pragmatismo.

Mais tarde, tornou-se conhecida a idéia de D.L. Moody. Ele disse no século XIX que não faz nenhuma diferença como você leva alguém a Deus; se você conseguir fazer isso, não importa o meio. O importante é levar, de qualquer maneira, a Deus.

Uma vez perguntaram a Moody: Qual é a sua teologia? Ele disse: “Minha teologia? nem sei se eu tenho uma!”. Vejam bem! Moody era um vendedor de sapatos, e um dia ele disse que ao se tornar evangelista não mudou de profissão, o que ele havia feito era trocado de produto.

Como abordamos o pragmatismo corporativo da nossa cultura? Alguns dizem que a contribuição distinta da América para a história da filosofia foi a criação do pragmatismo. Um dos grandes pais do pragmatismo e quem o transferiu da esfera religiosa para a esfera secular foi William James. Ele era filho de pastor; pastor, ele próprio, e também professor da Universidade de Harward. Ele disse: “Faça a seguinte pergunta: Como é que você define que determinada verdade é o que você deve crer?” E acrescentou: “A resposta é que você tem que determinar o seu valor em termos de experiência e resultado”. Então, com princípios pragmáticos, analisou a doutrina de Deus dizendo o seguinte: “Se a doutrina de Deus funciona, então é verdade. O pragmatismo tem que adiar questões dogmáticas porque no começo nós não sabemos qual reivindicação doutrinária vai produzir resultado”.

Acredito que quase ninguém iria marcar essas coisas num exame tipo teste dizendo que acredita nelas, mas, na prática, o que acontece é que esse é o credo do evangelicalismo mundial hoje. Um evangelista americano famoso disse: “Não tente entender, simplesmente comece a desfrutar, porque funciona; eu já tentei”. Ele estava falando a respeito da meditação transcendental da Nova Era. Na década de 50 do nosso século, esse pragmatismo se desenvolveu em termos de pensamento positivo. Foi então publicado um livro chamado “A Mágica do Crer”. Esse livro propõe que há uma certa qualidade mágica no simples ato de crer. Porém, a verdade é outra. No cristianismo, o que salva não é o ato da fé, mas sim o objeto da fé. Nós não somos salvos pela fé, não somos justificados pela fé; nós somos justificados pela justiça de Cristo que nos é imputada. Mas hoje em dia, desenvolveram essa equação de que fé é igual a pensamento positivo. Na realidade, essa última frase que mencionei foi uma citação de Peter Wagner.

Deus como objeto de consumo

Muito bem! Esses conceitos funcionam numa sociedade materialista, que está satisfeita e centralizada no ego; pode funcionar muito bem na América do final do século XX, pode ser até que funcione em São Paulo também, e pode funcionar em Londres. Mas imagine o seguinte quadro: Você vai a um cristão do século I e diz a ele que a razão principal pela qual ele está indo para a boca dos leões é porque o Cristianismo funcionou melhor do que as outras religiões!

Os testemunhos que temos no Novo Testamento são muito diferentes dos testemunhos que nós vemos hoje em dia. No Novo Testamento temos a palavra de testemunhas oculares, que é muito mais importante que o nosso próprio testemunho. O que é que Paulo disse em I Cor. 15? Ele disse: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e é vã a vossa fé… Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”. Ele não diz “pelo menos vocês têm uma vida feliz e saudável!”. E ele também não está dizendo “Bem! o que é que você pode perder?” Por que Paulo não fez isso? porque ele não era um pragmático. Paulo fundamentava todas as reivindicações da fé cristã no Evangelho verdadeiro.

Temos que nos perguntar: “Será que não estamos usando a Deus? Será que, finalmente, não embarcamos nesse consumismo da nossa sociedade? Será que não estamos tratando a Deus como tratamos um produto?” São perguntas muito importantes que devem ser feitas a nós mesmos. “Será que Deus está nos usando ou nós estamos usando a Deus?”

Reavivamento e Reforma não virão à Igreja até que a mentalidade dos crentes seja desviada desse egoísmo humano, da centralização no homem que Paulo descreve, para o verdadeiro Evangelho e para Deus.

Nos Estados Unidos, temos um adesivo que diz: “Jesus é a resposta”. Os incrédulos fizeram um outro adesivo para retrucar a esse: “Qual é a pergunta?” Considere, agora, o que diz o pragmatismo: “Eu não sei qual é o seu problema, mas qualquer que seja, Deus pode resolver. O seu carro está enguiçado? A sua vida familiar não está progredindo como devia? Deus pode consertar em um piscar de olhos!”. Assim, passamos a consumir a Deus. Nós usamos a Deus, ao invés de amá-Lo, servi-Lo e honrá-Lo.

Muito bem! Então qual é o propósito do nosso ministério? Vejamos o que diz Paulo:

“Tu, porém, tens seguido de perto o meu ensino, procedimento, propósito, fé longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, – que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor. Ora todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste. E que desde a infância sabes as sagradas letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção para a educação na justiça. a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, que não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as cousas, suporta as aflições, faze o trabalho de evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (II Tim. 3:10-4:5).

O modelo apostólico

Em primeiro lugar, o propósito do nosso ministério é seguir o modelo apostólico. Paulo menciona aqui o seu ensino, a sua maneira de viver, o seu propósito, a sua fé, a sua paciência, o seu amor, e a sua perseverança diante das tribulações. Perseguições? Sim! É o que ele diz no verso 12. Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Será que é isso o que estamos ouvindo hoje? Ou será que estamos ouvindo outra mensagem? Algumas vezes você vai pensar que não está dando certo, que as coisas não estão funcionando como deveriam, como lemos em Romanos, capítulo 7. Nós sofreremos como cristãos, e ainda vamos sofrer com os nossos pecados.

A proclamação da Lei e do Evangelho

Além de seguir o seu exemplo, Paulo quer que Timóteo também se firme naquelas verdades que aprendeu quando era jovem. Veja que Paulo, ao invés de nos levar à questão do pragmatismo: “Será que funciona?”, ele nos conduz para as Escrituras. Ele diz: “’prega a Palavra’, com muita paciência instruindo as pessoas. Porque haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina. Ao contrário, cercar-se-ão de mestres, segundo as suas próprias cobiças, como quem sente coceira nos ouvidos” (4:3).

Vejam! sempre temos coceira nos ouvidos. Pragmatismo não é uma coisa nova. Na realidade já foi praticado desde o jardim do Éden. Quando Eva viu que a árvore era agradável para se ver, para descobrir o conhecimento e desejável para trazer entendimento; então ela tomou do fruto e comeu. O que significa para nós “pregar a Palavra”? O que Paulo quer dizer no verso 5 “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de evangelista”?. O que ele quer dizer com isso, “pregar a Palavra”? Vez após vez, Paulo e os demais escritores bíblicos nos dizem que isso é a proclamação da lei. Na verdade, é pela proclamação da lei santa de Deus que nós somos tocados e feridos. A lei de Deus vem até nós e ela não vem dizendo assim: “Eu vou transformar a tua vida numa vida feliz!”, ela não vem dizendo: “Vou te dar prosperidade!”. Na realidade, a lei vem para nos dizer exatamente aquilo que Deus tem dito que requer de nós. A lei nos confronta com a glória de Deus e a nossa pecaminosidade torna isso aterrorizante!

Finalmente, o Evangelho vem e causa também impressão em nós. Há uma Igreja no Estado do Arizona, cujo pastor, numa entrevista que foi publicada na revista Newsweek, disse: “As pessoas hoje em dia não estão preocupadas com doutrinas como justificação, salvação ou expiação. Nos dias de hoje, ninguém entende esses termos. O que nós precisamos fazer é atender as necessidades das pessoas!”

Imaginem um professor! Vocês não acham que seria muito estranho se o professor chegasse dizendo assim: “Não posso ensinar o alfabeto para esta criança porque ela ainda não sabe português”. Esse é o tipo de argumento que esse pastor estava apresentando. Tanto que o que hoje se passa com o nome de pregação, na realidade, não é pregação da Palavra. Porque não apresenta nem a Lei nem o Evangelho. Esses pastores começam decidindo o que é que as pessoas de sua igreja desejam ouvir. Quais são os pontos que estão em moda hoje? Quais são as necessidades das pessoas dos dias de hoje? E aí, então, eles vão às Escrituras e procuram e acham passagens que podem ser usadas para apoiar essa necessidade, ao invés de, indo ao texto, perguntarem primeiro como a santidade de Deus nos convence do nosso pecado e como o Evangelho de Cristo pode ser tão claro que até pecadores como nós podem se arrepender e crer.

Mas vocês, irmãos e irmãs, ouçam o que Paulo diz, sejam sóbrios em todas essas coisas, preguem a palavra, suportem as aflições, façam o trabalho de evangelista, e cumpram cabalmente o ministério.


