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Fim de ano chegando, os filhos irão entrar de férias, muitos na igreja viajam, o clima é de descanso, festa e confraternizações. Foi nesse clima que alguns dias atrás conversando com um pastor amigo falei que mais uma vez iria à Fortaleza na minhas férias, foi quando o pastor se  mostrou surpreso com a informação de que pastor tira férias. Ao que parece, para ele isso era inconcebível… afinal, como um pastor pode  dar uma pausa nessa magnífica missão? Na sua compreensão havia, logicamente, algumas distorções.

Acreditem, essa não foi a primeira vez que me deparei com esse tipo de situação, alguém achando que pastor não cansa, que não precisa tirar férias, mas o fato é que pastores se cansam. Jesus se cansou. Não foram poucas as vezes que o Mestre se retirou para um monte para orar e descansar da demanda das multidões.

Mas o cansaço pastoral é bom sinal? Eu diria que sim, caso seja observado como um sinalizador para uma parada. Isso porque uma igreja que tem um pastor que se cansa pode ter consigo o privilégio de ter alguém que é humano e que tem realmente um coração pastoral.

O apóstolo Paulo, em Atos 20:28 mostra a necessidade de o pastor ter um sério compromisso consigo mesmo.

Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue. – Atos 20:28

O pastor precisa cuidar de si mesmo antes de cuidar do rebanho de Deus.
A vida do pastor é a vida do seu pastorado. Conheço inúmeros amigos pastores cansados da obra de Deus e ainda assim continuam a obra sem parar, esses, acham que precisam continuar cuidando dos outros sem cuidar de si mesmos.

Antes de pastorear os outros, precisamos pastorear a nós mesmos. A vida do pastor é a base de sustentação do seu ministério, aquilo que aconselhamos aos membros das nossas igrejas, nós devemos ser os primeiros a praticar. O ministério pastoral não é uma apólice de seguro contra o esgotamento físico, mental ou espiritual.

Atividades ministeriais com horários descabidos, pois o rebanho precisa ser apascentado e isso não tem hora, em muitos casos não dá pra agendar, a responsabilidade em lidar com a natureza humana, as pressões decorrentes dos setores da igreja (louvor, presbíteros, diáconos, etc), as finanças pessoais e ministeriais e tantas outras coisas que pairam na mente do pastor, o colocam em perigo. O pastor precisa se prevenir para que seu mundo interior não desmorone.

Entre nós pastores conheço também aqueles que dizem não necessitar de férias, a esses, gostaria que respondessem algumas perguntas: Sua mente acha que precisa, e seu corpo? Você acha justo com seus filhos e principalmente com sua esposa não tirar férias?

Infelizmente é fato que muitos pastores acreditam que não precisam de férias, mas se eu puder sugerir, verifique junto a sua família e em seu próprio corpo alguns sinais (sintomas) que devem ser encarados como alerta.

1. Peso institucional: há certas comunidades que possuem tanto “script” a ser cumprido que as relações perdem sua naturalidade e se tornam artificializadas. Todos ali cumprindo seus papéis, o que termina fomentando a criação de máscaras. A falta de autenticidade gera perda de combustível emocional, cansando os que ali estão.

2. O excesso de demanda também cansa. Há comunidades que absorvem demais o pastor. Ou porque são imaturas demais para poder lidar com suas questões, trazendo ao líder tudo que acontece; ou porque o pastor é tão bom que dá vontade de ficar perto dele o tempo todo. Não há “Moisés” que consiga se manter com saúde emocional diante de uma demanda que ultrapassa os limites do que é razoável. Igrejas imaturas não caminham sozinhas.

3. A crítica desgasta, especialmente aquela que é fruto de incompreensão. Pastores que são “julgados” numa determinada situação, quando os membros não sabem da história e passam a desconsiderar a trajetória daquele líder que diz exatamente o contrário do que se passou a pensar e a verbalizar sobre ele. Essa incompreensão desgasta muito e acaba por drenar a energia emocional do pastor.

4. Perseguição. Há alguns membros que elencam o pastor como alvo de suas frustrações. Outros, por motivações infernais, passam a perseguir o líder. Como ao pastor não cabe retribuir na mesma moeda, a perseguição o conduz para o enfado e, não raras vezes, à precipitação do tempo de ministério pastoral numa localidade.

5. Desgaste familiar. A família pastoral é composta de gente. Por esta razão, sofre por vezes com conflitos. Nem o pastor, nem ninguém mais, tem família perfeita; portanto, a igreja precisa ter certa dose de compreensão e apoio para com a família pastoral, especialmente com os filhos. Se o pastor e a esposa estavam cônscios de sua missão como casal, ou mesmo da missão do marido, os filhos por sua vez não foram chamados a opinar. Por vezes o cansaço do pastor advém do seu abatimento ao ver a insana expectativa que é colocada sobre seus filhos, como se “pastorzinhos” fossem.

6. Falta de descanso programado. Há pastores que não respeitam sua folga semanal, necessária para recarregar baterias. Há muitos irmãos que também não respeitam essa folga, esperando um problema agudizar, explodir, para então chamar o pastor. E como explodem situações nos dias de folga e feriado! Perceba: há coisas que acontecem de modo inesperado, como uma perda. No entanto, há outras que podiam ser tratadas antes, evitando a explosão. O fato que ao ultrapassar os limites do descanso, princípio estabelecido por Deus na Criação, e fazendo-o de modo sistemático, o cansaço se acumula minando a saúde pastoral.

7. A traição da liderança é outro fator de desgaste. É um componente ético-emocional. Pessoas que lhe acompanham ou que você acompanha e que de repente rompem com sua liderança. Pessoas que lhe acompanham ou que você acompanha sobre as quais se descobre posteriormente (daí a estupefação e o cansaço dela decorrente) que elas já estavam rompidas com todo projeto de liderança cristã, de santidade e coerência que o Reino requer. Essa traição é doída, e por ser assim enrijece o coração. O problema é que não há ministério possível com coração endurecido. Essa é uma área de extremo enfado… e deserto.

8. A imaturidade dos membros que criam tensões desnecessárias. Pequenos choques sem reconciliações ou alguém com uma palavra de sabedoria para contornar essas rusgas acabam respingando no pastor. Ao fazê-lo, há uma perda de energia emocional, a qual vai sendo sugada a conta-gotas. Contudo, o fato de sair aos poucos não desmerece pra onde ela aponta: o esvaziamento do tanque emocional.

