Princípios de Deus para o casamento

Meu espanto ainda é grande quando vejo que poucos “crentes” conhecem o princípio de Deus para o casamento, quase sempre deparo-me com pensamento de casais desejando a separação ou jovens me perguntando por que não podem praticar sexo antes do casamento de eles se “amam”.

Como seria salutar a todos se ao invés de perder tanto tempo nas rede sociais, investíssemos nosso tempo no conhecer ao Senhor.

Paulo responde algumas perguntas que ainda hoje são feitas pela igreja. O capitulo 7 de I Coríntios é a mais longa discussão sobre sexualidade e assuntos correlatados em todas as cartas de Paulo. As instruções ali mencionadas, não se encontram em nenhuma outra parte de seus escritos.

Neste capitulo, Paulo começa a responder as perguntas da igreja local, não é um tratado teológico sobre celibato e casamento, mas respostas diretas à algumas perguntas específicas.

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, – 1 Coríntios 7:1

É preciso ressaltar que Paulo não esgota seu ensino sobre casamento aqui.

Antes de iniciarmos assunto, é necessário entendermos algumas expressões paulinas neste capitulo.

Digo isso como concessão, e não como mandamento. – 1 Coríntios 7:6

Aos casados dou este mandamento, não eu, mas o Senhor: que a esposa não se separe do seu marido. – 1 Coríntios 7:10

Aos outros eu mesmo digo isto, e não o Senhor: se um irmão tem mulher descrente, e ela se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela.
1 Coríntios 7:12

Quanto às pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor, mas dou meu parecer como alguém que, pela misericórdia de Deus, é digno de confiança. – 1 Coríntios 7:25

Em meu parecer, ela será mais feliz se permanecer como está; e penso que também tenho o Espírito de Deus. – 1 Coríntios 7:40

Paulo faz uma distinção entre o que Cristo ensinou e o que ele está ensinando. O que Cristo ensinou ele não vai tratar novamente, pois o assunto já está decidido. Porém, aquilo que Jesus não ensinou, Paulo vai tratar dando orientação apostólica e inspirada para a igreja. Portanto não existe qualquer divergência entre Cristo e Paulo.

Paulo precisa lidar com algumas perguntas que Jesus não havia tratado. Quando uma questão levantada pela igreja de Corinto já havia sido tratada por Cristo, Paulo se referia as suas Palavras, mas quando a pergunta dos coríntios não houvesse sido tratada por Cristo, Paulo respondia à igreja com autoridade apostólica.

Os assunto que Jesus tratou sobre casamento e divórcio estão registrado em:

“Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’.
Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério”. – Mateus 5:31,32

Tendo acabado de dizer essas coisas, Jesus saiu da Galiléia e foi para a região da Judéia, no outro lado do Jordão.
Grandes multidões o seguiam, e ele as curou ali. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? ” Ele respondeu: “Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. Perguntaram eles: “Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora? ” Jesus respondeu: “Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério”.
Os discípulos lhe disseram: “Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não casar”. Jesus respondeu: “Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite”. – Mateus 19:1-12

Então Jesus saiu dali e foi para a região da Judéia e para o outro lado do Jordão. Novamente uma multidão veio a ele e, segundo o seu costume, ele a ensinava. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova, perguntando: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher? ” “O que Moisés lhes ordenou? “, perguntou ele. Eles disseram: “Moisés permitiu que o homem desse uma certidão de divórcio e a mandasse embora”. Respondeu Jesus: “Moisés escreveu essa lei por causa da dureza de coração de vocês. Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’.
‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. Quando estava em casa novamente, os discípulos interrogaram Jesus sobre o mesmo assunto. Ele respondeu: “Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela. E se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério”. – Marcos 10:1-12

“Quem se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher estará cometendo adultério, e o homem que se casar com uma mulher divorciada do seu marido estará cometendo adultério”. – Lucas 16:18

Quando Paulo diz que agora não é o Senhor, mas ele, é porque aquele assunto Jesus não havia tratado e agora ele irá tratar.

Ao responder as perguntas, Paulo tem em mente três grupos distintos:

  1. Cristãos casados com cristãos – 7:1-11
  2. Cristãos casados com não cristãos – 7:12-24
  3. Cristão não casados – 7:25-40

Cristão casados com cristãos – 7:1-11

Na igreja de Corinto havia dois  extremos. Um grupo pensava que sexo era pecado, mesmo no casamento, como ainda hoje alguns pensam. Esse grupo defendia que o celibato é um estado moralmente superior ao casamento.

O outro grupo, talvez formado pela maioria dos judeus, julgava que o casamento não era opcional, mas sim compulsório, obrigatório.

Para Paulo, tanto o casamento quanto a celibato são  dons de Deus, Paulo combateu os dois extremos.

Dois assunto são abordados por Paulo aqui, a pureza do casamento 7:1-9 e sua duração 7:10-11.

A pureza do casamento – 7:1-9

Paulo proíbe a multiplicidade de parceiros no casamento, ou seja, tanto a poligamia quanto a poliandria. Paulo ressalta o aspecto singular do casamento, “cada um deve ter a sua esposa, e cada uma o seu marido”.

Paulo proíbe a união homossexual (7:2). Quando Paulo diz que cada um tenha a sua esposa e cada uma tenha seu marido, fica claro a ideia de uma relação heterossexual. As relações homossexuais eram  algo comum no tempo de Paulo. mas ele define essa prática como uma paixão infame, um erro, uma distorção mental reprovável, uma abominação à Deus. A relação homossexual já é aprovada civilmente em muitos lugares, mas jamais será chancelada pelas leis divinas. O “politicamente correto” não é correto diante de Deus. Uma decisão não é ética apenas por ser legal.

Paulo proíbe o celibato compulsório (7:1). Paulo escreve: “… bom que o homem não toque em mulher…“. Essa expressão tem o sinônimo de casar-se.  O celibato é permitido, mas não ordenado. Nem todos tem o do do celibato (7:7-9). É por isso que a igreja romana enfrenta tantos problemas com a sexualidade de seus sacerdotes. O celibato não tem base bíblica. O celibato não pode ser imposto. Esse é o ensino de Cristo (Mt 19:10-12). O principio estabelecido por Deus desde o principio é que o homem não esteja só (Gn 2:18).

Paulo destaca a completa mutualidade dos direitos conjugais (7:3-4). Paulo vivia em uma sociedade machista, mas ele quebra esse paradigma da cultura prevalecente e afirma a igualdade dos direitos conjugais. Paulo diz: ” O marido conceda à esposa o que lhe devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao marido” (7:3).  Paulo está falando do relacionamento sexual, o dever habitual para ambos. Diante de Deus, o sexo fora do casamento é pecado, mas no casamento, a ausência de sexo também é pecado. Marido e esposa tem direitos assegurados por Deus de desfrutarem a plenitude da satisfação sexual no contexto sacro do casamento.

Paulo prossegue afirmando: ” A mulher não tem poder sobre seu próprio corpo, e sim o marido; também, semelhantemente, o marido não tem poder seu seu próprio corpo, e sim a mulher” (7:4). O conceito divino, é que o sexo é um direito legítimo do cônjuge.

Paulo vai mais profundo nessa questão quando escreve: “Não vos priveis um ao outro” (7:5a). A pratica do sexo no casamento é uma ordem apostólica. A ausência de sexo no casamento é pecado. Hernandes Dias Lopes [1] citando Charles Hodge diz que nada poderia ser mais estranho à mente do apóstolo Paulo do que ver os cristãos enchendo os mosteiros e conventos da igreja medieval.

Paulo afirma que o casal só pode se abster de sexo quando ambos estão em sintonia a respeito da decisão de que por um curto espaço de tempo, irão dedicar-se expressamente a oração. Muitos casais cometem erros gravíssimos, dando desculpas infundadas para “fugir” da relação sexual, alegando cansaço, dor de cabeça, etc. A bíblia ensina que negligencia sexual para com seu cônjuge é pecado. Sempre que ensino este mandamento alguns casais perguntam-me: “Mas se realmente um dos cônjuges estiver realmente cansado?“. Se o cansaço for uma frequência que traga a interrupção da relação, há uma inversão de valores que deve ser corrigida imediatamente para que nada venha afastar o casal, nem oração, nem trabalho, nem filhos, nem os pais, etc. Há ainda casos de pessoas que se escondem atrás de uma falsa espiritualidade para sonegar ao cônjuge a satisfação sexual. Isso está em desacordo com o padrão bíblico. Mesmo quando a abstinência for por causa de oração, Paulo não recomenda que este período seja longo. Ele diz: “[…] e, novamente vos ajunteis” (7:5).

Paulo conclui dizendo: “[…] para que satanás não vos tente por causa da incontinência” (7:5). Sempre que um casal descumpri esse mandamento, o diabo entra na vida do casal e arrebenta com o casamento, é quando muitos se perguntam, “onde foi que eu errei?“.

A duração do casamento – 7:10-11

Não sei responder quantas vezes por ano sou interpelado sobre a duração do casamento, casais me questionam se realmente não podem separar-se, os “motivos” para separação são inúmeros, na grande maioria sem fundamento, sem razão de ser, desejam separar-se apenas porque na verdade são incapazes ou simplesmente não desejam cumprir o que a palavra de Deus determina para o casamento.

Paulo diz: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do seu marido” (7:10). O Senhor já havia tratado do assunto do divórcio (Mt 19:3-12), não é necessário Paulo tratar novamente. O casamento deve durar enquanto durar a vida (7:39-40).

As mesmas perguntas que muitos fazem hoje, a igreja de Corinto também fez.

  • O que fazer se eu estiver arrependido de ter casado?

Há muitos casais nesta situação dentro das nossas igrejas. Há pessoas que depois de terem casado reconhecem que fizeram uma grande besteira. O que fazer agora? Paulo responde com um desafio aos casais que veem poucas ou nenhuma esperança em seu casamento: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do seu marido” (7:10-11). Casou, permaneça casado. Busque no Senhor e na sua palavra formas de transformar o casamento conforme deve ser, segundo as escrituras.

  • O que fazer quando a situação se torna insustentável?

Há casamentos que adoecem a tal ponto que a decisão de permanecerem juntos pode ser arriscada, já vi casos que é melhor, até para garantir saúde emocional, a separação. Para esses casos Paulo oferece duas soluções. A primeira solução: separe, mas fique sozinho. (7:11a). A segunda solução: faça a reconciliação (7:11b). Contudo, de maneira algumas o apóstolo apoia o divorcio.

Paulo reafirma assim o ensino de Jesus de que o divórcio só é permitido para o cônjuge que foi vítima de infidelidade conjugal (Mt19:9).  O ensino bíblico é que “[…] o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:6). Deus colocou muros ao redor do casamento não para fazer dele uma prisão, mas um lugar seguro.

Cristãos casados com não-cristãos – 7:12-24

Antes de mais nada, Paulo não está tratando aqui de casamento misto (cristão casou com não-cristão). O ensino bíblico sobre isso é bastante claro. O casamento deve ser no Senhor (7:39). Para Paulo, namoro misto constitui um ato de desobediência aos preceitos divinos.

Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? – 2 Coríntios 6:14,15

Algumas pessoas na igreja de Corinto se converteram ao evangelho depois de casadas. Essa é a problemática que Paulo trata aqui. A igreja levanta a seguinte pergunta: “Devemos permanecer casados com nossos cônjuges incrédulos?“. Paulo responde com um SIM. “Aos mais digo eu, não o Senhor…” (7:12-13). Aqui o Senhor não havia tratado dessa matéria. Agora é Paulo que vai tratar do assunto, e ele diz: “[…] se algum irmão tem mulher incrédula, e essa consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido” (7:12-13).