Michael Horton

Princípios de Deus para o casamento

Meu espanto ainda é grande quando vejo que poucos “crentes” conhecem o princípio de Deus para o casamento, quase sempre deparo-me com pensamento de casais desejando a separação ou jovens me perguntando por que não podem praticar sexo antes do casamento de eles se “amam”.

Como seria salutar a todos se ao invés de perder tanto tempo nas rede sociais, investíssemos nosso tempo no conhecer ao Senhor.

Paulo responde algumas perguntas que ainda hoje são feitas pela igreja. O capitulo 7 de I Coríntios é a mais longa discussão sobre sexualidade e assuntos correlatados em todas as cartas de Paulo. As instruções ali mencionadas, não se encontram em nenhuma outra parte de seus escritos.

Neste capitulo, Paulo começa a responder as perguntas da igreja local, não é um tratado teológico sobre celibato e casamento, mas respostas diretas à algumas perguntas específicas.

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, – 1 Coríntios 7:1

É preciso ressaltar que Paulo não esgota seu ensino sobre casamento aqui.

Antes de iniciarmos assunto, é necessário entendermos algumas expressões paulinas neste capitulo.

Digo isso como concessão, e não como mandamento. – 1 Coríntios 7:6

Aos casados dou este mandamento, não eu, mas o Senhor: que a esposa não se separe do seu marido. – 1 Coríntios 7:10

Aos outros eu mesmo digo isto, e não o Senhor: se um irmão tem mulher descrente, e ela se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela.
1 Coríntios 7:12

Quanto às pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor, mas dou meu parecer como alguém que, pela misericórdia de Deus, é digno de confiança. – 1 Coríntios 7:25

Em meu parecer, ela será mais feliz se permanecer como está; e penso que também tenho o Espírito de Deus. – 1 Coríntios 7:40

Paulo faz uma distinção entre o que Cristo ensinou e o que ele está ensinando. O que Cristo ensinou ele não vai tratar novamente, pois o assunto já está decidido. Porém, aquilo que Jesus não ensinou, Paulo vai tratar dando orientação apostólica e inspirada para a igreja. Portanto não existe qualquer divergência entre Cristo e Paulo.

Paulo precisa lidar com algumas perguntas que Jesus não havia tratado. Quando uma questão levantada pela igreja de Corinto já havia sido tratada por Cristo, Paulo se referia as suas Palavras, mas quando a pergunta dos coríntios não houvesse sido tratada por Cristo, Paulo respondia à igreja com autoridade apostólica.

Os assunto que Jesus tratou sobre casamento e divórcio estão registrado em:

“Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’.
Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério”. – Mateus 5:31,32

Tendo acabado de dizer essas coisas, Jesus saiu da Galiléia e foi para a região da Judéia, no outro lado do Jordão.
Grandes multidões o seguiam, e ele as curou ali. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? ” Ele respondeu: “Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. Perguntaram eles: “Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora? ” Jesus respondeu: “Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério”.
Os discípulos lhe disseram: “Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não casar”. Jesus respondeu: “Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite”. – Mateus 19:1-12

Então Jesus saiu dali e foi para a região da Judéia e para o outro lado do Jordão. Novamente uma multidão veio a ele e, segundo o seu costume, ele a ensinava. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova, perguntando: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher? ” “O que Moisés lhes ordenou? “, perguntou ele. Eles disseram: “Moisés permitiu que o homem desse uma certidão de divórcio e a mandasse embora”. Respondeu Jesus: “Moisés escreveu essa lei por causa da dureza de coração de vocês. Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’.
‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. Quando estava em casa novamente, os discípulos interrogaram Jesus sobre o mesmo assunto. Ele respondeu: “Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela. E se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério”. – Marcos 10:1-12

“Quem se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher estará cometendo adultério, e o homem que se casar com uma mulher divorciada do seu marido estará cometendo adultério”. – Lucas 16:18

Quando Paulo diz que agora não é o Senhor, mas ele, é porque aquele assunto Jesus não havia tratado e agora ele irá tratar.

Ao responder as perguntas, Paulo tem em mente três grupos distintos:

  1. Cristãos casados com cristãos – 7:1-11
  2. Cristãos casados com não cristãos – 7:12-24
  3. Cristão não casados – 7:25-40

Cristão casados com cristãos – 7:1-11

Na igreja de Corinto havia dois  extremos. Um grupo pensava que sexo era pecado, mesmo no casamento, como ainda hoje alguns pensam. Esse grupo defendia que o celibato é um estado moralmente superior ao casamento.

O outro grupo, talvez formado pela maioria dos judeus, julgava que o casamento não era opcional, mas sim compulsório, obrigatório.

Para Paulo, tanto o casamento quanto a celibato são  dons de Deus, Paulo combateu os dois extremos.

Dois assunto são abordados por Paulo aqui, a pureza do casamento 7:1-9 e sua duração 7:10-11.

A pureza do casamento – 7:1-9

Paulo proíbe a multiplicidade de parceiros no casamento, ou seja, tanto a poligamia quanto a poliandria. Paulo ressalta o aspecto singular do casamento, “cada um deve ter a sua esposa, e cada uma o seu marido”.

Paulo proíbe a união homossexual (7:2). Quando Paulo diz que cada um tenha a sua esposa e cada uma tenha seu marido, fica claro a ideia de uma relação heterossexual. As relações homossexuais eram  algo comum no tempo de Paulo. mas ele define essa prática como uma paixão infame, um erro, uma distorção mental reprovável, uma abominação à Deus. A relação homossexual já é aprovada civilmente em muitos lugares, mas jamais será chancelada pelas leis divinas. O “politicamente correto” não é correto diante de Deus. Uma decisão não é ética apenas por ser legal.

Paulo proíbe o celibato compulsório (7:1). Paulo escreve: “… bom que o homem não toque em mulher…“. Essa expressão tem o sinônimo de casar-se.  O celibato é permitido, mas não ordenado. Nem todos tem o do do celibato (7:7-9). É por isso que a igreja romana enfrenta tantos problemas com a sexualidade de seus sacerdotes. O celibato não tem base bíblica. O celibato não pode ser imposto. Esse é o ensino de Cristo (Mt 19:10-12). O principio estabelecido por Deus desde o principio é que o homem não esteja só (Gn 2:18).

Paulo destaca a completa mutualidade dos direitos conjugais (7:3-4). Paulo vivia em uma sociedade machista, mas ele quebra esse paradigma da cultura prevalecente e afirma a igualdade dos direitos conjugais. Paulo diz: ” O marido conceda à esposa o que lhe devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao marido” (7:3).  Paulo está falando do relacionamento sexual, o dever habitual para ambos. Diante de Deus, o sexo fora do casamento é pecado, mas no casamento, a ausência de sexo também é pecado. Marido e esposa tem direitos assegurados por Deus de desfrutarem a plenitude da satisfação sexual no contexto sacro do casamento.

Paulo prossegue afirmando: ” A mulher não tem poder sobre seu próprio corpo, e sim o marido; também, semelhantemente, o marido não tem poder seu seu próprio corpo, e sim a mulher” (7:4). O conceito divino, é que o sexo é um direito legítimo do cônjuge.

Paulo vai mais profundo nessa questão quando escreve: “Não vos priveis um ao outro” (7:5a). A pratica do sexo no casamento é uma ordem apostólica. A ausência de sexo no casamento é pecado. Hernandes Dias Lopes [1] citando Charles Hodge diz que nada poderia ser mais estranho à mente do apóstolo Paulo do que ver os cristãos enchendo os mosteiros e conventos da igreja medieval.

Paulo afirma que o casal só pode se abster de sexo quando ambos estão em sintonia a respeito da decisão de que por um curto espaço de tempo, irão dedicar-se expressamente a oração. Muitos casais cometem erros gravíssimos, dando desculpas infundadas para “fugir” da relação sexual, alegando cansaço, dor de cabeça, etc. A bíblia ensina que negligencia sexual para com seu cônjuge é pecado. Sempre que ensino este mandamento alguns casais perguntam-me: “Mas se realmente um dos cônjuges estiver realmente cansado?“. Se o cansaço for uma frequência que traga a interrupção da relação, há uma inversão de valores que deve ser corrigida imediatamente para que nada venha afastar o casal, nem oração, nem trabalho, nem filhos, nem os pais, etc. Há ainda casos de pessoas que se escondem atrás de uma falsa espiritualidade para sonegar ao cônjuge a satisfação sexual. Isso está em desacordo com o padrão bíblico. Mesmo quando a abstinência for por causa de oração, Paulo não recomenda que este período seja longo. Ele diz: “[…] e, novamente vos ajunteis” (7:5).

Paulo conclui dizendo: “[…] para que satanás não vos tente por causa da incontinência” (7:5). Sempre que um casal descumpri esse mandamento, o diabo entra na vida do casal e arrebenta com o casamento, é quando muitos se perguntam, “onde foi que eu errei?“.