9. Falta de retorno da Igreja. Uma igreja que não responde, nem “sim”, nem “não”, às demandas, provocações e ideias pastorais, pode trazer um profundo desgosto e questionamento de chamado ao pastor. É quando o ralo está dentro do coração pastoral, escoando toda a energia emocional ali presente. Essa frustração ministerial ao lidar com “walkingdeads” eclesiásticos desgasta o coração do pastor.

10. Uma igreja essencialmente carnal. Lidar com uma igreja que busca o lenitivo espiritual e pastoral, ao mesmo tempo que se fere com o pecado, fere o pastor. Embora ele esteja ali também para escutar os membros mediante aconselhamento pastoral, é muito angustiante para o pastor ver suas ovelhas se machucando nos arames farpados do pecado. Ouvir como algumas, embora com a vida (ou seria sobrevida?) preservadas, tiveram pedaços inteiros arrancados pelas garras de lobos, ursos e leões, dói. Faz o coração chorar! Por fim, cansa ver tanta gente cansada e que insiste nesse projeto de vida que na verdade é um convite à morte diária.

Todas essas demandas cansam, tanto o pastor quanto sua esposa e filhos, por isso lhes digo, cumpram o principio bíblico do descanso semanal e também tirem férias. Nesse fim de ano tire alguns dias de descanso com a família, vá a um lugar onde toda a família pastoral possa recarregar a energia, durante esses dias desligue-se dos problemas eclesiásticos.

Admitir o cansaço é importantíssimo para garantir o prosseguimento da caminhada. Mas não basta admitir: é necessário também descansar. E isso extrapola a questão física. É necessário descansar a mente e, como sugeriu Agostinho de Hipona, descansar também a alma. Essa é minha sugestão para os homens e os ‘anjos’: admitam seu cansaço, não permitam que ele os impeça de chegar aonde podem e, principalmente, aonde Deus quer que cheguem. E se perceberem que o cansaço já se tornou extremo, então a urgência em descansar se torna imperativo e não opção.

É melhor admitir o cansaço quando ele ainda é suportável e não permitir que ele avance para níveis insuportáveis e doentios. Caso você tenha vergonha de admitir seu cansaço, vale a pena lembrar que até Jesus Cristo se cansou depois de uma rotina intensa (João 4.6) e sugeriu aos discípulos uma parada estratégica para descansar (Marcos 6.31-32), pois estavam sem tempo até para comer. Bom, acredito que não há melhor exemplo que o dele.

É SAGRADO

A família missionária não pode prescindir de suas férias. Elas são essenciais para o descanso do físico, emocional e psíquico. O Senhor Jesus, na Sua condição humana, se retirava para orar, descansar e refletir. Os Seus retiros eram fundamentais para o exercício do Seu ministério. As férias não podem ser vendidas, adiadas e nem omitidas. Precisam ser curtidas com toda a intensidade. O doutor Merval Rosa assinala: “É imperativo que os membros da família, além dos seus interesses pessoais, procurem desenvolver interesses dos quais todos participem. Planejar atividades em conjunto, passear juntos, ler juntos, brincar juntos, tudo isso cria uma atmosfera de cordialidade entre os membros da família, que os faz mais unidos, mais próximos uns dos outros. Revelar genuíno interesse naquilo que os outros membros da família fazem e aceitar nosso papel no seio da família robustece os laços familiares”. Não nos esqueçamos: o tempo com a família é o tempo mais bem investido depois da nossa comunhão com o Senhor.

Está ligado à saúde dos seus membros

As férias devem ser precedidas de exames médicos para ver se está tudo em ordem com os membros da família. É muito relevante sabermos que as férias são uma feliz oportunidade de relaxamento, reflexão e descanso criativo. A nossa mente, as nossas emoções e o nosso corpo necessitam de paradas periódicas. As férias são, portanto, uma recomendação médica segura e, acima de tudo, uma recomendação do Senhor.

Tenham um bom descanso de fim de ano e que no ano que se inicia possámos estar bem para Glória do Senhor.


Soli Deo gloria

“Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus. – Mateus 10:32,33

As palavras de Jesus a respeito da confissão pública como uma confirmação de fé a Deus nos fazem refletir as formas sutis de negação e os riscos delas. Existe, em primeiro plano, a negação direta e exposta da existência de Deus e, consequentemente, da existência do Cristo. No entanto, mais perigosa que ela, é a adaptação do evangelho às ideias de cada um.

Na necessidade clara de se aproximar de um ser redentor sem querer deixar as práticas e os pensamentos atuais, aproxima-se a pessoa de Jesus a esse conjunto antropocêntrico de ver a vida, de maneira que Ele passa a ser retratado como gay, em representação à comunidade LGBTQIA+, Hippie, para liderar o movimento “paz e amor”, mulher, para “amenizar o patriarcalismo”, negro para combater o racismo.

Perceba como existe um movimento de “encurtamento de espaços” para que Jesus possa confessar os homens diante de Deus. Nesse entendimento, igrejas têm se contaminado a fim de promover e avalizar essas adaptações em maior escala, abandonando os exemplos de culto e de vida em comunidade relatados pela Bíblia. Lord Carey, Arcebispo da Igreja Anglicana de Cantuária, disse: “A Igreja da Inglaterra encontra-se a somente uma geração de sua extinção”. A conclusão dele aconteceu a partir do êxodo de jovens e adultos do cristianismo e de uma migração para o islamismo.

Se no cenário europeu, os ensinamentos enraizados e inegociáveis disseminados pelos muçulmanos geraram um crescimento de adeptos, a percepção de Carey não é restrita ao Velho Mundo. Ano após ano vemos uma inclinação para deturpar a fé apostólica, bíblica, que foi dada aos pais e aos apóstolos, e substituí-la por um conjunto de ensinamentos parecido, afinal, precisamos confessar Jesus para sermos confessados diante de Deus. Basta que flexibilizemos uma ordem aqui, um mandamento acolá e pronto: #somostodosdeCristo. Ou Ele seria capaz de negar alguém que está mais perto do que antes?

Soli Deo gloria

A palavra “teologia” vem de duas palavras gregas que significam “Deus” e “palavra”. Combinadas, temos a palavra “teologia”, que significa “estudo de Deus”. A palavra “sistemática” se refere a algo que colocamos em um sistema. Teologia sistemática é, então, a divisão da Teologia em sistemas que explicam suas várias áreas. Por exemplo, muitos livros da Bíblia dão informações sobre os anjos. Nenhum livro sozinho dá todas as informações sobre os anjos. A Teologia Sistemática coleta todas as informações sobre os anjos de todos os livros da Bíblia e as organiza em um sistema: Angelologia. Isto é a Teologia Sistemática: a organização de ensinamentos da Bíblia em sistemas de categorias.

