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Amor e Respeito: Quando aquilo que falta em um casamento alimenta aquilo que machuca

Antes de qualquer palavra sobre casamento, amor, respeito, marido ou esposa, precisamos estabelecer uma distinção fundamental. Existem, por assim dizer, dois universos nos quais podemos pensar o relacionamento conjugal. Há o universo distante de Deus, no qual o homem e a mulher vivem segundo seus próprios desejos, referências e valores, sem necessariamente reconhecer a autoridade da Palavra de Deus sobre a vida. E existe o universo cristão, no qual, embora o homem continue sendo uma criatura caída, limitada e profundamente necessitada da graça de Deus, ele foi alcançado pelo evangelho e agora vive debaixo do senhorio de Cristo, tendo como alvo a glória de Deus. É nesse segundo universo que estamos pensando. Isso é fundamental porque os padrões que apresentaremos aqui não são descrições pessimistas de como homens e mulheres “normalmente são”, nem estereótipos produzidos pela cultura. Estamos tratando dos ideais apresentados pelas Escrituras, padrões que Deus estabelece e que, pela graça, podem ser buscados e vividos. O cristão não deve conformar seu casamento simplesmente àquilo que observa na sociedade; deve permitir que a Palavra de Deus reforme a maneira como marido e mulher vivem um com o outro.

Homens e mulheres são diferentes. Essas diferenças não precisam ser motivo de competição, mas podem se tornar instrumentos de complementaridade. Homens e mulheres possuem maneiras diferentes de perceber determinadas situações, expressar sentimentos, processar conflitos e comunicar necessidades. É preciso, contudo, ter cuidado para não transformar observações gerais em caricaturas. Nem todo homem é excessivamente lógico, assim como nem toda mulher é excessivamente sentimental. Há homens profundamente emotivos e mulheres extremamente analíticas. A questão não é estabelecer uma caricatura dos sexos, mas reconhecer que, dentro da realidade conjugal, marido e esposa podem experimentar determinadas necessidades de maneira diferente. Quando essas necessidades não são percebidas ou supridas, as reações também podem ser diferentes. E é justamente aí que começa boa parte dos conflitos conjugais.

Uma das chaves para compreender essa dinâmica é a relação entre amor e respeito. De maneira geral, a esposa deseja sentir-se amada e o marido deseja sentir-se respeitado. Isso não significa que ela não precise de respeito ou que ele não precise de amor. Ambos precisam dos dois. Uma esposa precisa ser amada e respeitada; um marido precisa ser amado e respeitado. Porém, na dinâmica apresentada por essa abordagem, existe uma percepção particularmente importante: o que ela mais deseja é sentir-se amada; aquilo de que ele mais necessita é sentir-se respeitado. Quando essa verdade não é compreendida, aquilo que deveria aproximar marido e esposa pode acabar afastando-os.

O problema é que frequentemente um não reconhece a necessidade do outro. O marido pode acreditar sinceramente que ama sua esposa porque trabalha, sustenta a casa, resolve problemas, protege a família, cumpre suas responsabilidades e estaria disposto a fazer grandes sacrifícios por ela. Entretanto, ele pode não perceber que sua esposa não está apenas perguntando se ele está disposto a morrer por ela; ela deseja perceber o amor dele enquanto ele ainda está vivo, nas pequenas coisas da vida cotidiana. Ela quer perceber carinho, atenção, escuta, consideração e proximidade. Da mesma forma, uma esposa pode acreditar sinceramente que respeita seu marido porque o ama profundamente, mas não perceber que determinadas palavras, críticas, comparações, cobranças ou maneiras de tratar suas decisões comunicam exatamente o contrário daquilo que ela imagina estar transmitindo.

Por isso, uma verdade precisa ser repetida até que se torne impossível esquecê-la: o marido pode amar sua esposa e, ainda assim, não demonstrar amor de uma maneira que ela consiga perceber. A esposa pode amar seu marido e, ainda assim, tratá-lo de uma maneira que ele experimente como desrespeito. Intenção e comunicação nem sempre são a mesma coisa. Podemos dizer “eu amo você” e transmitir rejeição. Podemos acreditar que estamos tentando ajudar e transmitir desprezo. Podemos pensar que estamos corrigindo e fazer o outro sentir-se diminuído. Podemos pensar que estamos apenas evitando uma discussão e fazer o outro experimentar abandono.