A duração do casamento – 7:10-11

Não sei responder quantas vezes por ano sou interpelado sobre a duração do casamento, casais me questionam se realmente não podem separar-se, os “motivos” para separação são inúmeros, na grande maioria sem fundamento, sem razão de ser, desejam separar-se apenas porque na verdade são incapazes ou simplesmente não desejam cumprir o que a palavra de Deus determina para o casamento.

Paulo diz: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do seu marido” (7:10). O Senhor já havia tratado do assunto do divórcio (Mt 19:3-12), não é necessário Paulo tratar novamente. O casamento deve durar enquanto durar a vida (7:39-40).

As mesmas perguntas que muitos fazem hoje, a igreja de Corinto também fez.

  • O que fazer se eu estiver arrependido de ter casado?

Há muitos casais nesta situação dentro das nossas igrejas. Há pessoas que depois de terem casado reconhecem que fizeram uma grande besteira. O que fazer agora? Paulo responde com um desafio aos casais que veem poucas ou nenhuma esperança em seu casamento: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do seu marido” (7:10-11). Casou, permaneça casado. Busque no Senhor e na sua palavra formas de transformar o casamento conforme deve ser, segundo as escrituras.

  • O que fazer quando a situação se torna insustentável?

Há casamentos que adoecem a tal ponto que a decisão de permanecerem juntos pode ser arriscada, já vi casos que é melhor, até para garantir saúde emocional, a separação. Para esses casos Paulo oferece duas soluções. A primeira solução: separe, mas fique sozinho. (7:11a). A segunda solução: faça a reconciliação (7:11b). Contudo, de maneira algumas o apóstolo apoia o divorcio.

Paulo reafirma assim o ensino de Jesus de que o divórcio só é permitido para o cônjuge que foi vítima de infidelidade conjugal (Mt19:9).  O ensino bíblico é que “[…] o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:6). Deus colocou muros ao redor do casamento não para fazer dele uma prisão, mas um lugar seguro.

Cristãos casados com não-cristãos – 7:12-24

Antes de mais nada, Paulo não está tratando aqui de casamento misto (cristão casou com não-cristão). O ensino bíblico sobre isso é bastante claro. O casamento deve ser no Senhor (7:39). Para Paulo, namoro misto constitui um ato de desobediência aos preceitos divinos.

Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? – 2 Coríntios 6:14,15

Algumas pessoas na igreja de Corinto se converteram ao evangelho depois de casadas. Essa é a problemática que Paulo trata aqui. A igreja levanta a seguinte pergunta: “Devemos permanecer casados com nossos cônjuges incrédulos?“. Paulo responde com um SIM. “Aos mais digo eu, não o Senhor…” (7:12-13). Aqui o Senhor não havia tratado dessa matéria. Agora é Paulo que vai tratar do assunto, e ele diz: “[…] se algum irmão tem mulher incrédula, e essa consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido” (7:12-13).

É um ato de desobediência um cristão casar-se com um incrédulo, Mas se a pessoa se torna cristão depois de ter se casado, ela não não pode usar esse acontecimento como justificativa para a separação. Ao contrário! Ela precisa exercer a influência que tem como cristã para transformar seu lar e levar seu cônjuge à conversão (7:17-24). Paulo diz que a conversão não altera nossas obrigações sociais.

A dissolução do casamento – 7:15

Há casos em que o cônjuge incrédulo se recusa a conviver com o cônjuge crente. Caso o cônjuge incrédulo tome a iniciativa de separar-se do cônjuge crente, este fica livre do jugo conjugal (7:15). John Stott diz:

Se o cônjuge incrédulo desejar permanecer casado, então o cônjuge crente não deve recorrer ao divórcio. Mas se o cônjuge incrédulo não desejar permanecer casado, então o cônjuge crente está livre para divorciar-se e até casar novamente. – John Stott [2]

Em resumo, dos assuntos não tratados por Jesus, Paulo esclarece que só por abandono é permitido o divórcio aos cristãos. A regra geral, é que só há duas condições aceitas para o divórcio do cristão: infidelidade (Mt 19:9) ou abandono (7:15). A confissão de fé de Westminster retifica a infidelidade e o abandono como os únicos motivos para o divórcio e um novo casamento.


Notas:

[1] Henandes Dias Lopes, 1 Coríntios – Comentários expositivos, Hagnos

[2] John Stott, Grades questões sobre sexo.

1 Corintios, Simon Kistemaker, cultura cristã

Soli Deo gloria

Somonia

Esse comportamento derivou o seu nome de Simão, o mágico, um personagem bíblico que tentou comprar dos apóstolos Pedro e João o poder de conceder o Espírito Santo àqueles sobre os quais ele impusesse as mãos (At 8.18-24). Assim, a simonia veio a se referir à concessão ou obtenção de qualquer coisa espiritual ou sagrada mediante remuneração, fosse ela monetária ou de outra espécie. Em outras palavras, era a compra e venda de coisas religiosas. Cometia esse pecado quem oferecia e quem recebia pagamento em troca de um bem espiritual ou eclesiástico. Na Idade Média, referia-se principalmente ao comércio de cargos da igreja. Um papa que se notabilizou por sua luta incessante contra esses males foi Hildebrando, ou Gregório VII (1073–1085), que adotou como lema de seu pontificado as contundentes palavras de Jeremias 48.10: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!”.

Curiosamente, em certo sentido a Reforma Protestante surgiu como consequência de dois casos de simonia. Um deles foi a compra do arcebispado de Mainz, ou Mogúncia, na Alemanha, pela poderosa família Hohenzollern, mediante uma negociação questionável com o papa Leão X envolvendo altas somas de dinheiro. O segundo caso ocorreu quando o novo arcebispo (e futuro cardeal) Alberto de Brandenburgo promoveu uma venda especial de indulgências, cujos rendimentos foram utilizados em parte para saldar a dívida da compra do arcebispado, sendo a outra parte entregue ao papa para financiar a construção da catedral de São Pedro, em Roma. A reação de Martinho Lutero contra esse comércio do perdão, mediante suas Noventa e Cinco Teses, foi o estopim da Reforma.

Durante séculos, o ministério protestante foi caracterizado por elevados padrões éticos, especialmente na sensível área das finanças. Seguindo o exemplo de Cristo e seus apóstolos (At 20.33s; 2Co 11.7), a maior parte dos pastores e líderes procuravam realizar o seu trabalho como uma expressão de serviço desinteressado a Deus e às pessoas, isento de ambições materiais. Mesmo indivíduos de grande projeção, como avivalistas e evangelistas de massa (Wesley, Whitefield, Spurgeon, Billy Graham e outros), jamais usaram de seu grande carisma e influência para auferir vantagens pecuniárias e aumentar o seu patrimônio. Tal comportamento sóbrio e consciencioso ocorreu em todos os ramos do protestantismo, tanto os tradicionais ou históricos como, mais tarde, os pentecostais clássicos.

Esse honroso legado sofreu um abalo lamentável e constrangedor no Brasil, a partir da década de 1970, com o surgimento do chamado neopentecostalismo. Firmados numa teologia duvidosa, resultante de uma interpretação tendenciosa e altamente seletiva das Escrituras, os principais líderes desse movimento vêm demonstrando uma atitude em relação ao dinheiro que em nada difere do velho pecado da simonia. Servindo-se do poderoso veículo da televisão e manipulando com habilidade as carências e ambições de uma considerável parcela da população, esses pregadores têm transformado o evangelho e suas bênçãos em mercadoria e fonte de lucro (2Co 2.17; 1Tm 6.5,10).

A recepção de benefícios como a cura, a prosperidade e a felicidade é condicionada à entrega de contribuições, dando-se a entender que as bênçãos serão proporcionais à generosidade do ofertante. Fica inteiramente esquecido o ensino claro de Jesus: “[…] de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10.8). Em consequência disso, surgiu uma geração de pastores-empresários que estão se colocando entre os homens mais ricos do país. Dominados pela ganância condenada com tanta veemência nas Escrituras (1Ts 2.5; Tt 1.7; 1Pe 5.2), estão acumulando grandes fortunas na forma de mansões, fazendas, carros de luxo e, agora, o símbolo máximo dos novos ricos – jatinhos particulares. Eles influenciam de tal forma os seus seguidores que estes, além de não questionarem tal procedimento, acham que seus líderes merecem os privilégios que usufruem.

Não se discute que os obreiros cristãos sejam remunerados condignamente pelo seu trabalho (2Co 8.14). O que se lamenta é a mercantilização da fé, que tantos prejuízos tem trazido para a causa de Cristo ao longo dos séculos, obscurecendo a graça de Deus, o seu favor imerecido. Os modernos simoníacos não só estão manchando para sempre a sua própria reputação, mas também contribuindo para prejudicar a imagem de toda a classe ministerial e das comunidades evangélicas. Suas ações têm produzido e continuarão a produzir reações negativas da imprensa, da opinião pública e dos governantes. Eles fariam bem em considerar as palavras ditas pelos apóstolos a Simão, o mágico – e se arrependerem enquanto é tempo.

Soli Deo gloria

Dízimo, outra vez?