Teologia Própria é o estudo de Deus o Pai. Cristologia é o estudo de Deus o Filho, o Senhor Jesus Cristo. Pneumatologia é o estudo de Deus o Espírito Santo. Bibliologia é o estudo da Bíblia. Soteriologia é o estudo da salvação. Eclesiologia é o estudo da igreja. Escatologia é o estudo do fim dos tempos. Angelologia é o estudo dos anjos. Demonologia Cristã é o estudo dos demônios sob uma perspectiva cristã. Antropologia Cristã é o estudo da humanidade. Hamartiologia é o estudo do pecado.

Teologia Bíblica é estudar um certo livro (ou livros) da Bíblia e enfatizar os diferentes aspectos da Teologia que ele focaliza. Por exemplo, o Evangelho de João é muito Cristológico, pois focaliza muito na divindade de Cristo (João 1:1,14; 8:58; 10:30; 20:28). A Teologia Histórica é o estudo das doutrinas e como elas se desenvolveram através dos séculos da igreja cristã. A Teologia Dogmática é um estudo das doutrinas de certos grupos cristãos que possuem doutrinas sistematizadas, por exemplo a Teologia Calvinista e Dispensacional. A Teologia Contemporânea é o estudo das doutrinas que se desenvolveram ou têm estado em foco recentemente. A Teologia Sistamática é uma importante ferramenta em nos ajudar a compreender e ensinar a Bíblia de uma forma organizada.

Soli Deo gloria

É no mínimo uma incoerência intelectual sustentar um discurso como esse no cotidiano da vida. O ser humano atualmente não pode mais ser contestado ou corrigido, a razão para isso é o fato de que temos de amar ao invés de julgar. Diante disso, a pergunta que fica no ar é a seguinte: não existe amor em meio à correção? Discernir, julgar, tomar decisões, escolher entre um caminho e outro, uma opção e outra, corrigir, retomar, rejeitar, são atitudes inerentes à vida, fazem parte do desafio de existir desde quando o mundo é mundo. Estão querendo, então, pintar uma realidade em que o discernimento entre o bom e o ruim, o justo e o injusto, é algo dispensável e desprezível? Estão querendo que rasguemos nosso senso crítico como uma folha de papel rascunho e o atiremos na lata do lixo? Como assim? Negar isso é privar o ser humano da construção sadia da sua própria personalidade e de seus próprios valores, negar esse processo crítico inerente ao ser humano e todas as suas implicações seria o cúmulo da relativização. Se formos privados do direito e, por que não, do dever de julgar, cairemos num completo suicídio existencial, pense comigo, como poderiam se sustentar as relações e a convivência humana diante de tal quadro?

Temos fortes sinais deste tipo de pensamento, que é chamado de liberalismo moral, já presentes no seio da sociedade atual. Impunidade escancarada, multiculturalismo em prol do “bem comum”, relativização de inúmeros valores inegociáveis pela sociedade até então, flerte, pelo menos no ocidente, com a legalização de práticas como o aborto, zoofilia, pedofilia, canibalismo, e a máxima “o corpo é meu faço dele o que eu quiser” proclamada aos quatro cantos, gostem ou não. Tudo em nome da liberdade e da autonomia do ser humano. A mentira da vez é que o ser humano é livre, mesmo sendo claramente, escravo de suas próprias vontades, por mais bizarras que elas sejam. Não existe mais errado, tudo é relativo, cada um constrói a sua verdade e ninguém mais julga ninguém. Pergunta honesta: qual pessoa com o mínimo de senso crítico realmente acredita num discurso como esse? Então, quer dizer que todas estas pessoas que exigem que se pare com julgamentos também não julgam mais nada e ninguém? Isso não faz sentido! Estamos sendo imbecilizados, estão querendo impor sobre nós um consciente coletivo onde todo mundo deve pensar dentro de uma determinada caixa que abrange certas ideologias e aquele que não o fizer, automaticamente é considerado fundamentalista, retrógrado, mente fechada, ridículo, burro, ignorante, ditador e por aí vai. Querem nos tirar a capacidade de entender e discernir a realidade até o ponto que nos transformemos em seres de pensamento acrítico.

Deixar de exercer juízo sobre as pessoas e seus comportamentos em sociedade é escancarar as portas para que em pouquíssimo tempo coisas que hoje, ainda, são absolutos inquestionáveis tornem-se questionáveis, combatidos e vencidos. Imagine dentro de poucos anos, pedófilos com aval da sociedade para agirem livremente, como já tem sido amplamente discutido em países como Estados Unidos e Inglaterra. Ou então que o canibalismo seja legalizado mediante consenso mútuo dos envolvidos. O que você pensaria? Ah não! Vamos com calma, não podemos julgar! Percebem onde isso pode parar? Se o ser humano excluiu Deus de sua agenda e trabalha numa velocidade cada vez maior para extinguir todos os valores judaico-cristãos extraídos da Escritura Sagrada que ajudaram a construir toda a moral e ética do ocidente, o que vai nos restar? Qual balança iremos usar? A qual absoluto iremos recorrer? Gente, se cada um tem a sua verdade, pensa o que quer, faz o que quer, se não existe absoluto moral algum porque ninguém pode julgar ninguém em nome do amor, quem poderá falar com propriedade sobre o que é certo ou errado? Não existe autoridade. A alegação de um pedófilo será, por exemplo, que se envolver sexualmente com uma criança é uma forma que ele tem de demonstrar amor por ela. Se tudo é relativo e cada um tem sua verdade, quem, legitimamente, poderá contestar o argumento deste homem? Conseguem compreender que se aprofundarmos um pouco mais as implicações desse discurso politicamente correto no cotidiano da vida podemos estar comprometendo a nossa ordem como humanidade? Onde vamos parar?