É um ato de desobediência um cristão casar-se com um incrédulo, Mas se a pessoa se torna cristão depois de ter se casado, ela não não pode usar esse acontecimento como justificativa para a separação. Ao contrário! Ela precisa exercer a influência que tem como cristã para transformar seu lar e levar seu cônjuge à conversão (7:17-24). Paulo diz que a conversão não altera nossas obrigações sociais.

A dissolução do casamento – 7:15

Há casos em que o cônjuge incrédulo se recusa a conviver com o cônjuge crente. Caso o cônjuge incrédulo tome a iniciativa de separar-se do cônjuge crente, este fica livre do jugo conjugal (7:15). John Stott diz:

Se o cônjuge incrédulo desejar permanecer casado, então o cônjuge crente não deve recorrer ao divórcio. Mas se o cônjuge incrédulo não desejar permanecer casado, então o cônjuge crente está livre para divorciar-se e até casar novamente. – John Stott [2]

Em resumo, dos assuntos não tratados por Jesus, Paulo esclarece que só por abandono é permitido o divórcio aos cristãos. A regra geral, é que só há duas condições aceitas para o divórcio do cristão: infidelidade (Mt 19:9) ou abandono (7:15). A confissão de fé de Westminster retifica a infidelidade e o abandono como os únicos motivos para o divórcio e um novo casamento.


Notas:

[1] Henandes Dias Lopes, 1 Coríntios – Comentários expositivos, Hagnos

[2] John Stott, Grades questões sobre sexo.

1 Corintios, Simon Kistemaker, cultura cristã

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A influencia da soteriologia arminiana e wesleyana no pentecostalismo clássico brasileiro

A concepção de graça preveniente norteia a soteriologia pentecostal clássica, que reproduz ou se aproxima da teologia arminiana clássica e da teologia wesleyana.

O arminianismo clássico compreende que Deus oferece graça salvadora a todas as pessoas através do Espírito Santo (1Tm 2.3-4; Tt 2.11), capacitando-as a opor-se à influência do pecado, e possibilitando uma resposta positiva a Deus (Jo 15.26-27; 16.7-11). Deus toma sempre a iniciativa, cabendo ao pecador responder em fé e obediência voluntária (Lc 15; Rm 5.6-8; Ef 2.4-5; Fp 2.12-13). Contudo, os pecadores podem resistir à graça, e continuar no pecado e rebelião contra Deus. A graça de Deus capacita e encoraja uma resposta positiva e salvífica para todas as pessoas, mas ela não é determinante ou irresistível para ninguém (At 7.51). Uma resposta positiva inicial de fé e obediência também não garante a perseverança dos salvos. É possível iniciar um relacionamento genuíno e pessoal com Deus, e depois se afastar Dele, persistindo no mal de sorte que a pessoa, por fim, se perca (Rm 8.12-13; 11.19-22; Gl 5.21; 6.7-10; Hb 6.1-8; Ap 2.2-7). (WALLS, 2014, p. 14.)

As ideias acima estão presentes nas obras de Myer Pearlman (1898-1943), um dos principais teóricos do pentecostalismo clássico no Brasil. Pearlman, educador, teólogo e escritor norte-americano, teve sua obra Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, traduzida e publicada no Brasil em 1959, pelo missionário Lawrence Olson, e adotada como livro-texto de teologia sistemática, no Instituto Bíblico Pentecostal (IBP), no Rio de Janeiro, e no Instituto Bíblico das Assembleias de Deus (IBAD, em Pindamonhangaba (SP) (ARAÚJO, 2007, P. 547). Conforme Pearlman:

As Escrituras ensinam constantemente que o homem tem o poder de escolher livremente entre a vida e a morte, e Deus nunca violará esse poder. […] Pode-se resistir à graça de Deus? […] O Novo Testamento ensina, sim, que é possível resistir à graça divina e resistir para a perdição eterna (Jo 6.40; Hb 2.3; 6.46; 10.26-30; 2 Pe 1.10; 2.21), e que a perseverança é condicional dependendo de manter-se em contato com Deus. Note-se especialmente Hebreus 6.4-6 e 10.26-29. (PEARLMAN, 1970, p. 173)

Apesar de ainda não ter uma Confissão de Fé própria, o pentecostalismo clássico brasileiro, através de suas publicações nos órgãos oficiais (jornais, revistas e livros), é basicamente arminiano/wesleyano em sua soteriologia.

A graça preveniente na teologia de Jacó Armínio
O posicionamento de Armínio (1569-1609) sobre a graça preveniente foi registrado em sua Declaração de Sentimentos, onde ele atribui à graça o início, a continuidade e a consumação de todo bem. Para Armínio, a influência da graça é tamanha que um homem, embora regenerado, de forma alguma pode conceber, desejar, nem fazer qualquer bem, nem resistir a qualquer tentação do mal, sem esta graça preveniente e estimulante, seguinte e cooperante. Ele insiste no fato de que é equivocada a ideia que alguns disseminam a seu respeito alegando que uma ênfase exagerada é dada por ele ao livre-arbítrio. E ainda:

Pois toda a controvérsia se reduz à solução desta questão, “a graça de Deus é uma certa força irresistível”? Isto é, a controvérsia não diz respeito àquelas ações ou operações que possam ser atribuídas à graça, (pois eu reconheço e ensino muitas destas ações ou operações quanto qualquer um) mas ela diz respeito unicamente ao modo de operação, se ela é irresistível ou não. Em se tratando dessa questão, creio, de acordo com as Escrituras, que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida. (OLSON, 2013, p. 210).

Após a morte de Armínio, quarenta e seis ministros holandeses elaboraram um documento chamado de “Remonstrância” (protesto), onde reafirmaram os conceitos de Armínio. Em seu Artigo III, enfatiza a depravação total do homem. No Artigo IV se declara a possibilidade da graça preveniente ser resistida.

A graça preveniente na teologia de John Wesley
John Wesley (1703-1791), o grande teólogo e pregador inglês, pai do metodismo, movimento que influenciou o surgimento do pentecostalismo clássico, entendia a salvação do homem nos moldes do arminianismo clássico:

A graça opera diante de nós para nos atrair em direção à fé, para iniciar sua obra em nós. Até mesmo a primeira e frágil intuição da convicção do pecado, a primeira insinuação de nossa necessidade de Deus, é a obra da graça preparadora e antecedente à beira do nosso desejo, trazendo-nos em tempo de afligirmo-nos sobre nossas próprias injustiças, desafiando nossas disposições perversas, de modo que nossas vontades distorcidas gradualmente cessam de resistir ao dom de Deus. (OLSON, 2013, p. 219).

Sobre a ideia de graça irresistível, Wesley não defende tal realidade no que se refere aos aspectos do chamado ou oferta para a salvação, mas ao restabelecimento das faculdades humanas que estabelecem o equilíbrio e responsabilidade individuais. Para ele a graça preveniente não é irresistível, não aniquila a personalidade. A graça é necessária e imprescindível, pois produz no seu um “eu” responsável, e isso se dá em parte pela restauração das faculdades. No princípio do processo da salvação, não há uma graça cooperante, mas uma graça livre, como atividade apenas de Deus (COLLINS, 2010, p. 109).

Conclusão
O chavão evangelístico que diz “dê um passo para Deus que Ele dará dois em sua direção”, não se sustenta à luz do arminianismo clássico, do pensamento wesleyano, nem da própria teologia pentecostal clássica. Tal apelo é norteado pelo arminianismo de cabeça (OLSON, 2013, p. 23.) e arminianismo contemporâneo (WALLS; DONGELL, 2014, p. 64.), que são essencialmente semipelagianos, e que acreditam que o homem não se encontra no estado de depravação total, podendo de alguma maneira tomar a iniciativa de buscar a Deus e de conseguir a sua salvação pessoal.

O arminianismo clássico não defende a ideia de que o homem após a queda não se tornou totalmente depravado, de que pode escolher o bem espiritual, e de exercer fé em Deus de maneira a receber o evangelho e assim tomar posse da salvação para si mesmo (SEATON, 2012, p.4-5).

Toda salvação pessoal é resultado da iniciativa graciosa de Deus, que ilumina o entendimento humano para a verdade do Evangelho, e que afrouxa as rédeas do poder do pecado. Somente a operação da graça preveniente torna o homem capaz de crer e aceitar o dom gratuito de Deus, que é a vida eterna em Cristo Jesus (Ef 2.1-10), ou de livremente rejeitá-lo, tornando-se assim moralmente responsável por tais decisões.

Enquanto escrevo o presente artigo, há uma visível mobilização no pentecostalismo clássico brasileiro, partindo da academia e dos órgãos oficiais das Assembleias de Deus, no sentido de propagar e consolidar o pensamento teológico e soteriológico aqui exposto. Os limites da teologia arminiana/wesleyana no pentecostalismo clássico brasileiro, em sua relação com as demais correntes teológicas, caminham para uma maior clareza e percepção.


Referências bibliográficas
ARAÚJO, Isael de. Dicionário do movimento pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
COLLINS, Kenneth J. Teologia de John Wesley. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
OLSON, Roger E. Teologia Arminiana: mitos e realidades. São Paulo: Editora Reflexão, 2013.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Belo Horizonte: Editora Vida, 1970.
SEATON, W. J. Os cinco pontos do calvinismo. 3.ed. São Paulo: PES, 2012.
WALLS, Jerry; DONGELL. Por que não sou calvinista. São Paulo: Editora Reflexão, 2014.


Altair Germano Pastor e missionário na Europa pela Assembleia de Deus em Abreu e Lima-PE, conferencista e escritor. Retirado integralmente do site: Teologia Brasileira.

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Simonia

Esse comportamento derivou o seu nome de Simão, o mágico, um personagem bíblico que tentou comprar dos apóstolos Pedro e João o poder de conceder o Espírito Santo àqueles sobre os quais ele impusesse as mãos (At 8.18-24). Assim, a simonia veio a se referir à concessão ou obtenção de qualquer coisa espiritual ou sagrada mediante remuneração, fosse ela monetária ou de outra espécie. Em outras palavras, era a compra e venda de coisas religiosas. Cometia esse pecado quem oferecia e quem recebia pagamento em troca de um bem espiritual ou eclesiástico. Na Idade Média, referia-se principalmente ao comércio de cargos da igreja. Um papa que se notabilizou por sua luta incessante contra esses males foi Hildebrando, ou Gregório VII (1073–1085), que adotou como lema de seu pontificado as contundentes palavras de Jeremias 48.10: “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente!”.

Curiosamente, em certo sentido a Reforma Protestante surgiu como consequência de dois casos de simonia. Um deles foi a compra do arcebispado de Mainz, ou Mogúncia, na Alemanha, pela poderosa família Hohenzollern, mediante uma negociação questionável com o papa Leão X envolvendo altas somas de dinheiro. O segundo caso ocorreu quando o novo arcebispo (e futuro cardeal) Alberto de Brandenburgo promoveu uma venda especial de indulgências, cujos rendimentos foram utilizados em parte para saldar a dívida da compra do arcebispado, sendo a outra parte entregue ao papa para financiar a construção da catedral de São Pedro, em Roma. A reação de Martinho Lutero contra esse comércio do perdão, mediante suas Noventa e Cinco Teses, foi o estopim da Reforma.