É justamente nesse ponto que precisamos compreender aquilo que podemos chamar de Ciclo Insano. Imagine uma esposa que não se sente amada. Ela percebe distância, falta de atenção ou ausência de demonstrações afetivas e começa a reclamar. Quanto menos amada ela se sente, mais tende a falar sobre aquilo que está faltando. O marido, por outro lado, recebe suas palavras como crítica, cobrança ou desrespeito. Ele se sente desrespeitado e, em vez de aproximar-se, pode se calar. Quanto mais ele se cala, mais ela interpreta seu silêncio como falta de amor. Quanto mais ela percebe falta de amor, mais reclama. Quanto mais ela reclama, mais ele percebe desrespeito. E o ciclo continua.

Podemos resumir esse movimento em quatro frases que precisam ficar gravadas em nossa mente: sem amor, ela reclama; sem respeito, ele se cala; o que ela mais deseja é ser amada; o que ele mais necessita é ser respeitado. O problema é que cada um pode estar expressando sua necessidade de uma maneira que produz exatamente a reação que mais teme. Ela deseja amor e, por isso, reclama; ele interpreta a reclamação como desrespeito e se cala. Ele deseja respeito e, por isso, se cala; ela interpreta o silêncio como falta de amor e reclama ainda mais. Aquilo que começou como uma necessidade legítima transforma-se em uma reação que produz uma nova ferida.

É por isso que muitos conflitos conjugais começam antes mesmo de o casal perceber que está entrando em um conflito. Um comentário aparentemente pequeno pode carregar uma mensagem muito maior. Uma pergunta pode ser recebida como acusação. Uma tentativa de aconselhamento pode ser recebida como desqualificação. Um silêncio pode ser recebido como rejeição. Uma reclamação pode ser recebida como desprezo. E, quando marido e mulher deixam de perguntar o que está por trás da reação do outro, começam a responder apenas àquilo que ouviram.

Pensemos em uma frase muito comum: “Não tenho nada para vestir.” O homem pode ouvir literalmente a frase e pensar: “Como assim? O armário está cheio de roupas”. Ele pode imediatamente começar a analisar a afirmação, apresentar argumentos e tentar provar que ela está errada. Mas talvez ela não esteja fazendo uma declaração econômica sobre a quantidade de roupas existentes no guarda-roupa. Talvez esteja comunicando uma frustração, uma insegurança, uma necessidade de atenção ou simplesmente desejando conversar. O homem tende, muitas vezes, a ouvir a informação e procurar resolver o problema; a mulher pode estar procurando, antes de tudo, ser ouvida. Quando ele tenta resolver imediatamente aquilo que ela deseja apenas compartilhar, ela pode sentir que ele não compreendeu seu coração. E quando ela percebe que não foi compreendida, pode aumentar a reclamação. Ele, então, entende a reclamação como mais uma prova de que não consegue conversar com ela sem ser criticado.

O marido precisa aprender algo muito importante: nem toda fala da esposa é um problema a ser solucionado. Algumas vezes ela precisa de uma solução; outras vezes precisa simplesmente ser ouvida. O homem, por sua própria maneira de processar determinadas situações, pode ser profundamente analítico. Ele escuta uma dificuldade e imediatamente começa a procurar a causa, a solução e o caminho para resolver. Essa característica pode ser uma grande virtude. Mas, dentro do casamento, precisa ser acompanhada pela capacidade de ouvir sem transformar imediatamente a conversa em uma sessão de diagnóstico. Às vezes, a esposa não está pedindo uma análise; está pedindo presença. Ela precisa ouvir: “Eu entendo”, “sinto muito”, “imagino como isso foi difícil”, “me perdoe”, “estou aqui”.

Por outro lado, a esposa também precisa compreender algo igualmente importante: a tentativa do marido de analisar, resolver e aconselhar nem sempre significa falta de amor. Muitas vezes, é justamente a maneira pela qual ele procura demonstrar cuidado. O problema não é necessariamente sua intenção, mas a maneira como essa intenção é recebida. Ele pensa: “Se existe um problema, preciso ajudar a resolver”. Ela pensa: “Se ele me amasse, simplesmente me ouviria”. Ele acredita que está oferecendo amor; ela experimenta ausência de amor. Ela acredita que está buscando proximidade; ele experimenta desrespeito. É assim que duas pessoas que se amam podem, sem perceber, entrar em um ciclo de afastamento.