Obviamente, esse texto não tem por objetivo esgotar a discussão, mas o argumento que o ser humano é autônomo e pode fazer o que quiser, contanto que não desrespeite a existência do outro é perigosíssimo. O ser humano não é autônomo, antes, é formado por inúmeros fatores que o afetam desde criança; família, ambientes, crenças, sejam religiosas ou não, atividades, criação, escolaridade, tudo isso compõe uma gama enorme de influências sobre a mente de um indivíduo. O ser humano não pode conceber sua existência como uma ilha, esse argumento é falho, fomos criados para viver em comunidade, tudo que fizermos reverberará direta ou indiretamente no nosso próximo. Amigos, o que seria do “eu” sem o “tu”? Em última instância, não estaríamos nem aqui, não haveria raça humana. O indivíduo achar que aquilo que ele faz, seja de bom ou de ruim, repercute apenas e exclusivamente nele mesmo é, no mínimo, inocência.

Por tudo isso, o exercício do discernimento e do julgamento tão combatido atualmente, é e sempre foi fundamental para o bom andamento da convivência e da ordem das coisas. No entanto, a ideia aplaudida e reverenciada nos dias atuais é o franco combate ao ato de se julgar, esta ideia, na grande maioria das vezes, tem sido fundamentada erradamente sobre os ensinos de Cristo registrados na Escritura Sagrada, e a este ponto gostaria de me dedicar neste momento. Vejamos o principal texto utilizado para sustentar essa posição:

Não julguem os outros para vocês não serem julgados por Deus. Porque Deus julgará vocês do mesmo modo que vocês julgarem os outros e usará com vocês a mesma medida que vocês usarem para medir os outros. Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: “Me deixe tirar esse cisco do seu olho”, quando você está com uma trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão. (Mt 7.1-5 NTLH)

Claro que a prática de se julgar indiscriminada e levianamente é combatida de forma contundente por Cristo! Isso é óbvio! Nós como seres humanos falhos, temos de nos policiar em todo o tempo, pois, para nós é natural criticar e denegrir o outro com muito mais facilidade do que a nós mesmos. Esse posicionamento é desprezível e aquele que age assim é chamado pelo próprio Cristo de “hipócrita”. O julgamento hipócrita é feito por aqueles que não têm autoridade alguma para julgar o assunto que estiver em questão. O ensinamento de Cristo nesse caso é “tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão”. Notem que ele diz “tire a trave do olho para que, então, esteja apto para tirar o cisco do olho do seu irmão”. Jesus não condena o ato de tirar o cisco do olho do irmão, e sim, a atitude hipócrita, desprovida de amor, de condenar alguém sem que tenhamos autoridade alguma para fazê-lo.

O julgamento cristão nunca deve ser desprovido de compaixão e amor por aquele que está sendo julgado. O próprio Deus “corrige a quem ele ama e castiga a quem ele aceita como filho” (Hb 12.6-7). Dizer que Jesus condena todo e qualquer julgamento é infantilidade mimada de quem busca um espaço inexistente nos ensinos bíblicos para avalizar suas práticas erradas. O próprio Cristo combate a postura infantil dos judeus de sua época e ordena: “julguem segundo a reta justiça”, leiam João 7 e tirem suas próprias conclusões. O mesmo Jesus que diz “não julgueis”, agora diz “julgai segundo a reta justiça”? Está Cristo se contradizendo ou somos nós que não estamos o entendendo? Fico com a última resposta. Basta uma busca honesta e corajosa pela Escritura e veremos que somos ordenados a combater falsos mestres, falsos ensinos, dominar, administrar e sujeitar a terra como bons mordomos, trata-se de uma tarefa grandiosa e para cumprimos estas coisas julgar é e sempre será imprescindível.

Com esse discurso politicamente correto de “não julgueis” estamos barateando o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário, como se todo seu sofrimento e morte fossem o passe-livre que precisávamos para viver uma vida promíscua e despreocupada com a santidade. As vezes tenho a impressão que em certas ocasiões a expressão “não julgueis” significa muito mais um “deixe-me pecar em paz” do que qualquer outra coisa. Sinceramente, esse pensamento me assusta. Todo o plano de Deus não é e nunca foi sacrificar o seu Filho para que o homem pudesse ficar livre e tranquilo para praticar seus pecados sentido-se perdoado, não! Deus penalizou-se a si mesmo, matando seu Filho amado, para que pudéssemos, enfim, nos livrar do jugo do pecado! Por mais formoso que possa parecer aos nossos olhos, o pecado é mau e nos afasta de Deus. Parece que estamos tentando arrumar uma desculpa para trilhar exatamente o caminho oposto. O ser humano é pecador e vai cair, sim! Vai pecar, sim! E justamente nesta hora temos de ser ainda mais amorosos e gentis com aquele que cai, estendo-lhe mãos de socorro, perdão e correção. No entanto, não é porque temos de ser amorosos, que faremos vistas grossas e seremos condescendentes com o erro. Se você quer saber o quanto o pecado é detestável para Deus, olhe para a cruz, veja o que Ele fez Cristo, seu Único Filho, padecer por causa do seu e do meu pecado! Se você quer saber o quanto Deus ama o ser humano e quer que ele se livre do salário do pecado, olhe para cruz! A cruz é o cenário mais estonteante da história!

Muitos pregam o maravilhoso evangelho do “eu também não a condeno” de João 8.11, mas, se esquecem de pregar o não menos maravilhoso evangelho do “agora vá e abandone sua vida de pecado” do mesmo João 8.11. É preciso entender que esta segunda afirmação também é carregada de amor, bondade e cuidado de Deus. Cristo só pôde dizer àquela mulher “eu também não a condeno” porque sabia que muito em breve ele padeceria horrores numa cruz em pagamento dos pecados dela, alguém teria de pagar aquela conta. O Filho de Deus ofereceu sacrifício alto demais para que vivamos conformados à lama do pecado. É importante refletir que na grande maioria das vezes crescemos e aprendemos muito mais com as dificuldades e tempestades da vida do que com os momentos de bonança. Correção é dádiva! Seguir a Cristo implica em constante luta contra nossa natureza pecaminosa. Foi sempre assim, o apóstolo Paulo já dizia aos coríntios: “esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado”. Vejo muita gente falando por aí que Deus é amor, mas quase ninguém dizendo com a mesma ênfase que Ele também é santo, do mesmo jeito e na mesma essência. Permitam-me uma ousadia teológica, se fôssemos examinar ao longo de toda Escritura, o único atributo de Deus que é repetido três vezes é o atributo de sua santidade. Em nenhum lugar vemos Deus sendo chamado de justo, justo, justo, ou, amor, amor, amor. Servimos a um Deus que é Santo, Santo, Santo e seu amor não existe e nunca existiu em detrimento de sua santidade. Portanto, por mais dolorido que seja, que nos alegremos nos momentos em que formos julgados “segundo a reta justiça”, este será sempre um grande sinal de que Deus nos ama e quer o melhor para nós. Que combatamos sim, em nosso meio, a prática leviana do julgamento hipócrita, desprovido de amor que não aponta para glória de Deus e para recuperação do próximo, tal comportamento deve ser banido do nosso coração e da nossa prática. Mas, que também nos posicionemos de modo a trazer maior lucidez e coragem para este tema que tem sido grosseiramente manipulado em detrimento de interesses que não atendem em absoluto a agenda do Reino de Deus. Que não transformemos o evangelho do Cristo Bendito em uma ideologia barata, ou numa espiritualidade a la carte onde cada um se serve daquilo que bem entende e julga ser correto e mais confortável para si.