Durante séculos, o ministério protestante foi caracterizado por elevados padrões éticos, especialmente na sensível área das finanças. Seguindo o exemplo de Cristo e seus apóstolos (At 20.33s; 2Co 11.7), a maior parte dos pastores e líderes procuravam realizar o seu trabalho como uma expressão de serviço desinteressado a Deus e às pessoas, isento de ambições materiais. Mesmo indivíduos de grande projeção, como avivalistas e evangelistas de massa (Wesley, Whitefield, Spurgeon, Billy Graham e outros), jamais usaram de seu grande carisma e influência para auferir vantagens pecuniárias e aumentar o seu patrimônio. Tal comportamento sóbrio e consciencioso ocorreu em todos os ramos do protestantismo, tanto os tradicionais ou históricos como, mais tarde, os pentecostais clássicos.

Esse honroso legado sofreu um abalo lamentável e constrangedor no Brasil, a partir da década de 1970, com o surgimento do chamado neopentecostalismo. Firmados numa teologia duvidosa, resultante de uma interpretação tendenciosa e altamente seletiva das Escrituras, os principais líderes desse movimento vêm demonstrando uma atitude em relação ao dinheiro que em nada difere do velho pecado da simonia. Servindo-se do poderoso veículo da televisão e manipulando com habilidade as carências e ambições de uma considerável parcela da população, esses pregadores têm transformado o evangelho e suas bênçãos em mercadoria e fonte de lucro (2Co 2.17; 1Tm 6.5,10).

A recepção de benefícios como a cura, a prosperidade e a felicidade é condicionada à entrega de contribuições, dando-se a entender que as bênçãos serão proporcionais à generosidade do ofertante. Fica inteiramente esquecido o ensino claro de Jesus: “[…] de graça recebestes, de graça dai” (Mt 10.8). Em consequência disso, surgiu uma geração de pastores-empresários que estão se colocando entre os homens mais ricos do país. Dominados pela ganância condenada com tanta veemência nas Escrituras (1Ts 2.5; Tt 1.7; 1Pe 5.2), estão acumulando grandes fortunas na forma de mansões, fazendas, carros de luxo e, agora, o símbolo máximo dos novos ricos – jatinhos particulares. Eles influenciam de tal forma os seus seguidores que estes, além de não questionarem tal procedimento, acham que seus líderes merecem os privilégios que usufruem.

Não se discute que os obreiros cristãos sejam remunerados condignamente pelo seu trabalho (2Co 8.14). O que se lamenta é a mercantilização da fé, que tantos prejuízos tem trazido para a causa de Cristo ao longo dos séculos, obscurecendo a graça de Deus, o seu favor imerecido. Os modernos simoníacos não só estão manchando para sempre a sua própria reputação, mas também contribuindo para prejudicar a imagem de toda a classe ministerial e das comunidades evangélicas. Suas ações têm produzido e continuarão a produzir reações negativas da imprensa, da opinião pública e dos governantes. Eles fariam bem em considerar as palavras ditas pelos apóstolos a Simão, o mágico – e se arrependerem enquanto é tempo.

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Por que um cristão não pode ser marxista?

Um cristão marxista faz tanto sentido quanto uma luz escura em um quadrado redondo. É mais que um paradoxo, é um absurdo. No entanto, em nossa era relativista, onde se busca conciliar o inconciliável, minha afirmação é que parece absurda. Mas não é. É a pura verdade.

Os que se espantam com essa afirmação provavelmente desconhecem não apenas a história do marxismo. Ignoram completamente seus próprios fundamentos, sua real natureza. Se os conhecessem com certeza saberiam que cristianismo e marxismo são tão incompatíveis quanto a luz e as trevas.

Um tempo atrás a incompatibilidade entre ambos era óbvia e este artigo seria desnecessário. Muitos ficariam chocados ao ver cristãos verdadeiros debruçados sobre textos de pensadores marxistas e tentando absorvê-los. Depois da queda do Muro de Berlim alguns acreditam que o marxismo se tornou inofensivo, como se o veneno não fosse mais mortífero somente porque um frasco se quebrou.

Qualquer teologia ou prática cristã que considere positivamente o marxismo devem ser totalmente desconsideradas. Pode-se fazer um paralelo com a crítica de Emil Brunner à Rudolf Bultmann, ambos teólogos alemães:

Heidegger é ateu confesso; ele não admite nenhuma revelação – não entende nenhuma, não necessita de nenhuma e não deixa margem para a existência de nenhuma. Ele [Heidegger] acha risível que Bultman esteja a ‘fazer teologia da minha filosofia’.
Da mesma forma é irônico um cristão aprovar ou justificar o marxismo, que dirá tentar fazer teologia com ele. Como Heidegger, Marx e Engels achariam essa atitude digna de riso. Ame seus inimigos, mas não os confunda com os amigos.
O próprio Emil Brunner, mesmo não sendo um teólogo conservador, conseguia enxergar a real natureza do marxismo e sua incompatibilidade com o cristianismo.

O comunismo demonstra ser ainda o mais tremendo opositor ideológico do cristianismo. O conceito de verdade não desempenha nenhum papel na ideologia comunista, e um poder totalitário qualquer poderá promover a liquidação da teologia.
Na verdade, os marxistas conscientes bem sabem da impossibilidade de conciliação com o cristianismo. Todavia, na busca pelo poder absoluto é preciso fazer concessões até o momento do bote. Uma vez no poder já não será mais necessário cortesias e contenções. A verdadeira natureza se revelará. Como na história do escorpião que atravessou o rio nas costas do sapo prometendo não feri-lo. O picou assim que chegaram do outro lado. Diante da contestação do sapo pela promessa feita, o escorpião disse que não podia evitar. Fazia parte de sua natureza. Quem conhece a natureza da ideologia marxista sabe muito bem que nenhuma promessa amistosa evitará a manifestação de sua natureza real que é plenamente anticristã.
Pensemos na afirmação de Hitler com relação à Igreja:

O fascismo pode, se quiser, concluir sua paz com a Igreja. Também eu o faria. E por que não? Isto não me impedirá de extirpar o cristianismo da Alemanha.

Nunca foi diferente com o comunismo. Falsas alianças com o cristianismo precederam a perseguição. Faz parte de sua natureza.

Como eu disse, há algumas décadas esse artigo seria totalmente desnecessário. Quem leu Torturado por amor a Cristo, do pastor romeno Richard Wurbrandt ou O contrabandista de Deus, do irmão André, sabia o que era o comunismo. Contra toda esperança, do cubano Armando Valadares, livro que denunciava a tirania do governo Castro deixou de circular, enquanto o mesmo governo, com todo seu totalitarismo marxista continua de pé. Naqueles tempos, o mais simples cristão sabia que o marxismo-socialismo-comunismo era do mal e completo inimigo do cristianismo. Isso foi em outras épocas. Agora tudo mudou. Hoje este artigo tornou-se urgente. Os marxistas já estão quase terminando de atravessar o rio nas costas dos cristãos e muito em breve o bote certeiro virá.

Aqueles que procuram aceitar o marxismo alegando que ele contém “elementos cristãos” (como a crítica à injustiça social, por exemplo) deveriam então abraçar o islamismo uma vez que este confirma certas crenças bíblicas (como a ressurreição, por exemplo). No entanto, é tão impossível conciliar marxismo com o cristianismo quanto igualar um cristão verdadeiro e um muçulmano. Nenhum ecumenismo ingênuo pode fazê-los amigos, nenhum malabarismo teológico ou filosófico pode torná-los semelhantes em qualquer sentido.

Cristão marxista? Tão real quanto um fogo gelado emanando de uma luz escura.


Autor: Eguinaldo Hélio Souza

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O cristão e o voto

É possível alinhar a ideologia de esquerda com a doutrina social da igreja na perspectiva reformada?

Levanto aqui apenas algumas questões para o cristão tentar responder antes de adotar um discurso de defesa das ideologias políticas.

Mercado e sua regulamentação

Todas  as sociedades modernas concordam que precisamos de algumas leis a fim de evitar a fraude e a injustiça nas transações comerciais. Por exemplo, o governo deve impor o cumprimento de contratos e também determinar alguns padrões de higiene e de segurança na venda de medicamentos, alimentos e outros produtos. O governo deve impor normas de saúde e higiene em restaurantes e controlar o uso de pesos e medidas. O governo também têm autoridade genuína para coletar impostos visando o cumprimento de suas funções. Paulo diz que, pelo fato de a autoridade civil ser “serva de Deu para o teu bem” (Rm 13:4), “pagais impostos; porque [os governantes] são servos de Deus, para atenderem a isso. Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo…” (Rm 13:6,7). Os governos têm o direito moral de cobrar impostos para suas funções legítimas: recompensar o bem e punir o mal e estabelecer a ordem na sociedade, pois Pedro diz que os governadores são enviados “para punir os praticantes do mal e honrar os que fazem o bem” (1Pe 2:14).

No entanto o estado têm, com muita frequência ido muito além dessas funções legítimas. Qual é o limite do Estado?

Vamos verificar alguns pontos sobre o limite do estado e suas funções numa perspectiva bíblica.

  1. O ensino bíblico sobre o papel do estado dá apoio ao livre mercado, não se encontra na bíblia nenhuma ideia de o estado ter direito de tomar a propriedade ou o controle de empresas particulares. A função do estado é punir o mal, recompensar os que fazem o bem (1 Pe 2:13-14) e impor ordem na sociedade. Não creio que o propósito de Deus seja que o estado possua os bens ou as empresas de uma nação. O estado não consegue administrar sequer áreas exclusivas a ele, como evitar fraudes, como pode administrar empresas? (no Brasil temos o exemplo recente da Petrobras).
  2. A bíblia adverte contra o governante que usa seu poder para tomar o que pertence legitimamente ao povo, incluindo seus campos e vinhas (1 Sm 8:10-18). Hoje em nosso país há uma ideia da esquerda que o governo pode simplesmente tomar e distribuir terras.
  3. O ensinamento da bíblia sobre a proteção da propriedade privada indica que a propriedade pertence legitimamente a pessoas, e não ao governo, empresas são uma forma de propriedade (Êx 20:15; Lv 25:10; 1Rs 21:1-29; At5:4).
  4. A ênfase da bíblia no valor da liberdade humana (Êx 20:2; Is 61:1; 1Co 7:21; Gl 5:1) também favorece um sistema de livre mercado que permite às pessoas escolher onde trabalhar, o que comprar , como administrar uma empresa e como gastar seu dinheiro. Uma economia controlada pelo governo, o governo toma as decisões pelas pessoas.
  5. A história mostra repetidas vezes que o livre mercado traz melhores resultados do que uma economia controlada pelo estado.

Desigualdade econômica

A bíblia não pressupõe que os ricos conquistaram sua riqueza por algum meio desonesto. Também não há sugestão alguma de que o estado têm o direito de tomar o dinheiro de pessoas ricas simplesmente porque são ricas.

A ênfase das escrituras está em tratar tantos ricos quanto pobres com equidade e justiça (Êx 23:3,6). Se cometerem erros, devem ser punidos, mas se não cometerem, não devem ser punidos (Pv 17:26; 1Rs2:14). No entanto a riqueza ou a pobreza em si só não indica com precisão o caráter da conduta de alguém na sociedade. Rotular todos os ricos como sendo maus ou provavelmente maus ou pressupor que se tornaram ricos de forma desonesta são atitudes injustas e contrárias ao ensino bíblico.

O que dizer da atitude que afirma que o dinheiro dos ricos deve ser tomado, pois não fará falta pra eles ou porque essa ação não vai prejudicá-los? O ensinamento bíblico é: Não roubarás (Êx 20:15). Não é correto roubar dos pobres nem é correto roubar dos ricos.

Mas será que o estado deve tentar equiparar a quantidade de rendimentos ou bens das pessoas ou realizar ações que caminhem na direção da igualdade?