Essa dinâmica aparece de maneira ainda mais clara quando chegamos à crítica. Muitas vezes, a intenção da esposa é fazer com que o marido melhore. Ela percebe algo que considera errado e procura corrigi-lo. Talvez esteja tentando ajudá-lo a ser um marido melhor, um pai melhor, um profissional melhor ou simplesmente uma pessoa melhor. O problema é que a maneira como uma mensagem é transmitida pode produzir uma resposta completamente diferente daquela que se pretendia. Uma crítica que, na cabeça dela, significa “eu quero que você melhore” pode ser ouvida por ele como “você não é bom o suficiente”. Uma correção pode ser recebida como desqualificação. Uma reclamação pode ser interpretada como desprezo. E o homem, ao sentir-se desrespeitado, pode se fechar.

Há uma expressão que ajuda a compreender essa dinâmica: “Ela não me respeita.” Talvez seja isso que o marido esteja ouvindo emocionalmente por trás de determinadas palavras, mesmo que essa nunca tenha sido a intenção da esposa. E quando ele se cala, ela pode ouvir outra mensagem: “Ele não me ama.” Assim, o silêncio dele confirma a interpretação dela, e a reclamação dela confirma a interpretação dele.

O silêncio masculino, nesse contexto, precisa ser compreendido com cuidado. Nem todo silêncio é desprezo, frieza ou falta de sentimento. Às vezes, o silêncio é justamente uma tentativa de não piorar aquilo que já está ruim. O homem pode perceber que, se responder naquele momento, poderá falar palavras duras e ferir ainda mais sua esposa. Então ele se cala. Entretanto, o que para ele é uma tentativa de controlar sua reação pode ser experimentado por ela como abandono emocional. Ela não consegue enxergar o conflito que ele está travando internamente; ela apenas percebe que falou, falou e não recebeu a reação que esperava. Quanto mais ela fala, menos dele recebe; quanto menos ele a faz sentir-se amada, mais ela fala. E quanto mais ela fala, mais ele se fecha.

Aqui está o coração do Ciclo Insano: cada um reage à reação do outro sem perceber que ambos estão alimentando o mesmo ciclo. Ela não está necessariamente pensando: “Hoje vou desrespeitar meu marido”. Ele não está necessariamente pensando: “Hoje vou deixar minha esposa sem amor”. Nenhum dos dois precisa acordar de manhã planejando destruir o casamento. O problema é que pequenas atitudes repetidas podem produzir exatamente esse resultado. A esposa pode desrespeitar o marido sem perceber que está fazendo isso. O marido pode deixar de demonstrar amor sem perceber que está fazendo isso. E os dois podem continuar afirmando que se amam enquanto, na prática, estão se machucando.

É nesse ponto que Provérbios 14:1 precisa ser levado a sério: “A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata derruba a sua.” A Escritura reconhece de maneira muito forte a influência da mulher sobre o ambiente do lar. A mulher sábia possui capacidade de edificar sua casa; a insensata pode, pelas próprias mãos, contribuir para sua destruição. Isso não significa que o marido esteja isento de responsabilidade. Pelo contrário, Efésios 5 responsabiliza profundamente o marido por amar sua esposa sacrificialmente. Mas o provérbio nos lembra que as palavras, atitudes e escolhas da esposa possuem enorme poder sobre a atmosfera do lar.

Às vezes, a mulher pode estar destruindo aquilo que mais deseja receber. Ela deseja ser amada, mas trata o marido de uma maneira que comunica desrespeito. Talvez não tenha consciência disso. Talvez nunca tenha pensado: “Hoje vou desrespeitar meu marido”. Mas, por meio de críticas constantes, palavras ásperas, comparações, humilhações ou desqualificação, pode produzir nele exatamente aquilo que mais teme: distanciamento. E quanto mais ele se distancia, mais ela sente que não é amada. Então ela reclama mais. O ciclo se fortalece.