Um dos assuntos mais debatidos hoje dentro das igrejas sem dúvidas é a validade do DÍZIMO, todos os dias vejo cristãos postando nas redes sociais frases contrarias ao dízimo, o que mais chama a atenção não é apenas o posicionamento das pessoas sobre o assunto, mas a fundamentação, TODAS as pessoas que conheço que se dizem contrarias ao dízimo são superficiais biblicamente, inconstantes, alheios a todo corpo e alegam não ser uma prática no Novo Testamento.

Em minha opinião apesar de entender que do ponto de vista neotestamentário o dízimo  não é normativo, tenho percebido que muitos daqueles que advogam a abolição do dízimo  o fazem por razões escusas, cujas motivações principais se devem  a avareza, falta de conhecimento bíblico e/ou adesão ao pluralismo e relativismo religioso.

DIRETO AO PONTO

O dízimo assim como muitas das instruções/mandamentos veterotestamentário são princípios e não meramente um conjunto de regras, vamos entender. Todo o antigo testamento serve de AIO (tutor), Gálatas 3:24 – παιδαγωγος paidagogos. Tutor, i.e., um guardião e guia de meninos. Entre os gregos e os romanos, o nome era aplicado a escravos dignos de confiança que eram encarregados de supervisionar a vida e a moralidade dos meninos pertencentes à elite. Aos meninos não era nem mesmo permitido sair de casa sem a sua companhia até que alcançassem a idade viril.

Para quem acredita que o dízimo é algo imposto pela lei mosaica, deve entender que antes da lei Abraão dizimou.

Esse Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, encontrou-se com Abraão quando este voltava, depois de derrotar os reis, e o abençoou; e Abraão lhe deu o dízimo de tudo. Em primeiro lugar, seu nome significa “rei de justiça”; depois, “rei de Salém” quer dizer “rei de paz”. Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre. Considerem a grandeza desse homem: até mesmo o patriarca Abraão lhe deu o dízimo dos despojos! – Hebreus 7:1-4

E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos”. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo. – Gênesis 14:20

Melquisedeque recebeu dízimos – מעשר ma Ìaser = dízimo, décima parte – de Abraão, 2.000 anos antes de Cristo e 700 anos antes da lei mosaica. O costume de pagar o dízimo era muito comum entre os povos semíticos. A forma como este fato foi mencionado parece indicar que se tratava de um costume estabelecido. O voto de Jacó (Gn 28.22) acrescenta ainda mais peso a esta opinião.

O dízimo de Israel consistia de um décimo de toda a produção anual de alimentos e do crescimento dos rebanhos de ovelhas e gado. Era um costume considerado sagrado para Jeová, da mesma forma que o aluguel ou imposto feudal dedicado a Ele que era, realmente, o dono da terra. Certas Escrituras sugerem que esses dízimos consistiam de décimo de tudo que restava das “primícias de todos os frutos da terra”, depois que a oferta sacerdotal havia sido separada (Êx 23.19; Dt 26.1ss). Como a lei não estabelecia a quantidade a ser oferecida como uma oferta das primícias, alguns consideram as regras do dízimo como a definição do que deveria ser pago. Outros consideram o dízimo um complemento destes primeiros frutos. Fontes judaicas indicam que essa segunda hipótese é verdadeira e que as “primícias dos primeiros frutos” geralmente representavam uma quinta parte da produção.

No Pentateuco, a legislação sobre os dízimos era a seguinte:

1. Levítico 27.30-33. Um décimo de toda a produção (safras, frutas, azeite, vinho) e de todos os animais deveria ser dedicado ao Senhor. O dízimo da produção da terra podia ser compensado (ou “remido”) se a ele fosse acrescido um quinto de seu valor. O dízimo dos animais não podia ser compensado. O crescimento do rebanho era calculado e todo décimo animal era considerado santificado para o Senhor. Isso estava de acordo com as instruções dadas a Israel, anteriores ao Sinai, de que os primogênitos dos rebanhos pertenciam ao Senhor (Êx 13.12,13). Tudo o que passasse “debaixo da vara” (Lv 27.32) era designado aos levitas para fazer o que bem entendessem, pois não haviam recebido nenhuma parte da terra como herança (cf. Nm 18.21-32). Além desse dízimo, os levitas pagavam um dízimo (ou oferta alçada) aos sacerdotes, que deveria ser levado ao templo de Jerusalém. Neemias 10.38 sugere que havia uma supervisão dessa divisão de dízimos.

2. Deuteronômio 12.5,6,11,18 (cf. Am 4.4). O dízimo das festas correspondia a um décimo dos nove décimos que restava. Devia ser separado e levado para Jerusalém onde era consumido como refeição sagrada pelo ofertante e seus familiares, junto com o levita que está dentro das suas portas (Dt 12.15). Se a distância era proibitiva, os dízimos podiam ser vendidos e o dinheiro usado para a compra de alimentos ou animais para servirem como ofertas em Jerusalém (cf. Dt 14.22-27).

3. Deuteronômio 26.12-15; 14.28-29. O dízimo trienal ou dízimo da caridade, oferecido durante o terceiro ano, era destinado aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos de pai e às viúvas.
As opiniões diferem em relação a esse terceiro dízimo. De acordo com Josefo ele era, na verdade, um terceiro dízimo oferecido a cada três anos, do qual os levitas e os sacerdotes eram obrigados a participar. Outros afirmam que a cada três anos, o segundo dízimo, ou dízimo da festa, era oferecido aos pobres em casa, invés de ser levado a Jerusalém.
O pagamento do dízimo não era obrigatório, mas uma questão de consciência perante o Senhor. O povo deveria obedecer a estes decretos com todo coração e alma (Dt 26.16). A cada três anos deveria ser feita uma solene declaração no último dia da Páscoa, dizendo o seguinte: “Obedeci à voz do Senhor, meu Deus; conforme tudo o que me ordenaste, tenho feito” (Dt 26.14).

Dízimo nos tempos de Jesus mas ainda na antiga aliança

A nova aliança inicia-se quando Jesus é assunto aos céus, isso significa que as narrativas da vida de Jesus são regidas pela antiga aliança, uma vez que para a nova aliança ter inicio, Cristo precisava morrer.

Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança.

No caso de um testamento, é necessário que comprove a morte daquele que o fez; pois um testamento só é validado no caso de morte, uma vez que nunca vigora enquanto está vivo aquele que o fez. – Hebreus 9:15-17

Embora haja algumas passagens mencionando o termo dízimo no novo testamento, todas as vezes ainda é feita sob a antiga aliança, no entanto Jesus não faz nenhuma exortação contrariando a prática, exemplo:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas. – Mateus 23:23

Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho – Lucas 18:12

Ai de vocês, fariseus, porque dão a Deus o dízimo da hortelã, da arruda e de toda a sorte de hortaliças, mas desprezam a justiça e o amor de Deus! Vocês deviam praticar estas coisas, sem deixar de fazer aquelas. – Lucas 11:42

Na nova aliança

Na nova aliança há uma passagem que refere-se ao dízimo, Hb 7. 1-10; Eis as lições desse texto:

  • O Pai da fé deu dízimo de tudo – v. 2;
  • O pai da fé deu o dízimo do melhor – v. 4;
  • A entrega dos dízimos se deu não por pressão da lei, uma vez que o povo israelita ainda não existia e, portanto, muito menos a lei judaica – v. 6;
  • Hebreus nos faz perceber e reconhecer a superioridade do valor do dízimo que é dado a Cristo (imortal) em relação ao dado aos sacerdotes (mortais) – v. 8;
  • O autor destaca que os que administram os dízimos também devem ser dizimistas – v. 9.

Ser ou não ser dizimista é uma questão de acreditarmos na causa que abraçamos, na “pérola que encontramos.” Se não houvesse a necessidade de dizimar, por que nem Jesus nem os apóstolos não fizeram menção contraria a essa prática? Haja vista que em diversas passagens Jesus e/ou os apóstolos reformularam, anulando algumas práticas veterotestamentárias. Por exemplo, quando quiseram continuar com a prática do que seria adultério, veja como Jesus opôs-se reformulando o conceito:

Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’.
Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. – Mateus 5:27,28

Alguns homens desceram da Judéia para Antioquia e passaram a ensinar aos irmãos: “Se vocês não forem circuncidados conforme o costume ensinado por Moisés, não poderão ser salvos”.
Isso levou Paulo e Barnabé a uma grande contenda e discussão com eles. Assim, Paulo e Barnabé foram designados, juntamente com outros, para irem a Jerusalém tratar dessa questão com os apóstolos e com os presbíteros. – Atos 15:1,2

Por que Jesus nem os apóstolo não rejeitaram essa prática?

Ainda na Nova Aliança

Embora a palavra dízimo,  δεκατη dekate =  décima parte de algo, não aparece em outras ocasiões da nova aliança, há inúmeras passagens falando de GENEROSIDADE. A bíblia ensina que a igreja  (seus membros) devem doar recursos financeiros, embora não o chame de dízimo, o principio permanece inalterado.