Aliás, já perceberam que todos nós julgamos todo mundo e todas as coisas o tempo todo, e exigir que alguém pare de julgar é uma contradição lógica e ao mesmo tempo uma hipocrisia? Que tenhamos maior profundidade, coragem e maturidade em encarar as questões sérias que compõem a nossa realidade, sempre em amor, para glória de Deus e zelosos pelo próximo. As vezes é bem difícil, mas nunca foi tão necessário.

Soli Deo gloria

William H. Williamon escreveu um artigo intitulado “What if Wesley was right?” (E se Wesley estava certo?), dentro do livro “Our Calling to Fulfill” (Nosso Chamado para Cumprir), abordando os conceitos de John Wesley e suas implicações práticas para os dias atuais. Ele dialogou com a teologia de Wesley acerca de Deus e a Graça transformadora, afirmando que “se Wesley estava certo, então conferências sobre Wesley podem ser perigosas”, pois quando nos confrontamos com seus pensamentos teremos que rever nossas ações.

Tendo como inspiração o tema que Williamon levantou, parei para meditar em outras áreas que, se Wesley estava certo biblicamente e teologicamente, então, teremos sérios problemas com as nossas ações e pensamentos, pois não são somente as suas convicções, mas, em realidade, as convicções que o próprio Deus quer de nós. Em vista disso, enumerei cinco pontos que John Wesley pode nos instruir.

ECLESIOLOGIA: o mundo é minha paróquia

O modo que Wesley enxergava a igreja é muito diferente do que normalmente temos visto. Para ele, a Igreja não é o templo que usamos para cultuar a Deus e os membros não são aqueles que entram no prédio. Vai muito além disso! Seu campo de atuação é o mundo inteiro e seu público para a pregação são todos aqueles que não conhecem a Cristo. Se Wesley estava certo, não devemos focar nossos esforços demasiadamente nos templos e prédios apainelados, mas investir nossos esforços e recursos humanos nos campos brancos que estão à espera dos trabalhadores.

POBREZA: preferência aos desprovidos financeiramente

Uma das marcas mais nítidas na vida e ministério de Wesley é seu envolvimento com os pobres e os necessitados. De acordo com Mckenna “ter o espírito de compaixão pelo pobre” foi à forma como eram “conhecidos os wesleyanos”. A santidade de Deus é acompanhada pela justiça social, ela é a santidade de Deus em ação. Devemos ressaltar que o amor de Cristo vai além de simplesmente querer uma troca ou de um proselitismo camuflado de ação social; o amor dEle é verdadeiro e real. Se Wesley estava certo, nossas igrejas devem amar, ajudar e resgatar os desprovidos financeiramente.

EVANGELIZAÇÃO: pregação ao ar livre e em todos lugares

A história mostra que Wesley teve muitas dificuldades no início para aceitar a ideia de pregar ao ar livre, sendo somente depois de muita insistência do seu amigo George Whitefield que ele começou a ir para as ruas, fábricas, praças e aonde o aceitarem. Porém, depois de convencido dedicou-se a finco à sua responsabilidade missionária, que de acordo com Lelièvre: “Calcula-se que nos nove últimos meses do ano de 1739 ele pregou cerca de 500 vezes, das quais somente umas oito ou dez foram nas igrejas (…) [Wesley] Viajava em média 5.000 quilômetros por ano, a maior parte deles a cavalo. (…) [ele] aceitou a vida missionária como um dever, e sabia transformar a sua obrigação em trabalho verdadeiramente agradável”. Se Wesley estava certo, cada nação será nosso campo missionário, cada igreja será uma sociedade que envia missionários e cada membro aceitará sua responsabilidade missionária.

ECONOMIA: ganhe tudo o que puder, poupe tudo que puder e doe tudo o que puder

Uma das maiores dificuldades da sociedade moderna é se desfazer do apego financeiro. Na época de Wesley essa realidade não era diferente, e ele foi de encontro com qualquer tipo de pensamento e atitude gananciosa. Não foi por acaso que Wesley e seus companheiros foram apelidados pejorativamente de metodistas, pois seu estilo de vida era extremamente rigoroso, especialmente a parte financeira. Se Wesley estava certo, não ganhamos para ostentar, tão pouco poupamos para nos enriquecermos, mas utilizamos os recursos que Deus nos deu para investirmos no Reino dEle e para dividir o pão nosso com o nosso irmão desprovido.

JUSTIÇA: a luta contra a escravidão

Uma das contribuições mais significativas de Wesley para a sociedade é sua influência política contra a escravatura. O até então jovem William Wilberforce estava iniciando seus longos anos na carreira política e recebeu uma carta do respeitado pastor da Inglaterra, John Wesley, dizendo a ele que “Não se canse de fazer o bem. Eu sigo em frente em nome de Deus e no poder de Sua força, até que a escravidão americana (a mais vil que alguma vez viu o sol) possa ser banida diante dele”. Wesley tinha convicção que o cristão deve lutar pelos seus direitos e dos outros, para que haja justiça no mundo. Se Wesley estava certo, nós cristãos nos envolveremos com a política não para obtermos poder, mas para que a retidão, a justiça e a equidade, sejam garantidas (Pv 2:9).