É preciso dizer isso com toda clareza: palavras podem assassinar a reputação de uma pessoa dentro da própria casa. Há mulheres extremamente habilidosas em apontar defeitos, lembrar fracassos, expor erros e atingir exatamente os pontos frágeis do marido. Muitas vezes fazem isso sem perceber o poder destrutivo de suas palavras. O marido pode suportar críticas vindas de outras pessoas e reagir; mas, quando vêm da mulher que ama, podem atingir profundamente sua identidade. Não porque o homem seja incapaz de receber correção, mas porque existe uma diferença entre ser corrigido por alguém e ser constantemente desqualificado por alguém cuja opinião possui enorme peso emocional.

Da mesma forma, os homens possuem seu próprio modo de ferir. Os homens podem ser excelentes em ignorar os sentimentos das mulheres. Podem ouvir uma dor e responder com uma solução. Podem ouvir uma lágrima e oferecer um argumento. Podem ouvir uma reclamação e apresentar uma lista de razões pelas quais ela está errada. Podem acreditar que estão sendo objetivos enquanto a esposa sente que está sendo abandonada emocionalmente. O marido precisa aprender que ouvir não significa necessariamente concordar, e demonstrar empatia não significa admitir culpa. Às vezes, amar a esposa significa simplesmente parar e ouvir.

Por isso, marido, quando sua esposa reclamar, criticar ou chorar, procure ouvir além das palavras. Algumas vezes, por trás de tudo aquilo está uma mensagem muito simples: “Eu quero me sentir amada.” Isso não significa que toda reclamação esteja correta. Não significa que toda crítica seja justa. Não significa que o marido deva concordar com tudo. Significa que, antes de responder à forma da mensagem, ele pode procurar compreender a necessidade que existe por trás dela. Talvez ela não esteja dizendo apenas “você nunca faz isso”; talvez esteja dizendo “sinto falta de você”. Talvez não esteja dizendo apenas “você não presta atenção”; talvez esteja dizendo “preciso sentir que sou importante para você”.

E existe uma cena particularmente dolorosa dentro do casamento: o homem sabe que daria a própria vida por sua esposa, mas ouve dela: “Você não me ama.” Ele pensa em tudo aquilo que faria por ela e não consegue compreender como ela pode dizer isso. Mas talvez a questão seja exatamente essa: ele está pensando no amor como disposição para um grande sacrifício, enquanto ela está pensando no amor como uma realidade que precisa ser experimentada diariamente. Ele pensa: “Eu morreria por você”. Ela responde emocionalmente: “Eu sei, mas eu queria que você conversasse comigo hoje”. Os dois podem estar falando sobre amor, mas estão falando linguagens diferentes.

Ao mesmo tempo, esposa, existe uma pergunta que precisa ser feita com honestidade: “Você deseja ser tratada como princesa ou ser reverenciada como rainha?” A pergunta não pretende diminuir a dignidade da mulher, mas provocar reflexão sobre aquilo que acontece quando o relacionamento conjugal se transforma em uma disputa de autoridade. No casamento cristão não existe espaço para dois soberanos competindo pelo trono. O lar não deve ser um reino onde marido e esposa disputam quem dará a última palavra. O marido não foi chamado para ser um tirano, e a esposa não foi chamada para ser uma adversária. Ambos foram chamados a viver debaixo do senhorio de Cristo.

O marido deve ser respeitado como aquele que, segundo o padrão de Efésios 5, deve estar disposto a amar sacrificialmente sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja. O texto bíblico apresenta um padrão elevadíssimo para o marido: Cristo não amou a Igreja de maneira conveniente; entregou-se por ela. Portanto, o homem que exige respeito sem assumir a responsabilidade de amar está mutilando o próprio ensino bíblico. O marido não pode dizer “quero ser respeitado” enquanto negligencia aquilo que Deus ordenou a ele. Da mesma forma, a esposa não pode dizer “quero ser amada” enquanto utiliza constantemente palavras e atitudes que comunicam desprezo.

Amor e respeito precisam ser incondicionais. O marido não deveria dizer: “Como posso demonstrar amor se não sou respeitado?”. A esposa não deveria dizer: “Como posso respeitar se não sou amada?”. Se cada um esperar que o outro cumpra primeiro sua obrigação, o Ciclo Insano continuará funcionando. A esposa espera amor para oferecer respeito; o marido espera respeito para oferecer amor. E ninguém começa. O casamento fica paralisado.