Se alguma mulher crente tem viúvas em sua família, deve ajudá-las. Não seja a igreja sobrecarregada com elas, a fim de que as viúvas realmente necessitadas sejam auxiliadas. Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: “Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal”, e “o trabalhador merece o seu salário – 1 Timóteo 5:16-18

O exemplo acima citado menciona que o “obreiro” deve receber SALÁRIO, como poderia receber sem que a igreja venha contribuir ?

O que prevalece na nova aliança realmente não é a obrigatoriedade do cumprimento da lei, mas o principio que ela nos ensinou, ainda acerca não mais de dízimo, mas agora sobre o principio de generosidade Paulo ensina:

Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra. – Romanos 7:6

Assim, por exemplo, quando o apóstolo Paulo dá instruções sobre como devemos dar, ele nunca nos instrui a deixar o dízimo de lado. Ele diz coisas como:

No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar. –  I Co 16.2

E então, o apóstolo Paulo diz em II Coríntios 8.3 que nós deveríamos dar de acordo com a medida de nossas posses:

“Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários.”

E em II Coríntios 9.6-7, o apóstolo Paulo descreve o dar com o qual Deus se deleita:

“E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”

Assim, a questão aqui não é que nós deveríamos ser governados por porcentagens ou pela lei do antigo testamento. Elas não são obrigatórias. Ao invés disto, nós deveríamos ser governados pela generosidade pródiga e sacrificial que transborda livremente e alegremente.

O ensino de Paulo sobre GENEROSIDADE é que devemos ofertar com coração alegre, sistematicamente e proporcionalmente.

Negar esse principio é negar as escrituras. Hoje muitos crentes não são fiéis a Deus na entrega dos dízimos. Para justificar esta atitude criam vários justificativas e desculpas. Se dependessem deles a igreja fecharia as portas. Não existiria templos, nem pastores, nem missionários, nem bíblias distribuídas, nem assistência social.
Eis as justificativas clássicas dos não-dizimistas:

I. JUSTIFICATIVA TEOLÓGICA
Ah, eu não sou dizimista, porque DÍZIMO é da lei. E eu não estou debaixo da lei, mas sim da graça.
Sim! O dízimo é da lei, é antes da lei e é depois da lei. Ele foi sancionado por Cristo. Se é a graça que domina a nossa vida, porque ficamos sempre aquém da lei? Será que a graça não nos motiva a ir além da lei?
Veja: a lei dizia: Não matarás = EU PORÉM VOS DIGO AQUELE QUE ODIAR É RÉU DE JUÍZO
a lei dizia: Não adulterarás = EU PORÉM VOS DIGO QUALQUER QUE OLHAR COM INTENÇÃO IMPURA…
a lei dizia: Olho por olho, dente por dente = EU PORÉM VOS DIGO: SE ALGUÉM TE FERIR A FACE DIREITA, DÁ-LHE TAMBÉM A ESQUERDA.
A graça vai além da lei: porque só nesta questão do dízimo, ela ficaria aquém da lei? Esta, portanto, é uma justificativa infundada.

II. JUSTIFICATIVA SENTIMENTAL
Muitos dizem: A bíblia diz em II Co 9.7 “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” = espontânea e com alegria.
Perguntamos também: O que estará acontecendo em nosso coração que não permite que não tenhamos alegria em dizimar? Em sustentar a Causa que abraçamos e defendemos?

III. JUSTIFICATIVA FINANCEIRA
“O que eu ganho não sobra ou mal dá para o meu sustento.
1) O dízimo não é sobra = Dízimo é primícias. “Honra ao Senhor com as primícias da tua renda.” Deus não é Deus de sobras, de restos. Ele exige o primeiro e o melhor.
2) Contribua conforme a tua renda para que a tua renda não seja conforme a tua contribuição = Deus é fiel. Ele jamais fez uma exigência que não pudéssemos cumprir.
3) Se não formos fiéis, Deus não deixa sobrar = Ageu diz que o infiel recebe salário e o coloca num saco furado. Vaza tudo. Foge entre os dedos. Quando somos infiéis fechamos as janelas dos céu com as nossas próprias mãos e espalhamos o devorador sobre os nossos próprios bens.

IV. JUSTIFICATIVA ASSISTENCIAL
“Prefiro dar meu dízimo aos pobres. Prefiro eu mesmo administrar meu dízimo.
“ A Bíblia não nos autoriza a administrar por nossa conta os dízimos que são do Senhor. O dízimo não é nosso. Ele não nos pertence. Não temos o direito nem a permissão nem para retê-lo nem para administrá-lo.
A ordem é: TRAZEI TODOS OS DÍZIMOS À CASA DO TESOURO PARA QUE HAJA MANTIMENTO NA MINHA CASA. A casa do Tesouro é a congregação onde assistimos e somos alimentados.
Mas será que damos realmente os “nossos” dízimos aos pobres? Com que regularidade? Será uma boa atitude fazer caridade com a parte que não nos pertence?

V. JUSTIFICATIVA POLÍTICA
“Eu não entrego mais os meus dízimos, porque eles não estão sendo bem administrados.”
Não cabe a nós determinar e administrar do nosso jeito o dízimo do Senhor que entregamos. Se os dízimos não estão sendo bem administrados, os administradores darão conta a Deus. Não cabe a nós julgá-los mas sim Deus é quem julga. Cabe a nós sermos fiéis.
Não será também que esta atitude seja aquela do menino briguento, dono da bola, que a coloca debaixo do braço sempre que as coisas não ocorrem do seu jeito?
Deus mandou que eu trouxesse os dízimos, mas não me nomeou fiscal do dízimo.

VI. JUSTIFICATIVA MÍOPE
“A igreja é rica e não precisa do meu dízimo.”
Temos conhecimento das necessidades da igreja? Temos visão das possibilidades de investimento em prol do avanço da obra? Estamos com essa visão míope, estrábica, amarrando o avanço da obra de Deus, limitando a expansão do Evangelho?
AINDA, não entregamos o dízimo para a igreja. O dízimo não é da igreja. É DO SENHOR. Entregamo-lo ao Deus que é dono de todo ouro e de toda prata. Ele é rico. Ele não precisa de nada, mas exige fidelidade. Essa desculpa é a máscara da infidelidade.

VII. JUSTIFICATIVA CONTÁBIL
“Não tenho salário fixo e não sei o quanto ganho.”
Será que admitimos que somos maus administradores dos nossos recursos? Como sabemos se o nosso dinheiro dará para cobrir as despesas de casa no final do mês?
Não sabendo o valor exato do salário, será que o nosso dízimo é maior ou menor do que a estimativa? Porque ficamos sempre aquém da estimativa? Será auto-proteção? Será desinteresse?

VIII. JUSTIFICATIVA ECLESIOLÓGICA
“Não sou membro da igreja”
Acreditamos mesmo que os nossos deveres de cristãos iniciam-se com o Batismo e a Profissão de Fé ou com a inclusão do nosso nome num rol de membros?
Não será incoerência defendermos que os privilégios começam quando aceitamos a Cristo: (o perdão, a vida eterna) e os deveres só depois que nos tornamos membros da igreja? Somos menos responsáveis pelo crescimento do Reino de Deus só porque não somos membros da igreja?

Para os desigrejados (quem não faz parte de uma igreja local ou denominação), qualquer sistema de contribuição com a instituição religiosa é visto com antipatia, pois são esses recursos que mantêm a instituição eclesiástica. Para alguns igrejados (que pertence a uma igreja local ou denominação) o dízimo não tem sido dado a devida atenção, em virtude dos desafetos com o abuso dos líderes eclesiásticos, criou-se uma repulsa aos assuntos relacionados a dinheiro, dízimos, contribuições para uma igreja local, quando segundo caso é a motivação vale lembrar que os reformadores ao se depararem com o mau uso das doutrinas bíblicas não negaram a validade delas, mas fizeram com que se retornasse a elas como deveria ser, negar as escrituras com base nos erros de autoridades eclesiásticas é negar também a reforma, além do que não se encontra nenhum reformador, pai da igreja ou um grande teólogo refutando tal ensino. Por isso acho que aqueles que negam esse ensino são os mesmos que vivem trocando de igrejas, sem nunca  relacionar-se com o corpo de Cristo, sua igreja.

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. – 2 Timóteo 3:1-5
Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece, e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los. Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. – Tiago 1:21-24
Sola Scriptura

Jesus e os pobres, nenhuma semelhança com o socialismo

Hoje a pobreza é quase tão comum quanto as doenças. Na época do ministério terreno de Jesus, essa realidade era muito mais forte. Nos Evangelhos, Jesus curava com muita frequência, principalmente os pobres. Contudo, mesmo encontrando multidões de pobres diariamente, ele só os alimentou em duas ocasiões específicas, não porque simplesmente eles eram pobres, porém porque nessas ocasiões as multidões vieram ouvir o Evangelho cedo de manhã e permaneceram com ele três dias inteiros ouvindo o Evangelho. As multidões passaram tanto tempo ouvindo a Palavra de Deus dos lábios de Jesus que ficou muito tarde, quase de noite, no terceiro dia para voltarem e se alimentarem, pois o lugar em que estavam era deserto e distante, longe de casas e lugares onde poderiam encontrar alimento.