Soli Deo gloria

Até pouco tempo, ser “evangélico” indicava vagamente aqueles protestantes de todas as denominaçoes – presbiterianos, batistas, metodistas, anglicanos, luteranos e pentecostais, entre outros – que detinham pelo menos três características: consideravam a Bíblia como Palavra de Deus, autoritativa e infalível; eram conservadores no culto e nos padrões morais; cultivavam uma visão missionaria. Hoje, no Brasil, o termo não abrange mais tais itens, mas tem sido usado para se referir a todos os que, no âmbito do cristianismo. não são católicos romanos: protestantes históricos, pentecostais, neopentecostais, igrejas emergentes, comunidades dos mais variados tipos etc. Os evangélicos tem tido dificuldade para escolher uma única palavra que os defina, já que “evangélico” praticamente perdeu seu sentido original. Quando, para nos identificarmos, precisarmos pedir licença para tecer longas explicações e depois temos de lançar mão de três ou quatro atributos. isto é sinal de que a coisa está realmente feia.

Quando me converti ao cristianismo, era em uma igreja pentecostal que tem na sua história uma tentativa de romper com o legalismo, lembro-me que quando fui a igreja pela primeira vez fiquei impactado pelo amor e a forma diferente dos irmãos daquela igreja, aos poucos fui conhecendo a igreja e seus costumes, observei que nem tudo era liberado aos membros daquela igreja.

Contudo, a igreja parecia realmente viver aquilo que seu pastor presidente escrevera em seu livro,-É proibido, do pastor Ricardo Gondim -. Ainda hoje muitas igrejas tem tentado tirar o rótulo de legalista, mas ao tentar fugir do legalismo tem caído em uma perigosa armadilha, a falta de disciplina, o que tem levado igrejas a um liberalismo sem precedentes, alias, foi por isso que o ministério o qual conheci a Cristo fracassou no Ceará.

É evidente a crise gigantesca em que os evangélicos se encontram: indefinição quanto aos rumos teológicos. multiplicidade de teologias divergentes. falta de liderança com autoridade moral e espiritual. derrocada doutrinaria e moral de lideres que um dia foram reconhecidos como referenda, ascensão de lideres totalitários que se autodenominam pastores, bispos e apóstolos, conquista gradual das escotas de teologia pelo liberalismo teológico, ausência de padrões morais que pautem ao menos a disciplina eclesiástica, depravação da doutrina.

Como resultado. cada vez mais pessoas procuraram igrejas para se sentirem bem, para buscarem solução imediata de seus problemas. Sem sequer refletir nas questões mais profundas acerca da existência e da eternidade. migrando de uma comunidade para outra sem qualquer compromisso ou engajamento com a vida crista.

O que aconteceu para que 0 evangelicalismo brasileiro? Entendo que a Reforma, com sua teologia e pratica. nunca chegou plenamente a nosso pais. Como declarou alguém: “Somos evangélicos moldados por uma argamassa meio católica, melo espirita e pouco ou quase nada reformada”.

Na fuga quase que desesperada para fugir do legalismo criamos ou permitimos que a disciplina fosse frouxa ou em alguns casos nem houvesse, aos poucos, enfraqueceu-se a aderência aos pontos fundamentais, com o objetivo de alargar a base de “comunhão” com outras linhas dentro da cristandade. Com a progressiva redução do que era básico, e com a “desculpa” de fazer-se “loucos” para ganhar os loucos, nos perdemos e nós é que estamos loucos.

A igreja pentecostal vem sofrendo uma mutação, da teologia Armínio/Wesleyana tem passado ser caracterizada pela teologia pelagiana e semi-pelagiana, tal mutação acarreta várias consequências, como: neopentecostalíssimo, uma espiritualidade mística empírica, uma doutrina pragmática e centrada no homem, e por fim, a perda da cosmo visão bíblica. O que se vê hoje, é uma igreja evangélica limitada a ações isoladas e fragmentadas na área social e politica, muitas vezes sem conexão alguma com a visão crista de mundo.

A frouxidão doutrinária e teológica e a escassez de disciplina tem nos conduzidos a uma vida meramente religiosa, mas sem relacionamento íntimo com Deus, somos os novos “católicos”, buscamos avivamento mas não temos santidade, sem qual ninguém verá a Deus.

Hoje ouço muito falar em AVIVAMENTO ESPIRITUAL nos púlpitos ,mas quase não ouvimos falar em SANTIDADE, precisamos compreender de uma vez por todas, SEM SANTIDADE não haverá AVIVAMENTO.

A disciplina eclesiástica está em risco de extinção. Desde que o pós-modernismo encontrou lugar em nossas igrejas, qualquer conceito que ameace o individualismo e seu estilo de vida, logo é taxado de arcaico. Volto a afirmar que muitos dos que se denominam cristão, acreditam que santidade é apenas um comportamento interno da igreja e em nada tem haver com o procedimento secular dos membros. O medo da impopularidade tem levado muitos crentes a serem complacentes com o pecado e tem tentado inutilmente justificar certos atos como comum a natureza humana e que a bíblia e a igreja não devem interferir. Por outro lado, o que dizer daqueles que, em nome do zelo pela disciplina, cometem injustiças e causam mais males do que bens?

Em todo esse contexto, a disciplina tem vida curta e a tolerância consagra-se como a virtude da moda. Porém, o que acontece com uma igreja sem disciplina?

Biblicamente a disciplina na igreja tem um triplo objetivo:

  1. Reestabelecer o pecador (MT 18:15; 1CO 5:5; GL 6:1)
  2. Manter a pureza da igreja (1CO 5:6-8)
  3. Dissuadir outro (1TM 5:20)

Duas perguntas se destacam no controvertido episódio da Pitonisa de En-Dor, descrito em 1 Sm 8.19-20): 1. Samuel realmente apareceu a Saul? 2. Existe uma explicação bíblica para a mediunidade?

Os seguintes pontos são básicos para um entendimento sobre o assunto:

1. At 16.16 e Dt 13 são passagens que mostram que a Bíblia reconhece que Satanás utiliza pessoas com esse propósito de “intermediar” o oculto.

2. No entanto, esse meio de suposta “aquisição de conhecimento espiritual” é vedado por Deus (Dt 18.9-14). Em Dt 13.2-5 maior importância é dada à revelação prévia recebida (v. 4), como meio de comunicação de Deus ao homem, do que aos fenômenos e maravilhas porventura realizadas por agluém. A revelação escriturada (a Palavra de Deus) é a fonte confiável e está em harmonia com essa diretriz. Ela é o conjunto de revelação dada por Deus às pessoas

3. Is 8.19-20 mostra que o caminho certo de se prescrutar a vontade de Deus é a consulta à Palavra de Deus (“à Lei e ao Testemunho”), e não aos médiuns e advinhos.