Existe uma real necessidade de programas sociais apoiados pelo estado para ajudar casos de urgente necessidade. Também é necessário que o estado forneça financiamento suficiente para que todos possam obter habilidades e formação adequadas para que obter o que necessitam. Portanto, no que diz respeito a algumas necessidades básicas da vida (alimentação, vestuário, moradia, ensino, saúde e segurança), é correto o estado “tomar de todos e dar aos pobres”. Isso é apoiado pelo ensino bíblico de que a autoridade civil é serva de Deus para o o bem (Rm 13:4). Certamente buscar o “bem” da sociedade inclui cuidar para que ninguém sofra com a ausência de necessidades básicas como alimentação, vestuário, moradia, ensino, saúde e segurança como também não tenha ausência das habilidades necessárias para prover o próprio sustento. Essa ajuda pode ser dada com recursos de receitas fiscais gerais. No entanto, observe que essas convicções se baseiam no objetivo do governo  de promover o bem-estar geral da sociedade e não em ideia vaga sobre o pressuposto de justiça em reduzir as diferenças entre ricos e pobres.

Além dessas exigências básicas, não encontramos qualquer justificativa para pensar que o governo, como parte da política publica, deva tirar dos ricos para dar aos pobres. Alias, quando em uma sociedade, prejuízos significativos  são causados à economia é causado à sociedade.

De fato, há vezes em que as pessoas são pobres em consequência da opressão ou da injustiça que sofrem ou por causa de uma tragédia ou um infortúnio pessoal. Nesses casos tanto a igreja quanto o governo devem auxiliar essas pessoas, e o governo deve punir a injustiça.

No entanto, com exceção da injustiça e das tragédias pessoais, em uma sociedade livre em que não corre nenhum confisco de bens pelo governo, a quantidade de dinheiro que as pessoas ganham ainda varia muito, porque elas têm habilidades diferentes, interesses diferentes e níveis distintos de ambição econômica. Portanto, se as pessoas estivessem livres da intervenção governamental, algumas se tornarão muito ricas, outras terão uma renda satisfatória e alguns permanecerão relativamente pobres. Se o sistema econômico for relativamente livre, isso de fatos acontecerá. Para termos uma ideia de Brasil quando o assunto é liberdade econômica, O Brasil ocupa a posição 153 (o ranking vai até a posição 180) no Ranking de Liberdade Econômica segundo o site www.heritage.org/index/ranking.

Tente imaginar que por meio de algum tipo de experimento social, todas as pessoas de uma sociedade recebessem inicialmente cem mil Reais em dinheiro, depois de poucas semanas alguns teriam gastado tudo, outros teriam poupado a maior parte e alguns teriam investido grande parte em atividades que geram mais renda. Depois de alguns meses haveria novamente desigualdade significativa. Isso é inevitável enquanto as pessoas puderem ser livres.

Então, como um governo pode obrigar as pessoas a ter quantias iguais de bens? Somente por meio da redistribuição constante de dinheiro, tomando daqueles que foram econômicos e produtivos e dando a muitas outras pessoas, incluindo àquelas que têm sido improdutivas ou têm desperdiçado seu dinheiro. Em outras palavras, a suposta redistribuição de bens que os partidos socialistas querem implantar no Brasil, não pode ser mantida se não penalizar continuamente os bons hábitos e ao mesmo tempo recompensar os maus hábitos. Quanto mais tempo essa política fosse mantida, mais a sociedade cairia em uma espiral de pobreza e desespero. Esse tem sido o resultado inevitável das sociedades comunistas e/ou socialistas.

Isso ocorre da mesma forma, mas em grau menor em situações nas quais a intenção do governo não é equipara os bens, mas as diferenças nos níveis de renda de uma população, isso ocorre sempre mediante sérias restrições à liberdade humana e também prende a maior parte da nação na “igualdade” da pobreza.

Nas chamadas sociedade “igualitárias”, mesmo que as pessoas sejam iguais nos bens de valor econômico, inevitavelmente serão desiguais em relação ao poder político e aos privilégios dados pelo governo. Se a desigualdade econômica é removida, é simplesmente substituída pela desigualdade de privilégios e de grandes benefícios que provêm do poder político elevado. O papel do governo não deve ser equiparar a renda ou os bens das pessoas em uma sociedade.

É correto ajudar os pobres, pois vários versículos das Escrituras ordenam que se faça isso (Rm 15:25,26; Gl 2:10; 1Jo 3:17). No entanto, temos de lembrar que o financiamento de programas de bem-estar social que atendam a necessidades de curto prazo nunca serão uma solução de longo prazo para a pobreza. Se o financiamento de programas sociais se torna a única solução para a pobreza, ele simplesmente tem de ser repetido constantemente, e os beneficiários continuam pobres. A única solução em longo prazo para a pobreza vem quando as pessoas têm habilidades suficientes e disciplina para obter e manter empregos economicamente produtivos.

O governo em si não tem condições de oferecer às pessoas empregos economicamente produtivos (com exceção de alguns empregos bancados com recursos públicos, como os serviços públicos). De longe, o maior número de empregos economicamente produtivos (empregos que contribuem de fato com algo novo de valor para a sociedade) é encontrado no setor privado. Todo negócio bem-sucedido dá Às pessoas empregos economicamente produtivos pelos quais são pagas e, dessa forma, agrega valor à sociedade. A pessoa pobre que trabalha nesse emprego é paga de acordo com o valor agregado e assim começa a sair da pobreza.

Isso deve ocorrer porque Deus deseja que as pessoas sejam economicamente produtivas. Antes de existir qualquer pecado ou mal no mundo, Deus colocou Adão no jardim do Éden “para que […] o cultivasse e guardasse” (Gn 2:15) – trabalho produtivo é parte essencial da forma que Deus nos criou como seres humanos. Por isso,  ao menos em parte, fornece um incentivo ao trabalho regular (Pv 16:26).

Portanto, para aqueles que desejam ajudar os pobres e vencer o problema da pobreza, o seu objetivo principal não deve ser aumentar as benesses do governo, mas oferecer incentivos e condições adequadas para que empresas particulares cresçam e prospere e, consequentemente, criem empregos que serão a única solução em longo prazo para a pobreza e a única maneira de os pobres adquirirem a dignidade e o autorrespeito que são resultado de se sustentarem.

Desse modo, os governos devem incentivar o desenvolvimento e o lucro das empresas. Esse incentivo envolveria um livre mercado, com um sistema funcional de preços para orientar a distribuição de recursos, um sistema monetário estável, a punição efetiva de crimes, a a imposição do cumprimento de contratos e leis de patente e de direitos autorais e, também, a proteção da propriedade privada. Também incluiria um sistema judicial justo, níveis de taxação relativamente baixos, um sistema eficaz de ensino e um sistema bancário confiável. Quando governos implementam esses fatores, as empresas podem crescer, prosperar e criar empregos que por si só tirarão permanentemente as pessoas da pobreza.

Soli Deo gloria

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Dízimo, outra vez?

Um dos assuntos mais debatidos hoje dentro das igrejas sem dúvidas é a validade do DÍZIMO, todos os dias vejo cristãos postando nas redes sociais frases contrarias ao dízimo, o que mais chama a atenção não é apenas o posicionamento das pessoas sobre o assunto, mas a fundamentação, TODAS as pessoas que conheço que se dizem contrarias ao dízimo são superficiais biblicamente, inconstantes, alheios a todo corpo e alegam não ser uma prática no Novo Testamento.

Em minha opinião apesar de entender que do ponto de vista neotestamentário o dízimo  não é normativo, tenho percebido que muitos daqueles que advogam a abolição do dízimo  o fazem por razões escusas, cujas motivações principais se devem  a avareza, falta de conhecimento bíblico e/ou adesão ao pluralismo e relativismo religioso.

DIRETO AO PONTO

O dízimo assim como muitas das instruções/mandamentos veterotestamentário são princípios e não meramente um conjunto de regras, vamos entender. Todo o antigo testamento serve de AIO (tutor), Gálatas 3:24 – παιδαγωγος paidagogos. Tutor, i.e., um guardião e guia de meninos. Entre os gregos e os romanos, o nome era aplicado a escravos dignos de confiança que eram encarregados de supervisionar a vida e a moralidade dos meninos pertencentes à elite. Aos meninos não era nem mesmo permitido sair de casa sem a sua companhia até que alcançassem a idade viril.

Para quem acredita que o dízimo é algo imposto pela lei mosaica, deve entender que antes da lei Abraão dizimou.

Esse Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, encontrou-se com Abraão quando este voltava, depois de derrotar os reis, e o abençoou; e Abraão lhe deu o dízimo de tudo. Em primeiro lugar, seu nome significa “rei de justiça”; depois, “rei de Salém” quer dizer “rei de paz”. Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre. Considerem a grandeza desse homem: até mesmo o patriarca Abraão lhe deu o dízimo dos despojos! – Hebreus 7:1-4

E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou seus inimigos em suas mãos”. E Abrão lhe deu o dízimo de tudo. – Gênesis 14:20

Melquisedeque recebeu dízimos – מעשר ma Ìaser = dízimo, décima parte – de Abraão, 2.000 anos antes de Cristo e 700 anos antes da lei mosaica. O costume de pagar o dízimo era muito comum entre os povos semíticos. A forma como este fato foi mencionado parece indicar que se tratava de um costume estabelecido. O voto de Jacó (Gn 28.22) acrescenta ainda mais peso a esta opinião.

O dízimo de Israel consistia de um décimo de toda a produção anual de alimentos e do crescimento dos rebanhos de ovelhas e gado. Era um costume considerado sagrado para Jeová, da mesma forma que o aluguel ou imposto feudal dedicado a Ele que era, realmente, o dono da terra. Certas Escrituras sugerem que esses dízimos consistiam de décimo de tudo que restava das “primícias de todos os frutos da terra”, depois que a oferta sacerdotal havia sido separada (Êx 23.19; Dt 26.1ss). Como a lei não estabelecia a quantidade a ser oferecida como uma oferta das primícias, alguns consideram as regras do dízimo como a definição do que deveria ser pago. Outros consideram o dízimo um complemento destes primeiros frutos. Fontes judaicas indicam que essa segunda hipótese é verdadeira e que as “primícias dos primeiros frutos” geralmente representavam uma quinta parte da produção.

No Pentateuco, a legislação sobre os dízimos era a seguinte:

1. Levítico 27.30-33. Um décimo de toda a produção (safras, frutas, azeite, vinho) e de todos os animais deveria ser dedicado ao Senhor. O dízimo da produção da terra podia ser compensado (ou “remido”) se a ele fosse acrescido um quinto de seu valor. O dízimo dos animais não podia ser compensado. O crescimento do rebanho era calculado e todo décimo animal era considerado santificado para o Senhor. Isso estava de acordo com as instruções dadas a Israel, anteriores ao Sinai, de que os primogênitos dos rebanhos pertenciam ao Senhor (Êx 13.12,13). Tudo o que passasse “debaixo da vara” (Lv 27.32) era designado aos levitas para fazer o que bem entendessem, pois não haviam recebido nenhuma parte da terra como herança (cf. Nm 18.21-32). Além desse dízimo, os levitas pagavam um dízimo (ou oferta alçada) aos sacerdotes, que deveria ser levado ao templo de Jerusalém. Neemias 10.38 sugere que havia uma supervisão dessa divisão de dízimos.

2. Deuteronômio 12.5,6,11,18 (cf. Am 4.4). O dízimo das festas correspondia a um décimo dos nove décimos que restava. Devia ser separado e levado para Jerusalém onde era consumido como refeição sagrada pelo ofertante e seus familiares, junto com o levita que está dentro das suas portas (Dt 12.15). Se a distância era proibitiva, os dízimos podiam ser vendidos e o dinheiro usado para a compra de alimentos ou animais para servirem como ofertas em Jerusalém (cf. Dt 14.22-27).