Não há a menor dúvida de que se os adeptos do Evangelho social estivessem no lugar de Jesus, eles alimentariam os pobres já no primeiro dia e todos os dias, ou então utilizariam a maior parte de seu tempo não para proclamar e demonstrar o Evangelho do Reino de Deus, mas para pressionar as autoridades para cobrarem mais impostos para ajudar os pobres.

O Evangelho social dos evangélicos progressistas (ou esquerdistas, petistas, comunistas, socialistas, adeptos da teologia da libertação ou qualquer outro rótulo que eles utilizem) é tão convidativo quanto a visitação de um anjo de luz trazendo um evangelho cheio de propostas interessantes para os pobres. Mas assim como nem tudo que reluz é ouro, nem tudo o que tem aparência angelical é de Deus.

Tal qual os evangélicos progressistas, a igreja primitiva tinha também uma preocupação obsessiva de ajudar todos os pobres da sociedade? A igreja primitiva tinha como principal missão pressionar o governo para “ajudar” todos os pobres? Não. A igreja primitiva não só não ajudava todos os pobres da sociedade, como também era extremamente seletiva na assistência aos pobres que estavam em seu meio.

Quando a nação de Israel estava passando por uma crise geral de fome, Paulo mobilizou as igrejas de outros países para ajudar — não os pobres em geral da nação de Israel, mas somente as igrejas, que também estavam passando necessidade. E mesmo nas igrejas, a ajuda não era dada a qualquer pessoa.

A ajuda de Paulo era distribuída dentro das igrejas judias. E qual era o padrão que Paulo utilizava para ajudar quem era da igreja? Uma boa pista de como Paulo e as igrejas procediam na assistência aos pobres encontra-se no texto em que Paulo trata da questão das viúvas pobres nas igrejas. De acordo com Paulo, essas viúvas pobres só poderiam receber assistência material da igreja se tivessem demonstrado bom testemunho durante sua vida. Paulo recomenda a Timóteo, um dos pastores sob sua liderança:

“Cuide das viúvas que não tenham ninguém para ajudá-las. Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, são eles que devem primeiro aprender a cumprir os seus deveres religiosos, cuidando da sua própria família. Assim eles pagarão o que receberam dos seus pais e avós, pois Deus gosta disso. A verdadeira viúva, aquela que não tem ninguém para cuidar dela, põe a sua esperança em Deus e ora, de dia e de noite, pedindo a ajuda dele. Porém a viúva que se entrega ao prazer está morta em vida. Timóteo, mande que as viúvas façam o que eu aconselho para que ninguém possa culpá-las de nada. Porém aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que os que não crêem. Coloque na lista das viúvas somente a que tiver mais de sessenta anos e que tiver casado uma vez só. Ela deve ser conhecida como uma mulher que sempre praticou boas ações, criou bem os filhos, hospedou pessoas na sua casa, prestou serviços humildes aos que pertencem ao povo de Deus, ajudou os necessitados, enfim, fez todo tipo de coisas boas.” (1 Timóteo 5:3-10 NTLH, o destaque é meu.)

Contudo, os evangélicos progressistas têm ambições muito mais elevadas para “ajudar” as viúvas e outros necessitados. Eles não querem simplesmente que as igrejas ajudem todos os pobres. Eles querem que o governo faça isso. Na proposta deles, os nossos recursos, através de impostos, seriam redistribuídos pelo governo para atender às necessidades dos pobres, quer esses necessitados mereçam ou não. Se não é justo quem trabalhou não receber o que merece, também não é justo o imposto do trabalhador se escoar na assistência a pobres que vivem na imoralidade ou outros tipos de perversão. Afinal, ao contrário das pregações “proféticas” dos progressistas, a corrupção, o mal, a imoralidade e a perversão não são qualidades exclusivas dos ricos.

A Bíblia é bem clara que todos são pecadores: ricos e pobres, pretos e brancos, etc. A Bíblia também é bem clara na orientação para a igreja de quem dos necessitados merece a assistência da igreja. A igreja tem o chamado de ajudar, sob a direção da Palavra de Deus, e tem o chamado igual de fazer uma triagem de quem merece e não merece ajuda. Só os pobres moralmente aptos são qualificados. Tal norma não era legalismo, mas medida prudente. Seu autor, o apóstolo Paulo, era um ardente combatente contra o legalismo, sempre condenando-o. Assim, quem tentasse julgar essa triagem necessária como legalismo estaria apenas fazendo julgamento precipitado e cruel da preciosa direção de Paulo à igreja em suas responsabilidades para com os necessitados.

Precisamos então aprender com Jesus a ter como principal preocupação levar os Evangelho aos pobres. E precisamos aprender com Paulo a ajudar os pobres com amor e prudência. É claro que essa tarefa só pode ser melhor realizada pela igreja. Por mais boa vontade que o governo tenha em cumprir tudo o que os progressistas desejam, a fria máquina governamental jamais saberia aplicar os princípios bíblicos, pois não pode substituir nem a Deus nem a igreja, embora lute incansavelmente para ocupar ambas as posições.


Autor: Júlio Severo

Homossexualidade na bíblia

MALAKOI E ARSENOKOITAI

Recentemente levei à igreja um estudo intitulado “O que a bíblia ensina sobre homossexualidade?” e dentro do contexto que estudávamos essas palavras foram e são necessárias para uma compreensão real sobre o assunto.

Malakoi e arsenokoitai, podem ser encontradas em duas passagens diferentes do Novo Testamento.

Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais (μαλακος malakos e αρσενοκοιτης arsenokoites) passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. (1 Coríntios 6:9,10 – NVI)

Sabemos que a lei é boa, se alguém a usa de maneira adequada. Também sabemos que ela não é feita para os justos, mas para os transgressores e insubordinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreverentes, para os que matam pai e mãe, para os homicidas, para os que praticam imoralidade sexual e os homossexuais (αρσενοκοιτης arsenokoites), para os seqüestradores, para os mentirosos e os que juram falsamente; e para todo aquele que se opõe à sã doutrina. (1 Timóteo 1:8-10 – NVI)

Quase todas as versões da bíblia ligam explicitamente arsenokoitai ao comportamento homossexual. A outra palavra em questão, malakoi, já não tem a mesma uniformidade, mas ao analisarmos o original grego e as principais traduções , podemos observar que ela se refere a algum tipo de pecado relacionado à homossexualidade.

Antes porem de entrarmos diretamente no assunto em questão, é necessário considerarmos algumas questões relacionadas à definições de palavras bíblicas.

  1. As versões bíblicas estão geralmente certas, em especial quando dizem, em essência, a mesma coisa. Pense nisso: cada versão da bíblia foi elaborada por uma equipe de estudiosos com especialização em erudição bíblica e nas línguas originais. Isso não significa que eles não cometem erros ou que não podem aprender coisas novas, que ignoraram. Mas significa que, depois de ler algum comentários e/ou examinar algum artigo na internet, você não conhecerá o mundo antigo ou o grego koinê melhor que eles conheciam. Nossas traduções da bíblia, por mais imperfeitas que possam ser, são traduções fieis e confiáveis das línguas originais. Não precisamos de decodificação.
  2. As palavras têm um campo semântico. Isto é uma maneira sofisticada de dizer que as palavras nem sempre significam exatamente a mesma coisa. Usando um exemplo da bíblia, pense na palavra mundo. Essa palavra pode se referir ao caminho caído da humanidade que não devemos amar (1 João 2:15-17), ou à raça humana caída que Deus amou tanto (João 3:16). Ao determinar o que as palavras específicas significam na bíblia, pode ser proveitoso ver  a mesma palavra usada em outro texto grego. Mas precisamos ser cuidadosos. Os exemplos que achamos são frequentemente de autores diferentes, que escreveram de lugares e para pessoas diferentes e viveram em séculos diferentes. Ver como uma palavra discutida foi usada no mundo antigo nos coloca no território das definições, mas raramente estudos de palavras serão decisivos, em especial se tivermos de ir muito longe do texto. Então, como saberemos o que as palavras significam?
  3. O contexto é o segredo. O passo mais importante para definir palavras difíceis é ver como elas são usadas no fluxo do texto. Que outras palavras estão ao seu redor? Que argumento o autor está tentando formular? Como ele usa a palavra em outros lugares do mesmo texto? A palavra é usada em outro texto pelo mesmo autor? O significado lexical é melhor determinado por olharmos os círculos concêntricos que começam pequenos e se movem para fora. Platão, um filosofo grego que viveu 400 anos antes de Paulo, não é tão relevante para entendermos Paulo quanto Filo, um filosofo judeu quase contemporâneo de Paulo. E pesquisar a obra de Filo não é quase tão crucial quanto entender a formação cultural de Paulo, examinar as sentenças de Paulo e traçar os argumentos de Paulo.