A Escritura, entretanto, chama cada um a obedecer independentemente da resposta do outro. O marido deve amar. A esposa deve respeitar. Isso não significa que o comportamento do outro seja irrelevante, mas significa que minha responsabilidade diante de Deus não pode ser determinada pela desobediência do outro. O marido não deixa de ser responsável por amar porque sua esposa está sendo difícil. A esposa não deixa de ser responsável por respeitar porque seu marido falhou. Ambos precisam responder diante de Deus pelo próprio coração, pelas próprias palavras e pelas próprias atitudes.

Isso é especialmente importante porque existe uma tendência humana de justificar o próprio comportamento pelo comportamento do outro. “Eu falei assim porque ele fez aquilo.” “Eu me calei porque ela começou.” “Eu critiquei porque ele não muda.” “Eu me afastei porque ela não me respeita.” E assim todos encontram uma razão para continuar fazendo exatamente aquilo que mantém o ciclo funcionando.

Mas alguém precisa parar.

Quem deve iniciar a transformação?

A resposta mais madura não é necessariamente “quem começou”. É quem tem maturidade para começar. Se o marido percebe o ciclo, que comece ele. Se a esposa percebe o ciclo, que comece ela. Se ambos perceberem, melhor ainda: comecem os dois. O casamento não precisa ser uma investigação para descobrir quem é o culpado original. O objetivo não é encontrar o primeiro dominó que caiu; é impedir que os próximos continuem caindo.

Talvez o marido precise dizer: “Eu percebi que tenho amado você apenas da maneira que eu considero amor. Quero aprender a demonstrar isso de uma maneira que você consiga perceber.” Talvez a esposa precise dizer: “Percebi que minhas palavras têm comunicado desrespeito, mesmo quando minha intenção era ajudar. Quero aprender a falar com você de outra maneira.” Essas frases exigem humildade. E a humildade é uma das grandes ferramentas de restauração dentro do casamento.

Esposa, pense também em uma pergunta desconcertante, mas extremamente útil: “O que eu faria se meu filho se casasse com uma mulher exatamente como eu?” Se a resposta produzir desconforto, talvez seja hora de olhar para dentro. Que tipo de esposa você gostaria que seu filho tivesse? Uma mulher que o corrigisse constantemente, o diminuísse, o comparasse e o tratasse com desprezo? Ou uma mulher que pudesse discordar dele sem humilhá-lo, corrigi-lo sem destruí-lo e ajudá-lo sem desqualificá-lo? A pergunta não é para produzir culpa, mas reflexão. A mesma mulher que deseja que seu filho seja respeitado por sua futura esposa precisa perguntar se está ensinando esse padrão dentro da própria casa.

Marido, a pergunta também precisa ser feita a você. Que tipo de homem você está ensinando seus filhos a ser? Eles estão vendo um homem que ama sua esposa? Estão vendo alguém capaz de pedir perdão? Estão vendo alguém que ouve? Estão vendo um marido que protege sua esposa inclusive das próprias palavras? Ou estão aprendendo que masculinidade significa silêncio, distância emocional, dureza e incapacidade de reconhecer erros? Seus filhos aprendem casamento observando o casamento de seus pais muito mais do que ouvindo discursos sobre casamento.

É necessário, portanto, ter cuidado para não cair no Ciclo Insano. Sem amor, ela reclama. Sem respeito, ele se cala. Quanto mais ela reclama, mais ele se cala. Quanto mais ele se cala, mais ela reclama. O ciclo pode continuar por anos se ninguém decidir interrompê-lo. Mas a mesma relação que pode alimentar um ciclo destrutivo pode alimentar um ciclo de restauração. Quando o marido demonstra amor, a esposa pode sentir-se segura para responder com respeito. Quando a esposa demonstra respeito, o marido pode sentir-se encorajado a demonstrar amor. Uma atitude pode estimular a outra.

E talvez essa seja uma das decisões mais importantes que um casal possa tomar: não esperar que o outro comece.

Comece você.

  • Se é marido, ame.
  • Se é esposa, respeite.
  • Se você errou, peça perdão.
  • Se foi ferido, procure perdoar.
  • Se não entendeu, pergunte.
  • Se ela estiver falando, ouça.
  • Se ele estiver em silêncio, procure compreender antes de interpretar.
  • Se você precisa corrigir, faça isso sem humilhar.
  • Se você precisa discordar, faça isso sem desprezar.
  • Se você está certo, não precisa transformar sua razão em uma arma.
  • E se você estiver errado, tenha coragem de dizer: “Eu errei.”