3. Deuteronômio 26.12-15; 14.28-29. O dízimo trienal ou dízimo da caridade, oferecido durante o terceiro ano, era destinado aos levitas, aos estrangeiros, aos órfãos de pai e às viúvas.
As opiniões diferem em relação a esse terceiro dízimo. De acordo com Josefo ele era, na verdade, um terceiro dízimo oferecido a cada três anos, do qual os levitas e os sacerdotes eram obrigados a participar. Outros afirmam que a cada três anos, o segundo dízimo, ou dízimo da festa, era oferecido aos pobres em casa, invés de ser levado a Jerusalém.
O pagamento do dízimo não era obrigatório, mas uma questão de consciência perante o Senhor. O povo deveria obedecer a estes decretos com todo coração e alma (Dt 26.16). A cada três anos deveria ser feita uma solene declaração no último dia da Páscoa, dizendo o seguinte: “Obedeci à voz do Senhor, meu Deus; conforme tudo o que me ordenaste, tenho feito” (Dt 26.14).

Dízimo nos tempos de Jesus mas ainda na antiga aliança

A nova aliança inicia-se quando Jesus é assunto aos céus, isso significa que as narrativas da vida de Jesus são regidas pela antiga aliança, uma vez que para a nova aliança ter inicio, Cristo precisava morrer.

Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança.

No caso de um testamento, é necessário que comprove a morte daquele que o fez; pois um testamento só é validado no caso de morte, uma vez que nunca vigora enquanto está vivo aquele que o fez. – Hebreus 9:15-17

Embora haja algumas passagens mencionando o termo dízimo no novo testamento, todas as vezes ainda é feita sob a antiga aliança, no entanto Jesus não faz nenhuma exortação contrariando a prática, exemplo:

Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas. – Mateus 23:23

Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho – Lucas 18:12

Ai de vocês, fariseus, porque dão a Deus o dízimo da hortelã, da arruda e de toda a sorte de hortaliças, mas desprezam a justiça e o amor de Deus! Vocês deviam praticar estas coisas, sem deixar de fazer aquelas. – Lucas 11:42

Na nova aliança

Na nova aliança há uma passagem que refere-se ao dízimo, Hb 7. 1-10; Eis as lições desse texto:

  • O Pai da fé deu dízimo de tudo – v. 2;
  • O pai da fé deu o dízimo do melhor – v. 4;
  • A entrega dos dízimos se deu não por pressão da lei, uma vez que o povo israelita ainda não existia e, portanto, muito menos a lei judaica – v. 6;
  • Hebreus nos faz perceber e reconhecer a superioridade do valor do dízimo que é dado a Cristo (imortal) em relação ao dado aos sacerdotes (mortais) – v. 8;
  • O autor destaca que os que administram os dízimos também devem ser dizimistas – v. 9.

Ser ou não ser dizimista é uma questão de acreditarmos na causa que abraçamos, na “pérola que encontramos.” Se não houvesse a necessidade de dizimar, por que nem Jesus nem os apóstolos não fizeram menção contraria a essa prática? Haja vista que em diversas passagens Jesus e/ou os apóstolos reformularam, anulando algumas práticas veterotestamentárias. Por exemplo, quando quiseram continuar com a prática do que seria adultério, veja como Jesus opôs-se reformulando o conceito:

Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’.
Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. – Mateus 5:27,28

Alguns homens desceram da Judéia para Antioquia e passaram a ensinar aos irmãos: “Se vocês não forem circuncidados conforme o costume ensinado por Moisés, não poderão ser salvos”.
Isso levou Paulo e Barnabé a uma grande contenda e discussão com eles. Assim, Paulo e Barnabé foram designados, juntamente com outros, para irem a Jerusalém tratar dessa questão com os apóstolos e com os presbíteros. – Atos 15:1,2

Por que Jesus nem os apóstolo não rejeitaram essa prática?

Ainda na Nova Aliança

Embora a palavra dízimo,  δεκατη dekate =  décima parte de algo, não aparece em outras ocasiões da nova aliança, há inúmeras passagens falando de GENEROSIDADE. A bíblia ensina que a igreja  (seus membros) devem doar recursos financeiros, embora não o chame de dízimo, o principio permanece inalterado.

Se alguma mulher crente tem viúvas em sua família, deve ajudá-las. Não seja a igreja sobrecarregada com elas, a fim de que as viúvas realmente necessitadas sejam auxiliadas. Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino, pois a Escritura diz: “Não amordace o boi enquanto está debulhando o cereal”, e “o trabalhador merece o seu salário – 1 Timóteo 5:16-18

O exemplo acima citado menciona que o “obreiro” deve receber SALÁRIO, como poderia receber sem que a igreja venha contribuir ?

O que prevalece na nova aliança realmente não é a obrigatoriedade do cumprimento da lei, mas o principio que ela nos ensinou, ainda acerca não mais de dízimo, mas agora sobre o principio de generosidade Paulo ensina:

Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra. – Romanos 7:6

Assim, por exemplo, quando o apóstolo Paulo dá instruções sobre como devemos dar, ele nunca nos instrui a deixar o dízimo de lado. Ele diz coisas como:

No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar. –  I Co 16.2

E então, o apóstolo Paulo diz em II Coríntios 8.3 que nós deveríamos dar de acordo com a medida de nossas posses:

“Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários.”

E em II Coríntios 9.6-7, o apóstolo Paulo descreve o dar com o qual Deus se deleita:

“E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.”

Assim, a questão aqui não é que nós deveríamos ser governados por porcentagens ou pela lei do antigo testamento. Elas não são obrigatórias. Ao invés disto, nós deveríamos ser governados pela generosidade pródiga e sacrificial que transborda livremente e alegremente.

O ensino de Paulo sobre GENEROSIDADE é que devemos ofertar com coração alegre, sistematicamente e proporcionalmente.

Negar esse principio é negar as escrituras. Hoje muitos crentes não são fiéis a Deus na entrega dos dízimos. Para justificar esta atitude criam vários justificativas e desculpas. Se dependessem deles a igreja fecharia as portas. Não existiria templos, nem pastores, nem missionários, nem bíblias distribuídas, nem assistência social.
Eis as justificativas clássicas dos não-dizimistas:

I. JUSTIFICATIVA TEOLÓGICA
Ah, eu não sou dizimista, porque DÍZIMO é da lei. E eu não estou debaixo da lei, mas sim da graça.
Sim! O dízimo é da lei, é antes da lei e é depois da lei. Ele foi sancionado por Cristo. Se é a graça que domina a nossa vida, porque ficamos sempre aquém da lei? Será que a graça não nos motiva a ir além da lei?
Veja: a lei dizia: Não matarás = EU PORÉM VOS DIGO AQUELE QUE ODIAR É RÉU DE JUÍZO
a lei dizia: Não adulterarás = EU PORÉM VOS DIGO QUALQUER QUE OLHAR COM INTENÇÃO IMPURA…
a lei dizia: Olho por olho, dente por dente = EU PORÉM VOS DIGO: SE ALGUÉM TE FERIR A FACE DIREITA, DÁ-LHE TAMBÉM A ESQUERDA.
A graça vai além da lei: porque só nesta questão do dízimo, ela ficaria aquém da lei? Esta, portanto, é uma justificativa infundada.

II. JUSTIFICATIVA SENTIMENTAL
Muitos dizem: A bíblia diz em II Co 9.7 “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” = espontânea e com alegria.
Perguntamos também: O que estará acontecendo em nosso coração que não permite que não tenhamos alegria em dizimar? Em sustentar a Causa que abraçamos e defendemos?

III. JUSTIFICATIVA FINANCEIRA
“O que eu ganho não sobra ou mal dá para o meu sustento.
1) O dízimo não é sobra = Dízimo é primícias. “Honra ao Senhor com as primícias da tua renda.” Deus não é Deus de sobras, de restos. Ele exige o primeiro e o melhor.
2) Contribua conforme a tua renda para que a tua renda não seja conforme a tua contribuição = Deus é fiel. Ele jamais fez uma exigência que não pudéssemos cumprir.
3) Se não formos fiéis, Deus não deixa sobrar = Ageu diz que o infiel recebe salário e o coloca num saco furado. Vaza tudo. Foge entre os dedos. Quando somos infiéis fechamos as janelas dos céu com as nossas próprias mãos e espalhamos o devorador sobre os nossos próprios bens.

IV. JUSTIFICATIVA ASSISTENCIAL
“Prefiro dar meu dízimo aos pobres. Prefiro eu mesmo administrar meu dízimo.
“ A Bíblia não nos autoriza a administrar por nossa conta os dízimos que são do Senhor. O dízimo não é nosso. Ele não nos pertence. Não temos o direito nem a permissão nem para retê-lo nem para administrá-lo.
A ordem é: TRAZEI TODOS OS DÍZIMOS À CASA DO TESOURO PARA QUE HAJA MANTIMENTO NA MINHA CASA. A casa do Tesouro é a congregação onde assistimos e somos alimentados.
Mas será que damos realmente os “nossos” dízimos aos pobres? Com que regularidade? Será uma boa atitude fazer caridade com a parte que não nos pertence?

V. JUSTIFICATIVA POLÍTICA
“Eu não entrego mais os meus dízimos, porque eles não estão sendo bem administrados.”
Não cabe a nós determinar e administrar do nosso jeito o dízimo do Senhor que entregamos. Se os dízimos não estão sendo bem administrados, os administradores darão conta a Deus. Não cabe a nós julgá-los mas sim Deus é quem julga. Cabe a nós sermos fiéis.
Não será também que esta atitude seja aquela do menino briguento, dono da bola, que a coloca debaixo do braço sempre que as coisas não ocorrem do seu jeito?
Deus mandou que eu trouxesse os dízimos, mas não me nomeou fiscal do dízimo.

VI. JUSTIFICATIVA MÍOPE
“A igreja é rica e não precisa do meu dízimo.”
Temos conhecimento das necessidades da igreja? Temos visão das possibilidades de investimento em prol do avanço da obra? Estamos com essa visão míope, estrábica, amarrando o avanço da obra de Deus, limitando a expansão do Evangelho?
AINDA, não entregamos o dízimo para a igreja. O dízimo não é da igreja. É DO SENHOR. Entregamo-lo ao Deus que é dono de todo ouro e de toda prata. Ele é rico. Ele não precisa de nada, mas exige fidelidade. Essa desculpa é a máscara da infidelidade.

VII. JUSTIFICATIVA CONTÁBIL
“Não tenho salário fixo e não sei o quanto ganho.”
Será que admitimos que somos maus administradores dos nossos recursos? Como sabemos se o nosso dinheiro dará para cobrir as despesas de casa no final do mês?
Não sabendo o valor exato do salário, será que o nosso dízimo é maior ou menor do que a estimativa? Porque ficamos sempre aquém da estimativa? Será auto-proteção? Será desinteresse?

VIII. JUSTIFICATIVA ECLESIOLÓGICA
“Não sou membro da igreja”
Acreditamos mesmo que os nossos deveres de cristãos iniciam-se com o Batismo e a Profissão de Fé ou com a inclusão do nosso nome num rol de membros?
Não será incoerência defendermos que os privilégios começam quando aceitamos a Cristo: (o perdão, a vida eterna) e os deveres só depois que nos tornamos membros da igreja? Somos menos responsáveis pelo crescimento do Reino de Deus só porque não somos membros da igreja?