Mas o que realmente essas duas palavras significam?

Arsenokoitai

Na literatura grega existente, não há exemplos de arsenokoitai anterior ao uso que Paulo fez desse termo em 1 Coríntios e 1 Timóteo. A palavra é composta de homem (arsên) e cama (koitê) e poderia ser traduzida, literalmente, por “deitadores de homens na cama” ou “aqueles que levam machos para a cama“. Muito provavelmente Paulo cunhou a palavra a partir das proibições contra o comportamento homossexual em Levítico 18 e 20. Lembre da formação cultural de Paulo: ele era um judeu, da tribo de Benjamim, instruído pelo famoso Gamaliel e educado de acordo com a forma mais rígida da lei de seus pais (Atos 2:23; Filipenses 3:5-6). Paulo conhecia as Escritura muito melhor do que conhecia quaisquer outros escritos. Se as peças de Shakespeare estão permeadas de alusões e imagens bíblicas, o que dizer dos escritos e pensamentos de  Paulo – um fariseu treinado impecavelmente e o eminente teólogo da igreja primitiva?

Não é necessário que você seja um erudito em grego para ver como Paulo obteve de Levítico a palavra arsenokoitai. Essa palavra é quase certamente extraída do código de santidade de Levítico. É claro que em 1 Timóteo 1:9-10 Paulo, ao falar de arsenokoitai, estava pensando de modo amplo sobre os pecados proibidos pelo decálogo: “parricida e matricida” (quinto mandamento), “homicida” (sexto mandamento), “raptores de homens”  (oitavo mandamento), “mentirosos, perjuros” (nono mandamento). Nenhum judeu pensava que os Dez mandamentos permitiam a intimidade sexual homossexual, por isso nenhum deles ficaria surpreso em ver o comportamento homossexual – ou adultério, ou fornicação, ou prostituição, ou incesto, ou bestialidade, ou qualquer outra atividade sexual fora do casamento – incluído numa lista de pecados escrita pelo apóstolo Paulo.

Se Paulo queria chocar Timóteo, desconcertar seus amigos judeus e destruir a moral prevalecente na igreja primitiva, por admitir relações homossexuais consensuais, ele teria usado uma maneira obscura de introduzir essa mudança radical. Por que não usou a palavra paiderastes (pederastas, homens adultos que fazem sexo com rapazes), se isso era tudo que ele tinha em mente? De modo semelhante, se Paulo queria apenas seus leitores soubessem que ele estava se referindo apenas a formas abusivas de homossexualidade, não teria cunhado um termo a partir de uma porção da lei de Moisés em que todo sexo que envolve homem com homem é proibido. Paulo se opunha apenas a formas abusivas de incestos em 1 Coríntios 5? Na segunda metade de 1 Coríntios 6, ele estava dizendo para fugirem apenas das formas abusivas de adultério, fornicação e prostituição? Devemos supor realmente que Paulo = logo depois de ordenar a excomunhão por causa de pecado sexual (5:4-5,13), de fazer referencia à lei de Moisés (6:9) e antes de amparar a sua ética sexual na história da criação de Gênesis – queria dizer: “Obviamente, não estou falando em dois homens adultos que estão num relacionamento de longa duração”? E, se ele tencionava transmitir essa mensagem aos coríntios ou a Timóteo, como isso teria sido óbvio para eles?

Com base na etimologia da palavra e de suas raízes em Levítico, podemos ficar certos de que arsenokoitai carrega o significado básico “homens que fazem sexo com outros homens”. Sodomitas não é uma boa tradução, porque não há nada em 1 Coríntios ou em 1 Timóteo que ligue arsenokoitai com a história de Sodoma e Gomorra. De modo semelhante, “homossexuais” não deixa suficientemente claro se estamos falando de todos que experimentam atração homossexual ou daqueles que se identificam como gay ou algo mais. As melhores traduções comunicam a noção de atividade; arsenokoitai se refere a homens engajados em comportamento homossexual. É torpeza que  Paulo descreve em Romanos1:27 como sendo cometida arsenes en arsesin (homens em homens). Esta é a razão porque as antigas traduções do Novo Testamento traduzem arsenokoitai como “homens que se deitam com homens” (Latina), “aqueles que se deitam com homens”(Siríaca) e “deitando-se com homens” (Copta).

Malakoi

O léxico padrão do Novo Testamento lista duas definições: “ser maleável ao toque” e “ser passivo em uma relação homossexual”. A palavra pode significar delicado, como em roupas finas ( Mateus 11:8; Lucas 7:25) ou efeminado, como em homens que são penetrados (como uma mulher seria) por outros homens.

Paulo poderia estar usando a palavra de maneira mais ampla para se referir a homens que haviam se tornado imensamente femininos em aparência ou comportamento? É possível que isso seja parte do que Paulo tencionava dizer ao usar malakoi, mas é impossível que seja tudo que Paulo queria dizer. Paulo considerava uma desgraça o homem tem cabelo semelhante ao de mulher (1 Coríntio 11:14), mas nunca sugeriu que estilos de cabelo traziam risco à posição eterna  diante de Deus. Seria estranho – e intolerável para a maioria dos cristãos do lado revisionista – pensar que Paulo estava excluindo do reino de Deus homens que tinham anseio por roupas finas e comédias romântica; malakoi deve se referir a algo muito mais sério.

A lista de pecados, em 1 Coríntios 6, foi elaborada especificamente para os coríntios. Nos capítulos 5 e 6, há uma série de erros (“nem impuros [sexualmente imorais], nem idólatras [que podem incluir noções de pecados sexuais], nem adúlteros, nem malakoi, nem arsenokoitai ” [6:9]) relacionado aos problemas de pecado sexual na igreja. Depois, há mais cinco pecados (“nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores” [6:10]) relacionados aos problemas da igreja referente à Ceia do Senhor, no capítulo 11. Espremida entre adúlteros (moichoi) e homens que praticam a homossexualidade (arsenokoitai), malakoi deve se referir a algum tipo de intimidade sexual imoral, não apenas a um padrão efeminado de maneira de falar, de comportamento ou de paixões.

Este entendimento de malakoi e arsenokoitai se harmoniza com o consenso das traduções modernas da bíblia, se harmoniza com a ética vétero-testamentario, se harmoniza com o treinamento que Paulo teria recebido de um erudito judeu e, acima de tudo, se harmoniza com contexto do argumento de  Paulo. É como se 1 Coríntios 6 estivesse dizendo: “Não vos enganeis: os sexualmente imorais não herdarão o reino de Deus, e isto inclui aqueles que fazem sexo como parte de um ritual pagão, aqueles que fazem sexo com alguém que não seja sua esposa, homens que fazem papel passivo na atividade homossexual e – em concordância com a proibição geral que se acha na Torá – qualquer macho que faz sexo com outro macho”. As palavras debatidas não são tão amplas que chegam a incluir comportamento heterossexual efeminado ou tão restritas que excluem tudo, exceto comportamento homossexual abusivo. Ambos os termos se referem a homens que fazem sexo com outros homens, os parceiros ativos e os passivos. Paulo está dizendo o que achamos difícil de ouvir, mas que o resto da bíblia apoia e a maior parte da história da igreja tem admitido: a atividade homossexual não é uma bênção a ser celebrada a solenizada, e sim um pecado que precisa de arrependimento, perdão e abandono.

Glória somente a Deus

O plano de Deus para a Salvação

Muitas pessoas sabem sobre Deus, mas poucas tiveram um encontro com Ele a ponto de mudar suas vidas. Para se ter um relacionamento pessoal com o Deus vivo é preciso entender e aceitar cinco verdades que explicarei abaixo. Primeiro, analise se você é capaz de responder “sim” a esta pergunta: “Se você morresse hoje, você sabe onde passaria a eternidade?” Se sim, em que você está se baseando para afirmar isso? Se a sua resposta foi “não”, ou se não tem certeza, este é o momento de você saber. Conheça as cinco verdades:

1) Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida 

Na Bíblia existem muitas passagens que falam sobre o quanto Deus nos ama. O maior exemplo disso foi quando Ele enviou Seu Filho Jesus ao mundo para morrer por nossos pecados. Mas ainda hoje, Ele cuida de você e tudo o que Ele mais quer é ter um relacionamento contigo.

2) Todos são pecadores e estão separados de Deus 

É muito comum as pessoas acreditarem que existem vários caminhos para se chegar a Deus. Há muitas religiões em todo o mundo e em cada uma delas há pessoas boas e honestas. Então, pode parecer estranho saber que elas não serão aceitas no céu, já que fazem tantas coisas boas. Mas a verdade é que todos nós somos pecadores, e somente um pecado é suficiente para nos separar de Deus, pois Ele é santo. Veja:

Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23).

Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23).