No casamento cristão, maturidade não significa nunca errar. Significa reconhecer o erro com humildade e permitir que a graça de Deus transforme aquilo que precisa ser transformado.

No final, amor e respeito não são simplesmente técnicas para melhorar a comunicação conjugal. São expressões de uma vida submetida a Deus. O marido que ama sua esposa está respondendo ao chamado de Cristo. A esposa que respeita seu marido está respondendo ao chamado de Cristo. E quando ambos deixam de viver em função daquilo que recebem e passam a viver em função daquilo que Deus ordena, o casamento começa a experimentar uma mudança profunda.

O Ciclo Insano precisa ser interrompido.

Não amanhã, não quando o outro mudar, não quando ele aprender a amar, não quando ela aprender a respeitar, mas Agora.

Porque talvez o primeiro passo para salvar uma conversa seja parar de tentar vencer a discussão. Talvez o primeiro passo para restaurar a intimidade seja reconhecer a ferida. Talvez o primeiro passo para recuperar o amor seja aprender novamente a respeitar. Talvez o primeiro passo para recuperar o respeito seja voltar a demonstrar amor.

E talvez, depois de tantas palavras duras, o casamento precise simplesmente ouvir novamente duas palavras que nunca deveriam desaparecer de dentro de uma casa:

“Eu amo você.”

E duas outras:

“Eu respeito você.”

Não como uma fórmula mágica, mas como uma decisão consciente de viver o casamento diante de Deus.

Porque quando marido e esposa deixam de lutar um contra o outro e começam a lutar pelo casamento, o ciclo pode ser quebrado. E quando o amor volta a ser demonstrado e o respeito volta a ser praticado, aquilo que antes alimentava a distância pode começar a alimentar a aproximação.

O casamento continua tendo problemas. Continuamos sendo pecadores. Continuamos precisando da graça. Mas agora existe uma diferença: não estamos mais sozinhos tentando consertar nosso casamento com nossas próprias forças. Estamos aprendendo a viver nossa aliança debaixo da Palavra de Deus.

E é aí que amor e respeito deixam de ser apenas palavras.

Tornam-se uma maneira de viver.

Referências

BÍBLIA SAGRADA. Efésios 5:21–33; Provérbios 14:1; Romanos 5:8; Tito 2:4–5; Eclesiastes 9:9.

EGGERICHS, Emerson. Amor e Respeito: O que ela mais deseja, o que ele mais precisa. São Paulo: Thomas Nelson Brasil.

Soli Deo gloria

Paternidade Bíblica: mais do que deixar bens, deixar um legado

O Dia dos Pais é uma dessas datas que nos fazem parar por alguns instantes e olhar para trás. Para alguns, é um dia de celebração; para outros, de saudade; para muitos, é uma oportunidade de agradecer a Deus pelo pai que tiveram e, para outros, talvez seja também um momento de reflexão sobre o pai que desejariam ter tido. No meu caso, o Dia dos Pais sempre carrega um significado muito especial porque meu pai já morreu. Tive o privilégio de ter um bom pai, um homem que marcou minha vida e que, à sua maneira, deixou em mim muito mais do que coisas que poderiam ser contadas ou medidas. Quando penso naquilo que recebi dele, percebo que o maior legado que um pai pode deixar aos seus filhos não é necessariamente financeiro, profissional ou material. O maior legado é o exemplo. Os bens podem ser consumidos, o dinheiro pode acabar, uma casa pode ser vendida e até mesmo um nome pode desaparecer com o tempo, mas aquilo que um filho aprende ao observar o caráter do pai pode acompanhá-lo por toda a vida. É por isso que, neste Dia dos Pais, mais do que simplesmente homenagear os pais, precisamos pensar biblicamente sobre o que significa ser pai.