Para os desigrejados (quem não faz parte de uma igreja local ou denominação), qualquer sistema de contribuição com a instituição religiosa é visto com antipatia, pois são esses recursos que mantêm a instituição eclesiástica. Para alguns igrejados (que pertence a uma igreja local ou denominação) o dízimo não tem sido dado a devida atenção, em virtude dos desafetos com o abuso dos líderes eclesiásticos, criou-se uma repulsa aos assuntos relacionados a dinheiro, dízimos, contribuições para uma igreja local, quando segundo caso é a motivação vale lembrar que os reformadores ao se depararem com o mau uso das doutrinas bíblicas não negaram a validade delas, mas fizeram com que se retornasse a elas como deveria ser, negar as escrituras com base nos erros de autoridades eclesiásticas é negar também a reforma, além do que não se encontra nenhum reformador, pai da igreja ou um grande teólogo refutando tal ensino. Por isso acho que aqueles que negam esse ensino são os mesmos que vivem trocando de igrejas, sem nunca  relacionar-se com o corpo de Cristo, sua igreja.

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. – 2 Timóteo 3:1-5
Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece, e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los. Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos. Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. – Tiago 1:21-24
Sola Scriptura

Jesus e os pobres, nenhuma semelhança com o socialismo

Hoje a pobreza é quase tão comum quanto as doenças. Na época do ministério terreno de Jesus, essa realidade era muito mais forte. Nos Evangelhos, Jesus curava com muita frequência, principalmente os pobres. Contudo, mesmo encontrando multidões de pobres diariamente, ele só os alimentou em duas ocasiões específicas, não porque simplesmente eles eram pobres, porém porque nessas ocasiões as multidões vieram ouvir o Evangelho cedo de manhã e permaneceram com ele três dias inteiros ouvindo o Evangelho. As multidões passaram tanto tempo ouvindo a Palavra de Deus dos lábios de Jesus que ficou muito tarde, quase de noite, no terceiro dia para voltarem e se alimentarem, pois o lugar em que estavam era deserto e distante, longe de casas e lugares onde poderiam encontrar alimento.

Não há a menor dúvida de que se os adeptos do Evangelho social estivessem no lugar de Jesus, eles alimentariam os pobres já no primeiro dia e todos os dias, ou então utilizariam a maior parte de seu tempo não para proclamar e demonstrar o Evangelho do Reino de Deus, mas para pressionar as autoridades para cobrarem mais impostos para ajudar os pobres.

O Evangelho social dos evangélicos progressistas (ou esquerdistas, petistas, comunistas, socialistas, adeptos da teologia da libertação ou qualquer outro rótulo que eles utilizem) é tão convidativo quanto a visitação de um anjo de luz trazendo um evangelho cheio de propostas interessantes para os pobres. Mas assim como nem tudo que reluz é ouro, nem tudo o que tem aparência angelical é de Deus.

Tal qual os evangélicos progressistas, a igreja primitiva tinha também uma preocupação obsessiva de ajudar todos os pobres da sociedade? A igreja primitiva tinha como principal missão pressionar o governo para “ajudar” todos os pobres? Não. A igreja primitiva não só não ajudava todos os pobres da sociedade, como também era extremamente seletiva na assistência aos pobres que estavam em seu meio.

Quando a nação de Israel estava passando por uma crise geral de fome, Paulo mobilizou as igrejas de outros países para ajudar — não os pobres em geral da nação de Israel, mas somente as igrejas, que também estavam passando necessidade. E mesmo nas igrejas, a ajuda não era dada a qualquer pessoa.

A ajuda de Paulo era distribuída dentro das igrejas judias. E qual era o padrão que Paulo utilizava para ajudar quem era da igreja? Uma boa pista de como Paulo e as igrejas procediam na assistência aos pobres encontra-se no texto em que Paulo trata da questão das viúvas pobres nas igrejas. De acordo com Paulo, essas viúvas pobres só poderiam receber assistência material da igreja se tivessem demonstrado bom testemunho durante sua vida. Paulo recomenda a Timóteo, um dos pastores sob sua liderança:

“Cuide das viúvas que não tenham ninguém para ajudá-las. Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, são eles que devem primeiro aprender a cumprir os seus deveres religiosos, cuidando da sua própria família. Assim eles pagarão o que receberam dos seus pais e avós, pois Deus gosta disso. A verdadeira viúva, aquela que não tem ninguém para cuidar dela, põe a sua esperança em Deus e ora, de dia e de noite, pedindo a ajuda dele. Porém a viúva que se entrega ao prazer está morta em vida. Timóteo, mande que as viúvas façam o que eu aconselho para que ninguém possa culpá-las de nada. Porém aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que os que não crêem. Coloque na lista das viúvas somente a que tiver mais de sessenta anos e que tiver casado uma vez só. Ela deve ser conhecida como uma mulher que sempre praticou boas ações, criou bem os filhos, hospedou pessoas na sua casa, prestou serviços humildes aos que pertencem ao povo de Deus, ajudou os necessitados, enfim, fez todo tipo de coisas boas.” (1 Timóteo 5:3-10 NTLH, o destaque é meu.)

Contudo, os evangélicos progressistas têm ambições muito mais elevadas para “ajudar” as viúvas e outros necessitados. Eles não querem simplesmente que as igrejas ajudem todos os pobres. Eles querem que o governo faça isso. Na proposta deles, os nossos recursos, através de impostos, seriam redistribuídos pelo governo para atender às necessidades dos pobres, quer esses necessitados mereçam ou não. Se não é justo quem trabalhou não receber o que merece, também não é justo o imposto do trabalhador se escoar na assistência a pobres que vivem na imoralidade ou outros tipos de perversão. Afinal, ao contrário das pregações “proféticas” dos progressistas, a corrupção, o mal, a imoralidade e a perversão não são qualidades exclusivas dos ricos.

A Bíblia é bem clara que todos são pecadores: ricos e pobres, pretos e brancos, etc. A Bíblia também é bem clara na orientação para a igreja de quem dos necessitados merece a assistência da igreja. A igreja tem o chamado de ajudar, sob a direção da Palavra de Deus, e tem o chamado igual de fazer uma triagem de quem merece e não merece ajuda. Só os pobres moralmente aptos são qualificados. Tal norma não era legalismo, mas medida prudente. Seu autor, o apóstolo Paulo, era um ardente combatente contra o legalismo, sempre condenando-o. Assim, quem tentasse julgar essa triagem necessária como legalismo estaria apenas fazendo julgamento precipitado e cruel da preciosa direção de Paulo à igreja em suas responsabilidades para com os necessitados.

Precisamos então aprender com Jesus a ter como principal preocupação levar os Evangelho aos pobres. E precisamos aprender com Paulo a ajudar os pobres com amor e prudência. É claro que essa tarefa só pode ser melhor realizada pela igreja. Por mais boa vontade que o governo tenha em cumprir tudo o que os progressistas desejam, a fria máquina governamental jamais saberia aplicar os princípios bíblicos, pois não pode substituir nem a Deus nem a igreja, embora lute incansavelmente para ocupar ambas as posições.


Autor: Júlio Severo

Homossexualidade na bíblia

MALAKOI E ARSENOKOITAI

Recentemente levei à igreja um estudo intitulado “O que a bíblia ensina sobre homossexualidade?” e dentro do contexto que estudávamos essas palavras foram e são necessárias para uma compreensão real sobre o assunto.

Malakoi e arsenokoitai, podem ser encontradas em duas passagens diferentes do Novo Testamento.

Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais (μαλακος malakos e αρσενοκοιτης arsenokoites) passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. (1 Coríntios 6:9,10 – NVI)

Sabemos que a lei é boa, se alguém a usa de maneira adequada. Também sabemos que ela não é feita para os justos, mas para os transgressores e insubordinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreverentes, para os que matam pai e mãe, para os homicidas, para os que praticam imoralidade sexual e os homossexuais (αρσενοκοιτης arsenokoites), para os seqüestradores, para os mentirosos e os que juram falsamente; e para todo aquele que se opõe à sã doutrina. (1 Timóteo 1:8-10 – NVI)

Quase todas as versões da bíblia ligam explicitamente arsenokoitai ao comportamento homossexual. A outra palavra em questão, malakoi, já não tem a mesma uniformidade, mas ao analisarmos o original grego e as principais traduções , podemos observar que ela se refere a algum tipo de pecado relacionado à homossexualidade.

Antes porem de entrarmos diretamente no assunto em questão, é necessário considerarmos algumas questões relacionadas à definições de palavras bíblicas.

  1. As versões bíblicas estão geralmente certas, em especial quando dizem, em essência, a mesma coisa. Pense nisso: cada versão da bíblia foi elaborada por uma equipe de estudiosos com especialização em erudição bíblica e nas línguas originais. Isso não significa que eles não cometem erros ou que não podem aprender coisas novas, que ignoraram. Mas significa que, depois de ler algum comentários e/ou examinar algum artigo na internet, você não conhecerá o mundo antigo ou o grego koinê melhor que eles conheciam. Nossas traduções da bíblia, por mais imperfeitas que possam ser, são traduções fieis e confiáveis das línguas originais. Não precisamos de decodificação.
  2. As palavras têm um campo semântico. Isto é uma maneira sofisticada de dizer que as palavras nem sempre significam exatamente a mesma coisa. Usando um exemplo da bíblia, pense na palavra mundo. Essa palavra pode se referir ao caminho caído da humanidade que não devemos amar (1 João 2:15-17), ou à raça humana caída que Deus amou tanto (João 3:16). Ao determinar o que as palavras específicas significam na bíblia, pode ser proveitoso ver  a mesma palavra usada em outro texto grego. Mas precisamos ser cuidadosos. Os exemplos que achamos são frequentemente de autores diferentes, que escreveram de lugares e para pessoas diferentes e viveram em séculos diferentes. Ver como uma palavra discutida foi usada no mundo antigo nos coloca no território das definições, mas raramente estudos de palavras serão decisivos, em especial se tivermos de ir muito longe do texto. Então, como saberemos o que as palavras significam?
  3. O contexto é o segredo. O passo mais importante para definir palavras difíceis é ver como elas são usadas no fluxo do texto. Que outras palavras estão ao seu redor? Que argumento o autor está tentando formular? Como ele usa a palavra em outros lugares do mesmo texto? A palavra é usada em outro texto pelo mesmo autor? O significado lexical é melhor determinado por olharmos os círculos concêntricos que começam pequenos e se movem para fora. Platão, um filosofo grego que viveu 400 anos antes de Paulo, não é tão relevante para entendermos Paulo quanto Filo, um filosofo judeu quase contemporâneo de Paulo. E pesquisar a obra de Filo não é quase tão crucial quanto entender a formação cultural de Paulo, examinar as sentenças de Paulo e traçar os argumentos de Paulo.

Mas o que realmente essas duas palavras significam?

Arsenokoitai

Na literatura grega existente, não há exemplos de arsenokoitai anterior ao uso que Paulo fez desse termo em 1 Coríntios e 1 Timóteo. A palavra é composta de homem (arsên) e cama (koitê) e poderia ser traduzida, literalmente, por “deitadores de homens na cama” ou “aqueles que levam machos para a cama“. Muito provavelmente Paulo cunhou a palavra a partir das proibições contra o comportamento homossexual em Levítico 18 e 20. Lembre da formação cultural de Paulo: ele era um judeu, da tribo de Benjamim, instruído pelo famoso Gamaliel e educado de acordo com a forma mais rígida da lei de seus pais (Atos 2:23; Filipenses 3:5-6). Paulo conhecia as Escritura muito melhor do que conhecia quaisquer outros escritos. Se as peças de Shakespeare estão permeadas de alusões e imagens bíblicas, o que dizer dos escritos e pensamentos de  Paulo – um fariseu treinado impecavelmente e o eminente teólogo da igreja primitiva?