4. Temos várias condenações adicionais a consultas aos médiuns, em Lv 19.31; Ex 22.18 e Lv 20.6.

5. No episódio da Pitonisa de En-Dor, pode ter existido uma manifestação de Satanás (2 Co 11.14), como pode ter havido um embuste da parte daquela que se propunha a invocar os mortos. Nesse sentido, leia com atenção 1 Sm 28.14: “… entendendo Saul que era Samuel…” No v. 13, a mulher disse “… vejo um deus que sobe da terra…”

6. Mesmo havendo a possibilidade dessa mulher ter sido enganada, ou de ter enganado a Saul, tudo ocorreu dentro da esfera de atuação de Satanás.

7. Não devemos ser indevidamente céticos, ou pseudo-racionais, afirmando que esses fenômenos não existem, pois tal posição não é bíblica, mas devemos ter a consciência de que fraudes existem com freqüência.

8. É improvável que a aparição fosse realmente de Samuel, servo de Deus, pela própria afirmação de que o espírito “subiu da terra…” e pela afirmação de Cristo, na parábola do Rico e Lázaro (Lc 16.26), de que os que com Deus estão não podem passar “… de lá para cá…”

Nos últimos três anos, a prática de tatuar o corpo tem se tornado cada vez mais popular. Tudo indica que esta moda veio para ficar. É fato que, mais e mais, receberemos visitantes e novos membros com tatuagens, e algumas bem místicas e mundanas! Além do mais, pressinto que já temos alguns membros sendo atraídos por essa ideia, pensando em tatuar um verso bíblico, uma palavra hebraica ou uma imagem do Cavaleiro no Cavalo Branco de Apocalipse 19 (que tinha escrito em sua coxa: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores). Sei que esta não é uma questão crucial para o evangelho e a igreja de Cristo. Porém, é algo que incomoda alguns e pode se tornar motivo de discórdia entre os irmãos. Como lidar com esses dilemas? Como preparar a igreja para lidar sabiamente com esta questão? Após orar, pesquisar e pensar sobre este assunto, cheguei às seguintes conclusões, que nas próximas linhas compartilho com o leitor.

Primeiro: Precisamos Ensinar o que a Bíblia diz!

Em Levítico 19:28, a Palavra diz: “Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o SENHOR”. À primeira vista, esta palavra parece resolver a questão, parece dizer: o cristão não deve fazer nenhuma marca no corpo; tatuagem é pecado. Porém, o contexto revela que o motivo desta proibição era evitar que os hebreus se identificassem com a idolatria dos caldeus. Como parte de seus rituais aos falsos deuses, os caldeus usavam lâminas afiadas para marcar o corpo. Essas marcas, ou cicatrizes, estavam diretamente relacionadas com a idolatria e culto pagão. Essa orientação era tão específica que, nos versos anteriores, Deus também proíbe outras práticas, tais como: adivinhação e feitiçaria (26). O cortar o cabelo dos lados da cabeça (deixando um tufo de cabelo no meio da cabeça) e o aparar as pontas da barba de uma maneira específica (27) – tudo estava relacionado com os rituais pagãos. (Andrew A. Bonar, A Commentary on Leviticus, The Banner of Truth Trust, Carlisle. Pensylvania, USA. Pg. 352)

Sim, acredito que este texto fala contra o uso de tatuagens ou qualquer outra prática que nos identifique com algum tipo de paganismo, idolatria, imoralidade ou tribo anticristã. Porém, não podemos aplicar este texto contra a pratica da tatuagem de nossos dias, pois os tempos passaram e a conotação mudou. Hoje, a grande maioria daqueles que se tatuam não o fazem por motivos espirituais ou religiosos, mas meramente estético/ decorativo (assim como a maioria das mulheres furam suas orelhas e usam brincos). Sendo assim, esta prática acaba enquadrando-se dentro daquelas questões relacionadas à liberdade cristã (Rm 14 e I Co 6:12).

Segundo: Precisamos Aplicar os princípios de Romanos 14 e I Coríntios 6:12

Usando os princípios destes dois textos, devemos orientar o cristão que considera fazer uma tatuagem, a fazer a seguinte autoavaliação:

Será que esta tatuagem irá glorificar o Senhor Jesus? Será que ela irá promover a minha pessoa ou a pessoa Dele? (6-8)
Será que esta tatuagem irá edificar os meus irmãos? Será que ela não irá entristecer ou escandalizar meus pais ou irmãos mais fracos? (15-21 e 15:1-2)
Tenho plena convicção em minha consciência de que isto agrada a Deus? (leia versos 22-23)
Será que isto não irá me dominar? (I Co 6:12) Esta é uma pergunta muito pertinente, porque vemos que muitos não conseguem se contentar com uma ou duas tatuagens, porém, como que numa obsessão, vão cobrindo o corpo com desenhos e mensagens.

Terceiro: Precisamos Ajudar as pessoas a considerar a questão

Os meios de comunicação não ensinam nossos membros a pensar. Nossa cultura promove o princípio da ética inconsequente, que diz: Siga o seu coração! Faça o que der na sua cabeça! Por isso, cabe aos pastores seguir o exemplo do Mestre que desafiava as pessoas a parar, observar, considerar e decidir (Mateus 6:25-32). A Bíblia diz que devemos viver com sabedoria (Pv 24:3). Por isso, precisamos ajudar aqueles que estão considerando fazer uma tatuagem a parar e pensar no seguinte: O que será que o bom senso e os fatos dizem a respeito desta prática? Abaixo, seguem dois fatos muito importantes.

Muitos se arrependem de terem feito uma tatuagem. Um estudo realizado pela Associação dos Dermatologistas Britânicos revelou que um terço dos ingleses que se tatuam se arrependem de terem feito isto. Nos Estados Unidos, na cidade de Pittsburgh, uma clínica especializada em tratamento dermatológico a laser diz que, nos últimos anos, a procura pela remoção de tatuagens cresceu em 50 por cento! E que este processo é longo, doloroso e caro. (www.hersutah.com, artigo escrito por Peter Sullivan, publicado no Pittsburgh Post-Gazette em 1 de Agosto de 2012)
A tatuagem cria uma barreira social desnecessária. Muitas pessoas veem com desconfiança alguém com uma tatuagem. Por isso, uma tatuagem pode custar uma boa amizade, namoro, emprego, oportunidade comercial ou, pior, a oportunidade evangelística ou ministerial. Dr. Michael R. Mantell disse: “O mundo está dividido em dois tipos de pessoas: aqueles que têm tatuagem e aqueles que têm medo das pessoas tatuadas. Honestamente, eu fui criado entre este segundo grupo. Afinal de contas, quem eram as pessoas que usavam tatuagem em Newark, New Jersey, onde cresci? Marinheiros, criminosos, membros de seitas estranhas, roqueiros e gente ruim.” (San Diego Magazine, Agosto de 2009, A Psicologia da Tatuagem – www.sandiegomagazine.com)

Quarto: Precisamos Preparar a igreja para amar os tatuados!