A Bíblia não apresenta a paternidade simplesmente como uma função biológica. Ser pai, na perspectiva das Escrituras, envolve responsabilidade, presença, formação, correção, ensino, proteção e, sobretudo, uma vida que aponta para Deus. Desde o Antigo Testamento, os pais recebem a responsabilidade de transmitir às novas gerações não apenas informações religiosas, mas uma visão de mundo moldada pela revelação de Deus. Moisés ordena aos israelitas: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos” (Dt 6.6-7). O texto é profundamente significativo porque começa com o pai ou a mãe sendo alcançado pela Palavra — “estarão no teu coração” — para depois falar da transmissão dessa verdade aos filhos. A educação espiritual dos filhos não deveria ser apenas uma atividade realizada pelos pais; deveria nascer de uma vida transformada pela Palavra. Antes de ensinar a criança a amar a Deus, o pai precisa demonstrar, com sua própria vida, que Deus é digno de ser amado.

Essa verdade aparece também no Salmo 78. O salmista olha para a história de Israel e afirma que aquilo que Deus havia feito deveria ser contado às gerações seguintes, “para que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer, e se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes” (Sl 78.6). A finalidade era que essas novas gerações colocassem “em Deus a sua confiança” e não esquecessem as obras do Senhor (Sl 78.7). Há aqui uma dimensão geracional da fé. A responsabilidade dos pais não consiste simplesmente em garantir que seus filhos tenham uma boa formação acadêmica, uma profissão estável ou condições materiais melhores do que aquelas que eles mesmos tiveram. Tudo isso possui seu lugar e não deve ser desprezado, mas a pergunta fundamental da paternidade bíblica é outra: o que estou fazendo para que meus filhos conheçam a Deus, amem a sua Palavra e aprendam a viver diante dele?

Isso nos leva a uma questão que considero fundamental: filhos aprendem mais observando do que simplesmente escutando. Não significa que o ensino verbal seja desnecessário. Pelo contrário, Deuteronômio 6 ordena explicitamente que os pais ensinem seus filhos. O problema aparece quando existe uma distância entre aquilo que o pai fala e aquilo que ele vive. Um pai pode falar sobre honestidade e, ao mesmo tempo, ensinar o filho a mentir quando recebe uma ligação que não deseja atender. Pode falar sobre oração, mas jamais ser visto orando. Pode ensinar sobre a importância da igreja, mas demonstrar com suas prioridades que o culto é sempre negociável. Pode falar sobre domínio próprio e perder o controle diante de qualquer contrariedade. Pode exigir respeito dos filhos e tratar a própria esposa com grosseria. Crianças são excelentes observadoras — e, infelizmente para nós, possuem uma capacidade extraordinária de perceber a hipocrisia.

Por isso, a paternidade bíblica começa no próprio caráter do pai. Paulo escreve aos coríntios: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co 11.1). Embora o texto não seja especificamente sobre paternidade, ele apresenta um princípio de discipulado que se aplica profundamente à vida familiar: o ensino cristão acontece também por imitação. Paulo não dizia apenas “façam o que ensino”; ele podia dizer “sejam meus imitadores”. A autoridade de sua instrução estava acompanhada pela coerência de sua vida. É exatamente isso que os filhos precisam encontrar em seus pais. Eles precisam de homens que possam dizer, não porque sejam perfeitos, mas porque estão buscando sinceramente viver diante de Deus: “Filho, olhe para mim e aprenda a seguir a Cristo”.

R. Kent Hughes trabalha essa dimensão da formação do caráter masculino em Disciplines of a Godly Man, obra que dedica uma seção específica à paternidade. Hughes entende a vida cristã masculina em termos de disciplinas espirituais e práticas que precisam ser cultivadas, incluindo integridade, casamento, liderança, devoção, oração e paternidade. A edição atualizada da obra apresenta dezessete áreas de disciplina, entre elas justamente a paternidade, mostrando que ser um homem piedoso não é uma abstração espiritual, mas algo que precisa aparecer nos relacionamentos concretos. Isso é especialmente importante porque existe uma tendência de separar espiritualidade e vida doméstica, como se um homem pudesse ser espiritualmente admirável na igreja e, ao mesmo tempo, negligente dentro de casa. Biblicamente, essa separação não se sustenta.