Não é necessário que você seja um erudito em grego para ver como Paulo obteve de Levítico a palavra arsenokoitai. Essa palavra é quase certamente extraída do código de santidade de Levítico. É claro que em 1 Timóteo 1:9-10 Paulo, ao falar de arsenokoitai, estava pensando de modo amplo sobre os pecados proibidos pelo decálogo: “parricida e matricida” (quinto mandamento), “homicida” (sexto mandamento), “raptores de homens”  (oitavo mandamento), “mentirosos, perjuros” (nono mandamento). Nenhum judeu pensava que os Dez mandamentos permitiam a intimidade sexual homossexual, por isso nenhum deles ficaria surpreso em ver o comportamento homossexual – ou adultério, ou fornicação, ou prostituição, ou incesto, ou bestialidade, ou qualquer outra atividade sexual fora do casamento – incluído numa lista de pecados escrita pelo apóstolo Paulo.

Se Paulo queria chocar Timóteo, desconcertar seus amigos judeus e destruir a moral prevalecente na igreja primitiva, por admitir relações homossexuais consensuais, ele teria usado uma maneira obscura de introduzir essa mudança radical. Por que não usou a palavra paiderastes (pederastas, homens adultos que fazem sexo com rapazes), se isso era tudo que ele tinha em mente? De modo semelhante, se Paulo queria apenas seus leitores soubessem que ele estava se referindo apenas a formas abusivas de homossexualidade, não teria cunhado um termo a partir de uma porção da lei de Moisés em que todo sexo que envolve homem com homem é proibido. Paulo se opunha apenas a formas abusivas de incestos em 1 Coríntios 5? Na segunda metade de 1 Coríntios 6, ele estava dizendo para fugirem apenas das formas abusivas de adultério, fornicação e prostituição? Devemos supor realmente que Paulo = logo depois de ordenar a excomunhão por causa de pecado sexual (5:4-5,13), de fazer referencia à lei de Moisés (6:9) e antes de amparar a sua ética sexual na história da criação de Gênesis – queria dizer: “Obviamente, não estou falando em dois homens adultos que estão num relacionamento de longa duração”? E, se ele tencionava transmitir essa mensagem aos coríntios ou a Timóteo, como isso teria sido óbvio para eles?

Com base na etimologia da palavra e de suas raízes em Levítico, podemos ficar certos de que arsenokoitai carrega o significado básico “homens que fazem sexo com outros homens”. Sodomitas não é uma boa tradução, porque não há nada em 1 Coríntios ou em 1 Timóteo que ligue arsenokoitai com a história de Sodoma e Gomorra. De modo semelhante, “homossexuais” não deixa suficientemente claro se estamos falando de todos que experimentam atração homossexual ou daqueles que se identificam como gay ou algo mais. As melhores traduções comunicam a noção de atividade; arsenokoitai se refere a homens engajados em comportamento homossexual. É torpeza que  Paulo descreve em Romanos1:27 como sendo cometida arsenes en arsesin (homens em homens). Esta é a razão porque as antigas traduções do Novo Testamento traduzem arsenokoitai como “homens que se deitam com homens” (Latina), “aqueles que se deitam com homens”(Siríaca) e “deitando-se com homens” (Copta).

Malakoi

O léxico padrão do Novo Testamento lista duas definições: “ser maleável ao toque” e “ser passivo em uma relação homossexual”. A palavra pode significar delicado, como em roupas finas ( Mateus 11:8; Lucas 7:25) ou efeminado, como em homens que são penetrados (como uma mulher seria) por outros homens.

Paulo poderia estar usando a palavra de maneira mais ampla para se referir a homens que haviam se tornado imensamente femininos em aparência ou comportamento? É possível que isso seja parte do que Paulo tencionava dizer ao usar malakoi, mas é impossível que seja tudo que Paulo queria dizer. Paulo considerava uma desgraça o homem tem cabelo semelhante ao de mulher (1 Coríntio 11:14), mas nunca sugeriu que estilos de cabelo traziam risco à posição eterna  diante de Deus. Seria estranho – e intolerável para a maioria dos cristãos do lado revisionista – pensar que Paulo estava excluindo do reino de Deus homens que tinham anseio por roupas finas e comédias romântica; malakoi deve se referir a algo muito mais sério.

A lista de pecados, em 1 Coríntios 6, foi elaborada especificamente para os coríntios. Nos capítulos 5 e 6, há uma série de erros (“nem impuros [sexualmente imorais], nem idólatras [que podem incluir noções de pecados sexuais], nem adúlteros, nem malakoi, nem arsenokoitai ” [6:9]) relacionado aos problemas de pecado sexual na igreja. Depois, há mais cinco pecados (“nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores” [6:10]) relacionados aos problemas da igreja referente à Ceia do Senhor, no capítulo 11. Espremida entre adúlteros (moichoi) e homens que praticam a homossexualidade (arsenokoitai), malakoi deve se referir a algum tipo de intimidade sexual imoral, não apenas a um padrão efeminado de maneira de falar, de comportamento ou de paixões.

Este entendimento de malakoi e arsenokoitai se harmoniza com o consenso das traduções modernas da bíblia, se harmoniza com a ética vétero-testamentario, se harmoniza com o treinamento que Paulo teria recebido de um erudito judeu e, acima de tudo, se harmoniza com contexto do argumento de  Paulo. É como se 1 Coríntios 6 estivesse dizendo: “Não vos enganeis: os sexualmente imorais não herdarão o reino de Deus, e isto inclui aqueles que fazem sexo como parte de um ritual pagão, aqueles que fazem sexo com alguém que não seja sua esposa, homens que fazem papel passivo na atividade homossexual e – em concordância com a proibição geral que se acha na Torá – qualquer macho que faz sexo com outro macho”. As palavras debatidas não são tão amplas que chegam a incluir comportamento heterossexual efeminado ou tão restritas que excluem tudo, exceto comportamento homossexual abusivo. Ambos os termos se referem a homens que fazem sexo com outros homens, os parceiros ativos e os passivos. Paulo está dizendo o que achamos difícil de ouvir, mas que o resto da bíblia apoia e a maior parte da história da igreja tem admitido: a atividade homossexual não é uma bênção a ser celebrada a solenizada, e sim um pecado que precisa de arrependimento, perdão e abandono.

Glória somente a Deus

A dificil tarefa da esposa de pastor

“Todos os dias da sua vida, ela só lhe faz o bem, e nunca o mal.” – Provérbios 31:12

Sabemos que a função de um pastor é desafiadora, repleta de exigências urgentes e pressões constantes. No entanto, a tarefa da esposa do pastor é ainda mais complexa. Enquanto o pastor enfrenta as demandas diretas do ministério, sua esposa, de forma indireta, também o acompanha. Ela não apenas compartilha o fardo, mas também cuida e apoia ativamente o marido.

O conselheiro bíblico Ed Welch define com acerto essa responsabilidade como “o trabalho mais difícil do planeta”. Nem todas as esposas de pastores podem sentir o peso dessa responsabilidade da mesma forma, mas aquelas que reconhecem a importância do ministério do esposo à luz da Palavra, que valorizam o amor e a dedicação genuína dele ao Reino, e que enfrentam as constantes demandas do rebanho, muitas vezes se veem desafiadas e exauridas por essa missão. Isso sem mencionar as expectativas da comunidade em relação a ela, à sua casa e aos seus filhos. Em algumas ocasiões, tudo pode parecer avassalador.

O pesquisador batista Thom Rainer elaborou uma lista das dez expectativas impossíveis que algumas esposas de pastores enfrentam ao apoiar seus maridos no ministério. A reprodução dessa lista aqui evidencia o peso que essas mulheres carregam:

  1. Ser ativa em todas as áreas da igreja, sem gerar ressentimentos por atividades fora dela.
  2. Conhecer todos os detalhes da vida da igreja, mesmo quando o próprio marido não possui esse conhecimento completo.
  3. Estar sempre disposta a ouvir críticas que as pessoas fazem sobre o marido, como se fosse um canal direto de comunicação com ele.
  4. Desempenhar o papel de “secretária eletrônica”, recebendo e transmitindo mensagens constantemente.
  5. Assumir cargos na igreja por ser a esposa do pastor, em vez de basear as atribuições em seus próprios dons e chamado.
  6. Ter filhos perfeitos e com comportamento irrepreensível, suportando a pressão adicional por serem os filhos do pastor.
  7. Manter o controle emocional em todas as situações, mesmo quando profundamente tocada pela mensagem ou pelo culto.
  8. Viver com modéstia financeira, evitando qualquer sinal de prosperidade material que possa gerar rumores.
  9. Ser a melhor amiga de todas as senhoras da igreja, embora isso nem sempre seja uma realidade viável.
  10. Agir como co-pastora, interferindo em áreas exclusivas do ministério pastoral.

Contrariando essas expectativas injustas, a esposa de pastor deve compreender o privilégio de ser uma auxiliadora na obra eterna de seu marido. Se o pastor é verdadeiramente dedicado ao Senhor, a convivência com ele é uma bênção. O que se requer dela é o mesmo que de qualquer esposa: ser uma fiel companheira.

Se o Senhor providenciou que uma de suas servas se tornasse esposa de pastor, Ele mesmo será a sua fonte diária de força. A esposa de pastor não deve se sentir intimidada por esse importante ministério, pois sua suficiência vem do Senhor. Além disso, a igreja, muitas vezes, possui irmãos amorosos que intercedem diariamente pela família do pastor, e alguns, generosos, contribuem para tornar a jornada no ministério mais agradável.

Apoiadora: O maior presente para um pastor não é um excelente co-pastor, um presbítero leal ou um diácono fiel. É uma esposa que o conhece melhor do que ninguém, conhece suas lutas, falhas e fraquezas, e ainda assim o apoia com amor, afirmação e cuidado inabaláveis. É uma esposa de fé firme em Deus, que sustenta seu marido nos momentos mais dolorosos e enfrenta as dificuldades da igreja com coragem.

Porém, é importante não idealizar em excesso: embora o apoio inabalável de uma esposa seja crucial, é igualmente essencial que ela veja a realidade com clareza. Ela deve ser uma apoiadora, mas não deve perder a objetividade. Não hesite em confrontar as áreas de orgulho e autoengano no coração do pastor. Seja uma ouvinte crítica para ajudá-lo a crescer em sua pregação. Não se deixe encantar a ponto de ignorar críticas válidas de pessoas confiáveis na igreja.

As mulheres casadas com pastores enfrentam desafios únicos. Lembrar-se dos seguintes pontos, além de orar regularmente por elas e pelo casamento, pode impactar a igreja de maneira significativa:

  1. Ela tem uma personalidade própria: Não é uma extensão do pastor e pode ter visões diferentes em diversos aspectos. Respeite sua individualidade e permita que ela seja quem é.
  2. Ela tem um chamado: Pode não se alinhar exatamente com o chamado do marido, e isso é normal. Algumas veem o ministério como uma vocação conjunta, outras têm um foco diferente.
  3. Ela pode enfrentar dificuldades financeiras: Muitas vezes, a esposa do pastor lida com as questões financeiras da casa pastoral, o que pode ser desafiador. Lembre-se de que cuidar dela é cuidar do pastor também.
  4. Ela compartilha seu marido com a igreja: Isso pode ser um desafio, pois limita o tempo em família. É importante valorizá-la como a pessoa valiosa que é.
  5. Ela vive sob expectativas irreais: As pressões da igreja podem ser intensas. Lembre-a de que o mais importante é a comunhão com Deus.
  6. Ela pode enfrentar amizades complicadas na igreja: É difícil discernir se as amizades são autênticas ou influenciadas pelo papel do marido.
  7. Ela é afetada pelas críticas ao marido: Entender a dificuldade do ministério pastoral e apoiar ambos é crucial.
  8. Ela lida com estresse e ambiguidade: A natureza do ministério muitas vezes é incerta. Compaixão e compreensão são essenciais

Lembrem-se , esposa de pastor não é uma função eclesiástica. É uma mulher como qualquer outra, as orientações bíblicas para as mulheres valem para todas as esposas: de pastor, de motorista, de policial, faxineiro, advogado…

Deus abençoe ricamente as esposa de pastores.