Como você pode imaginar, isso é um grande problema, já que não conseguimos deixar de cometer pecados. Em algum momento acabaremos mentindo, cobiçando algo que não é nosso, usando o nome do Senhor em vão etc. Dessa maneira, jamais conseguiremos alcançar o favor de Deus por conta própria. Porém, quando tudo parecia perdido, a próxima verdade resolve o nosso problema.

3) Jesus Cristo é a única provisão de Deus para o pecado 

Nunca seremos bons o suficiente, por isso precisamos de um Redentor, alguém que possa apagar os nossos pecados. Então, Deus, por nos amar tanto, entregou Jesus para ser o sacrifício pelos nossos pecados. Ele sofreu o castigo que nós merecíamos.

Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5:8).

A morte de Jesus pagou a dívida de todos os nossos pecados passados e até mesmo daqueles que ainda cometeremos no futuro. E ao terceiro dia, Deus O ressuscitou dos mortos e O colocou à Sua direita para ser o nosso intermediador.

4) Jesus Cristo é o único caminho para Deus 

Parece simples, mas muitas pessoas ainda acreditam que existem outros “caminhos” que levam a Deus ou outras formas de alcançarem a salvação. Este engano tem mantido as pessoas longe da verdade de Jesus Cristo.

Respondeu Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14:6).

Entenda que, ser uma boa pessoa, acreditar em Deus e fazer o melhor para serví-Lo, não é suficiente para ser um cristão. É preciso aceitar o Filho de Deus – Jesus, como o único caminho e o único meio de salvação para a humanidade.

O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele?” (João 3:35,36).

5) Você precisa receber Jesus como único Salvador e Senhor

Para morar no céu, você precisa receber Jesus como seu único Salvador e Senhor. A Bíblia diz:

Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação” (Romanos 10:9,10).

Abaixo está uma simples oração de salvação. Abra o seu coração e ore neste momento. Deus está esperando ouvir da sua boca estas palavras: “Jesus, eu preciso do Senhor na minha vida. Eu reconheço que pequei, e eu venho a Ti confessá-los e pedir o Seu perdão. Obrigado por morrer na cruz pelos meus pecados. Eu creio que Tu és o Filho de Deus e que ressuscitou dos mortos e está vivo hoje. Por isso eu abro o meu coração e te recebo como meu Salvador e Senhor. Obrigado por perdoar meus pecados e me dar a vida eterna. Por favor, dirija a minha vida daqui para a frente e me transforme para que eu faça a Tua vontade e não a minha. Em nome de Jesus, amém.

Você orou com sinceridade pedindo para Jesus para entrar em sua vida? Se sim, a Bíblia diz que você foi salvo, não pelos seus esforços, mas pela graça de Deus (favor imerecido):

Vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus, não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).

Quando recebemos a Jesus Cristo, nascemos na família de Deus através da obra sobrenatural do Espírito Santo, que habita em cada crente. Isso se chama “novo nascimento” e é apenas o começo de uma nova vida maravilhosa que Deus tem para você.

Para aprofundar esta relação, você deve: 

. Ler a sua Bíblia para conhecer melhor a Jesus.
. Falar com Deus em oração todos os dias.
. Dizer às outras pessoas a respeito de Jesus.
. Ter comunhão com cristãos em uma igreja onde Jesus é pregado.
. Demonstrar sua nova vida através do amor ao próximo.

Encontrando paz nas tempestades da vida

Marcos 4:35-39

Naquele dia, ao anoitecer, disse ele aos seus discípulos: “Vamos atravessar para o outro lado”. Deixando a multidão, eles o levaram no barco, assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam. Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que este foi se enchendo de água. Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: “Mestre, não te importas que morramos? ” Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao mar: “Aquiete-se! Acalme-se! ” O vento se aquietou, e fez-se completa bonança. Então perguntou aos seus discípulos: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé? ” Eles estavam apavorados e perguntavam uns aos outros: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem? ”

Na passagem bíblica de Marcos 4:35-41, somos transportados para um cenário de tempestade e agitação. É uma narrativa que transcende o tempo e ressoa em nossos próprios desafios diários. Jesus e seus discípulos embarcam em um barco, e logo uma grande tempestade desencadeia suas forças contra a frágil embarcação.

Assim como os discípulos enfrentaram essa tempestade, também nós, em nossas vidas, nos deparamos com adversidades. Às vezes, essas dificuldades parecem tão avassaladoras que questionamos se conseguiremos atravessá-las. É aqui que a mensagem central desta passagem nos alcança de maneira profunda e transformadora.

A tempestade no mar é uma metáfora poderosa para as tempestades que enfrentamos em nossas próprias jornadas. Elas vêm em muitas formas: a incerteza do futuro, as tribulações da vida cotidiana, as perdas que nos deixam de coração partido. Entretanto, a maior tempestade que enfrentamos é a tempestade em nosso próprio coração. São as tormentas da dúvida, do medo e da ansiedade que muitas vezes ameaçam nos submergir.

No meio da agitação, encontramos Jesus, que está dormindo no barco. Sua serenidade diante da tempestade é um poderoso lembrete de que Ele é o Príncipe da Paz, aquele que governa sobre todas as circunstâncias, não importa quão caóticas pareçam. Encontrar Jesus no meio da tempestade é o primeiro passo para encontrar a paz.

Os discípulos, cheios de temor, acordam Jesus e clamam por socorro. E Jesus, com uma única palavra, acalma a tempestade e restaura a calmaria. Ele pergunta: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?” Esta pergunta ressoa em nossos próprios corações. Com frequência, em meio às nossas tempestades, esquecemos que temos um Salvador que está sempre conosco, capaz de acalmar as tormentas mais violentas.

A lição é clara: não devemos deixar o medo e a ansiedade dominarem nossos corações. Em vez disso, devemos confiar na presença constante e no poder de Jesus para nos guiar através das tempestades da vida. Quando confiamos em Deus, podemos descansar, mesmo em meio à maior tempestade que enfrentamos, porque sabemos que Ele está no controle.

Ao refletir sobre Marcos 4:35-41, somos lembrados de que, embora as tempestades possam ser avassaladoras, a paz de Deus transcende qualquer circunstância. Podemos enfrentar nossas próprias tempestades com coragem e fé, sabendo que o mesmo Jesus que acalmou o mar agitado está conosco em nossas lutas.

Portanto, descanse em Deus, mesmo quando as ondas da vida parecem ameaçar nos afogar. Que possamos confiar que Ele é o nosso refúgio seguro, e que em Sua presença encontramos a paz que excede todo entendimento, independentemente das tempestades que enfrentamos.

Soli Deo gloria

A sabedoria do silêncio

“Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio” (Provérbios 17:28).

O Filósofo e Matemático francês Blaise Pascal tinha razão quando disse: “A maior parte dos problemas do homem decorre de sua incapacidade de ficar calado”. Sobre isso, o texto sagrado também apresenta lições preciosas. Vejamos:

Primeira, a sabedoria não raras vezes é percebida pelo nosso silêncio. Às vezes, não são as muitas palavras que evidenciam uma pessoa sábia, mas sua capacidade de ficar calada. Precisamos lembrar com certa frequência do velho ditado popular: “Boca fechada não entra mosquito”.

 

Segunda, o silêncio é pedagógico. O silêncio ensina até um tolo. Diz o texto: “Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio”. Os problemas não se agigantam quando ficamos calados, mas quando falamos muito e sem discernimento.

Terceira, aprender a ficar calado em certas ocasiões pode ajudar as pessoas a mudarem conceitos a seu respeito. Novamente o texto diz: “Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio”. O tolo calado é visto como sábio.

Nem bem a morte do candidato à Presidência da República Eduardo Campos em um acidente aéreo, nesta quarta (13), foi confirmada e surgiram comentários com afirmações de mau gosto ou inferências políticas bizarras nas redes sociais.

Pessoas pedindo para que, no lugar de Campos, naquele jatinho, estivesse Aécio ou Dilma. Ou colocando a culpa em um ou em outro pelo acidente.

Não, isso não é piada. Muito menos revolta contra a política.

Há outro nome para esse tipo de ignomínia, para essa incapacidade crônica de sentir empatia com os passageiros de um avião que cai e com as pessoas que estavam em solo. Talvez essa impossibilidade de se reconhecer no outro e demonstrar algum apreço pela vida humana seja alguma forma de psicopatia grave.

O que não surpreende, pois tem o mesmo DNA das discussões estéreis e violentas levadas a cabo na internet, sob anonimato ou não. Mas não deixa de chocar.

O que tem faltado é respeito, respeito a dor de quem perdeu não um político, mas uma vida, não, não sou partidário de Eduardo Campos, sou alguém fica chocado com a incapacidade da empatia de algumas pessoas.
À família e aos amigos de Campos e de sua equipe e aos feridos entre os moradores de Santos, minha solidariedade. Aos que fazem disso uma brincadeira ou uma chance para aparecer, e aos que se dizem apenas expressar seu pensamento, volto a afirmar:

“Até o tolo, quando se cala, é tido por sábio” (Provérbios 17:28).

Soli Deo gloria