Como já disse no início deste artigo: nos últimos anos a prática de tatuar o corpo tem se tornado cada vez mais popular. Tudo indica que esta moda veio para ficar. Mais e mais receberemos visitantes e novos membros com tatuagens bem místicas e mundanas. A igreja precisa ser preparada para receber os visitantes tatuados. Assim como Jesus recebia e até comia e bebia com os publicanos e pecadores, nós devemos receber os tatuados no amor de Cristo. E, caso Deus os alcance com Sua graça é obvio que devem ser integrados ao corpo de Cristo sem nenhuma reserva. Para isto, precisamos ajudar os membros da igreja, especialmente os mais preconceituosos, a buscarem em Deus sabedoria e amor para superar suas fraquezas, e aprender a ver as pessoas como Deus vê (I Samuel 16:7); aprender a ver, por trás das tatuagens, uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus, ver uma alma que vale mais do que o mundo inteiro. Que Deus nos ajude a fazer tudo isto pela Sua graça, para Sua glória!

Soli Deo gloria

Em resposata a pergunta feita repetidas vezes…

O Pentateuco é um nome para os cinco primeiros livros da Bíblia, os quais estudiosos bíblicos conservadores acreditam que tenham sido em sua maioria escritos por Moisés. Embora os próprios livros do Pentateuco não identifiquem claramente o autor, há muitas passagens que os atribuem a Moisés ou como sendo as suas palavras (Êxodo 17:14; 24:4-7; Números 33:1-2, Deuteronômio 31:9-22). Uma das evidências mais importantes para Moisés ser o autor do Pentateuco é que o próprio Jesus se refere a esta seção do Antigo Testamento como a “Lei de Moisés” (Lucas 24:44). Embora alguns versículos do Pentateuco aparentem ter sido adicionados por alguém que não fosse Moisés — por exemplo, Deuteronômio 34:5-8 descreve a morte e sepultamento de Moisés – a maioria dos estudiosos atribui a maioria destes livros a Moisés. Mesmo se Josué ou outra pessoa realmente tivesse escrito os manuscritos originais, o ensino e a revelação foram dados por Deus através de Moisés, e não importa quem realmente escreveu as palavras, o autor final foi Deus e os livros ainda são inspirados.

A palavra “Pentateuco” vem de uma combinação da palavra grega penta, que significa “cinco”, e teuchos, que pode ser traduzida como “pergaminhos”. Por isso, “Pentateuco” refere-se simplesmente aos cinco pergaminhos que compõem a primeira das três divisões do cânone judaico. O nome Pentateuco pode ser rastreado até 200 DC, quando Tertuliano se refere aos cinco primeiros livros da Bíblia por esse nome. Também conhecido como a Torá, a palavra hebraica que significa “Lei”, esses cinco livros da Bíblia são Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Os judeus geralmente dividem o Antigo Testamento em três seções diferentes: A Lei, Os Profetas e Os Escritos. A Lei ou Torá contém o fundo histórico da criação e da escolha de Deus por Abraão e pela nação judaica como o Seu povo escolhido. A Torá contém também a lei dada a Israel no Monte Sinai. As Escrituras se referem a estes cinco livros por vários nomes. Josué 1:7 diz: “Tão somente esforça-te e tem mui bom ânimo, cuidando de fazer conforme toda a lei (torá) que meu servo Moisés te ordenou” e também são chamados de “a lei de Moisés” em 1 Reis 2:3.

Os cinco livros da Bíblia que compõem o Pentateuco são o princípio da revelação progressiva de Deus ao homem. Em Gênesis encontramos o começo da criação, a queda do homem, a promessa de redenção, o início da civilização humana e o início do relacionamento de aliança entre Deus e o Seu povo escolhido, Israel.

O próximo livro é Êxodo, o qual registra Deus libertando o Seu povo da escravidão e sua preparação para a posse da Terra Prometida que Deus lhes tinha reservado. O Livro de Êxodo recorda a libertação de Israel do Egito depois de 400 anos de escravidão, assim como prometido por Deus a Abraão (Gênesis 15:13). Esse livro registra a aliança que Deus faz com Israel no Monte Sinai, as instruções para a construção do tabernáculo, a entrega dos Dez Mandamentos e outras instruções sobre como Israel devia adorar a Deus.

Levítico segue Êxodo e expande as instruções de como o povo da aliança (Israel) devia adorar a Deus e governar a si mesmo. Esse livro estabelece os requisitos do sistema sacrificial que permitiria que Deus esquecesse os pecados de Seu povo até o sacrifício perfeito de Cristo, quando o pecado seria expiado completamente.

Depois de Levítico temos o Livro de Números, o qual cobre os principais eventos durante os 40 anos que Israel vagou no deserto e dá instruções para adorar a Deus e viver como o Seu povo da aliança. O último dos cinco livros que compõem o Pentateuco é Deuteronômio. Muitas vezes refere-se a Deuteronômio como a “segunda lei” ou “repetição da lei”. Ele registra as palavras finais de Moisés antes do povo de Israel entrar na Terra Prometida (Deuteronômio 1:1). Em Deuteronômio, a Lei de Deus dada no Monte Sinai é repetida e explicada. Enquanto Israel entra em um novo capítulo de sua história, Moisés os relembra dos mandamentos de Deus e das bênçãos que seriam deles se obedecessem a Deus e as maldições que viriam de sua desobediência.

Os cinco livros do Pentateuco são geralmente considerados livros históricos por registrarem acontecimentos históricos. Embora sejam muitas vezes chamados de Torá ou Lei, na realidade eles contêm muito mais do que leis. Eles fornecem uma visão geral do plano de redenção de Deus e fornecem um pano de fundo para tudo o que se segue nas Escrituras. Como o resto do Antigo Testamento, as promessas, tipos e profecias contidas no Pentateuco têm seu cumprimento final na pessoa e obra de Jesus Cristo.

Soli Deo gloria