 


Notas:

  • Rev. Valdeci S. Santos
  • Thom Rainer
  • Edward T. Welch
  • Rev. Augustus Nicodemus
  • Brian Croft

Soli Deo gloria

Porque não sou de esquerda!

Em 1989 eu ainda um “menino“, cursava a 6ª série do ensino fundamental, inocentemente fiz um comentário sobre o então candidato a presidência da republica, Lula, iniciou ali uma “conversa” com a professora Eg. (chamarei apenas pelas iniciais) que durou longos dias, ela foi dizendo-me como era a ideia da esquerda e como essa ideia era superior as demais e como terrível era não pensar e ser de esquerda. Não sei se meus amigos Daniel, Marilza, Ronaldo, entre outros, também foram “conversar” com essa professora, mas eu, antes da eleição eu havia tornando-me de esquerda, lá se vão 30 anos, hoje alguns desse amigos e até meu primo me pergunta porque não sou de esquerda, como se não sê-lo fosse algum tipo de aberração.

Por que não sou de esquerda? 

Antes de mais nada, lembro-me de Olavo de Carvalho que diz que: “Eles não são capazes de ler outra coisa além de escritos Marxista“, por isso nunca mudam o pensamento. Quando no seminário me deparei com ensinos de Calvino sobre política comecei a levantar dúvidas sobre a supremacia intelectual da esquerda, foi a partir de outras leituras que me libertei do pensamento marxista.

Aqui não pretendo falar sobre a esquerda, pois já o fiz em outros posts, aqui apenas expresso os motivos porque não sou de esquerda, embora duvide que os esquerdistas entendam.

Direto o ponto

Diante do problema do mal, experimentamos a urgência de uma solução. Para quem crê, Jesus satisfez essa urgência: inocente, sacrificou-se por nós. Assim, o cristão fiel declara com tranquilidade que o mal está em si, confiando em Cristo para a redenção. Porém, para quem não crê, o problema do mal resta irresolvido e a solução será sempre externa. Este é o “mecanismo do bode expiatório”, segundo René Girard: fazer com que alguém encarne o mal e eliminá-lo, gerando sacrifícios sem fim (enquanto a Bíblia enfatiza: o sacrifício de Jesus é eterno).

Isso se verifica facilmente entre nós, ocidentais, quando lembramos os assassinatos em massa do século 20. Judeus, ciganos, cristãos dissidentes e povos não alemães foram os bodes expiatórios da Alemanha hitlerista: quarenta milhões de mortos. Da mesma forma, nos países comunistas o vago conceito de “classe dominante” tem justificado a condenação à morte de mais de cem milhões. Trata-se um ciclo diabólico, pois não há sacrifícios que cheguem para a sanha dos que pensam combater o mal dessa maneira. Assim, a violência aumenta na mesma proporção do secularismo.

A equiparação entre comunismo e nazismo não é novidade. No entanto, de certo modo o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães era melhor nisso: mentia menos. Seus membros não escondiam o desejo de conquistar o mundo; já o socialismo oculta seu projeto de poder total sob a compaixão pelos pobres e a promessa de um futuro glorioso. O autointitulado “protetor dos oprimidos”, ao tornar-se chefe da nação, passa a valer-se de sua anterior (e farsesca) posição de “oprimido” para solapar resistências e positivar desmandos. E o povo, além de mais empobrecido, fica definitivamente sem voz. Na Rússia, na China e no Camboja a arbitrariedade apenas mudou de mãos, tornando-se voraz como nunca; em Cuba, uma favela carioca pareceria condomínio de luxo na parte não turística da ilha; na Venezuela, Chávez diz “eu sou o povo” para justificar a progressiva supressão da democracia.

Hoje não há cristãos nazistas (espero!), mas há uma miríade de cristãos socialistas ou comunistas. É algo difícil de compreender. Em primeiro lugar, por que um seguidor de Jesus aderiria a um arremedo de plano da redenção? Para confessar esse endosso, precisaria necessariamente subverter todo o pensamento bíblico, substituindo a criação divina pela matéria autônoma, o pecado original pela propriedade privada, a salvação em Cristo pela revolução socialista. Se não o fez, é porque ainda oscila entre os dois mundos, sem perceber que são díspares — a cultura marxista mimetizando a cristã.

Em segundo lugar, por que um cristão se posicionaria a favor de um Estado forte que pune seus dissidentes? O processo de centralização do poder empurra a igreja ou para o servilismo ou para a clandestinidade onde quer que o socialismo seja implementado. De fato, Hannah Arendt estudou o totalitarismo e concluiu que o isolamento torna o ser humano muito mais vulnerável ao controle estatal. Por isso, esse regime ataca prioritariamente as livres associações (a família, a igreja, a escola, o comércio), buscando atomizar a sociedade no melhor estilo romano “dividir para conquistar”.

Ser socialista e cristão é tomar o partido de César, não de Cristo. Sobretudo, ser socialista e cristão no Brasil de hoje é assumir uma postura perigosíssima para a igreja. De várias maneiras, o governo atual, honrando suas influências teóricas e suas alianças internacionais, busca cada vez mais controle sobre a sociedade. É quando precisamos recorrer aos ensinamentos de Calvino e Kuyper: por causa do pecado, Deus instituiu os magistrados para punir os maus e garantir a ordem; porém, o Estado “jamais” pode ferir a soberania das esferas individuais, familiares e corporativas, pois a autoridade de cada esfera descende igualmente de Deus. Caso o faça, devemos orar para que retorne ao ideal divino, opondo-nos a cada atentado à liberdade e amparando os perseguidos. Mas isso só será possível se substituirmos a cosmovisão esquerdista por uma genuína cosmovisão cristã. Que Deus ajude a igreja brasileira nessa empreitada.

Porque não sou de esquerda

  1. Porque não creio e nem defendo um Estado que interfere na vida comum e privada do cidadão. Na minha opinião o Estado deve ser mínimo evitando assim o domínio exagerado por parte dos governantes sobre a vida e família dos contribuintes. Ademais, acredito que o Estado jamais deva interferir na soberania das esferas individuais, familiares e corporativas, visto que a autoridade de cada esfera descende igualmente de Deus.
  2. Porque não defendo e nem tampouco comungo dos conceitos marxistas e comunistas que ensinam e incentivam a luta de classes afirmando assim que ela é indispensável àqueles que desejam uma nação justa.
  3. Porque eu sou contra as políticas públicas que incentivam o aborto, a ideologia de gênero, a desconstrução dos valores judaicos/cristãos relacionados a família, o feminismo, descriminalização das drogas, o incentivo a sexualidade precoce em crianças e adolescentes, bem como a intervenção estatal na educação de nossas crianças.
  4. Porque as politicas de esquerda nivelam o povo por baixo, empobrecendo-o cada vez mais, deixando-os sem voz e sem opção de progresso e crescimento.
  5. Porque creio numa economia liberal que por si só, promove emprego, geração de renda, saída da pobreza através do trabalho, proporcionando assim dignidade ao trabalhador.

A Soberania do Estado Contrapõe-se à de Deus 

Assim todo direito transcendente em Deus, para o qual o oprimido erguia sua face, morreu. Não há outro direito exceto o direito imanente que está anotado na lei. A lei está certa, não porque seu conteúdo está em harmonia com os princípios eternos do direito, mas porque ela é a lei. Se no período seguinte ela fixa o próprio oposto, isto também deve estar certo. E o fruto desta teoria enfraquecedora é, naturalmente, que a consciência do direito está embotada, que toda estabilidade do direito afasta-se de nossa mente, e que todo entusiasmo mais alto pelo direito é extinguido. Aquilo que existe é bom porque ele existe; e não é mais a vontade de Deus, daquele que nos criou e nos conhece, mas torna-se a sempre mutável vontade do Estado, que, não tendo ninguém acima dela, realmente torna-se Deus, e deve decidir como será nossa vida e nossa existência. E quando, além disso, vocês consideram que este Estado místico
expressa e aplica sua vontade somente através de homens – que prova a mais é exigida de que esta soberania do Estado, exatamente como a soberania popular, não excede a humilhante sujeição do homem a seu semelhante e nunca eleva-se ao dever de submissão que encontra sua força na consciência?

O Calvinismo Aponta para a Fonte do Direito Eterno

Entretanto, em oposição tanto à soberania popular ateísta dos enciclopedistas, como a soberania do estado panteísta dos filósofos alemães, o calvinista mantém a soberania de Deus, como a fonte de toda autoridade entre os homens. E defende nossas mais altas e melhores aspirações colocando cada homem e cada povo diante da face de nosso Pai celeste. Toma conhecimento do fato do pecado, que outrora foi jogado fora em 1789, e que agora, em extravagância pessimista, é considerando a essência de nosso ser. O Calvinismo aponta para a diferença entre a concatenação natural de nossa sociedade orgânica e o laço mecânico que a autoridade do magistrado impõe. Ele torna fácil para nós obedecer a autoridade, porque, com toda autoridade, nos motiva a honrar a exigência da soberania divina. Ergue-nos de uma obediência nascida do medo do exército forte, para uma obediência por causa da consciência. Ensina-nos a olhar por cima da lei existente para a fonte do Direito eterno de Deus, e cria em nós a coragem indomável para protestar incessantemente contra a injustiça da lei em nome deste Direito superior. E embora o Estado possa poderosamente afirmar-se e oprimir o livre desenvolvimento individual, acima deste Estado poderoso há sempre brilhando diante dos olhos de nossa alma, como infinitamente mais poderosa, a majestade do Rei dos reis. Cujo tribunal justo sempre mantém o direito de apelação para todos os oprimidos, e para quem a oração do povo sempre sobe, para abençoar nossa nação e, nesta nação, nós e nossa casa!

Num sentido calvinista nós entendemos que a família, os negócios, a ciência, a arte e assim por diante, todas são esferas sociais que não devem sua existência ao Estado, e que não derivam a lei de sua vida da superioridade do Estado, mas obedecem uma alta autoridade dentro de seu próprio seio; uma autoridade que governa pela graça de Deus, do mesmo modo como faz a soberania do Estado. Isto envolve a antítese entre o Estado e a Sociedade, mas com a condição de não concebermos esta sociedade como um conglomerado, porém, como analisada em suas partes orgânicas, para honrar, em cada uma destas partes, o caráter independente que pertence a elas. Esferas Independentes, mas sob Deus Neste caráter independente está necessariamente envolvido uma autoridade superior especial e intencionalmente chamamos esta autoridade superior de – soberania nas esferas sociais individuais, a fim
de que possa estar claro e decididamente expresso que estes diferentes desenvolvimentos da vida social nada tem acima deles exceto Deus, e que o Estado não pode intrometer-se aqui, e nada tem a ordenar em seu campo.


Nota:

Norma Braga  no site: ultimato.com.br/revista/artigos/323/por-que-nao-sou-de-esquerda
Renato Vargens no site: renatovargens.blogspot.com.br/2016/04/razoes-porque-eu-nao-sou-esquerdista_10.html
CALVINISMO de Abraham Kuyper – Editora Cultura Cristã

Soli Deo gloria