Paulo é ainda mais direto quando escreve aos pais em Efésios 6.4: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor”. A expressão “pais” é particularmente importante porque Paulo dirige uma responsabilidade específica ao pai, embora isso não exclua a participação fundamental da mãe. O pai é chamado a participar ativamente da formação dos filhos. Ele deve corrigir, mas não provocar; deve disciplinar, mas não destruir; deve exercer autoridade, mas não transformar autoridade em autoritarismo. A disciplina bíblica não tem como objetivo simplesmente produzir crianças obedientes aos pais; seu propósito maior é formar pessoas que aprendam a viver debaixo da autoridade de Deus. A autoridade paterna, portanto, não é absoluta nem autônoma. O pai também está debaixo da autoridade do Senhor.

Essa é uma das razões pelas quais a paternidade cristã não pode ser reduzida à ideia de “ser o homem que manda na casa”. Autoridade bíblica não é licença para controlar pessoas. O modelo cristão de autoridade é profundamente moldado pelo próprio Cristo, que, embora sendo Senhor, ensinou seus discípulos por meio do serviço e do sacrifício. Em Efésios 5, Paulo apresenta o marido como alguém chamado a amar sua esposa “como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). A autoridade do homem dentro do lar não pode ser separada da cruz. Se um homem deseja falar sobre autoridade sem falar sobre sacrifício, ele está falando de algo diferente da autoridade cristã. O pai bíblico não pergunta apenas: “Como posso ser obedecido?”, mas: “Como posso servir minha família de maneira que Cristo seja visto em minha vida?”

Voddie Baucham, em Pastores da família: chamando e preparando homens para liderar seus lares, desenvolve precisamente essa ideia ao tratar da responsabilidade espiritual dos homens dentro de suas famílias. A obra chama os homens a compreenderem sua responsabilidade de conduzir o lar não apenas no sentido administrativo ou financeiro, mas também no cuidado espiritual de suas famílias. Uma avaliação da obra publicada pelo Wisconsin Lutheran Seminary resume essa proposta destacando que o livro procura equipar pais e maridos para perceberem que sua responsabilidade envolve alimentar suas famílias com o evangelho, e não simplesmente prover materialmente para elas. A ideia merece nossa atenção: prover financeiramente é importante, mas não é suficiente. Um homem pode pagar todas as contas da casa e ainda assim estar ausente da vida espiritual dos seus filhos.

Donald S. Whitney aborda uma dimensão complementar em Adoração no Lar. Seu argumento é simples, mas profundamente bíblico: a espiritualidade da família não pode ser terceirizada integralmente para a igreja. Whitney apresenta a leitura das Escrituras, a oração e o cântico como elementos centrais do culto doméstico e mostra que os pais podem conduzir suas famílias nessas práticas de maneira simples e possível. A própria descrição da obra destaca que seu objetivo é oferecer orientação prática para que os pais conduzam suas famílias na adoração por meio da leitura bíblica, oração e cânticos. Isso não significa transformar cada casa em um seminário teológico ou criar uma liturgia doméstica complicada. Significa recuperar uma verdade esquecida: a casa também é lugar de discipulado.

É aqui que precisamos falar de presença. Um dos grandes desafios da paternidade contemporânea não é simplesmente a falta de amor dos pais, mas a falta de tempo e presença. Vivemos em uma época em que é possível estar fisicamente dentro de casa e, ao mesmo tempo, emocionalmente ausente. O pai pode estar sentado à mesa enquanto olha para o celular; pode estar no mesmo ambiente enquanto trabalha; pode levar os filhos para passear sem realmente conversar com eles. A tecnologia nos deu a capacidade de estar conectados com pessoas que estão a milhares de quilômetros enquanto, paradoxalmente, permanecemos desconectados daqueles que estão ao nosso lado. A presença paterna não significa apenas ocupar o mesmo espaço físico. Significa prestar atenção, ouvir, conversar, corrigir, brincar, aconselhar, orar, acompanhar e participar.

Nesse sentido, a paternidade bíblica também é uma paternidade que conversa. Deuteronômio 6 apresenta uma imagem muito bonita: falar das coisas de Deus “assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt 6.7). A fé não deveria aparecer somente em momentos formais. Ela deveria entrar nas conversas comuns da vida. Um filho precisa aprender que Deus não é assunto apenas do culto de domingo. Deus está presente quando tomamos decisões, quando enfrentamos dificuldades, quando lidamos com dinheiro, quando tratamos as pessoas, quando pedimos perdão, quando enfrentamos uma frustração e quando comemoramos uma conquista. O pai cristão transforma os acontecimentos cotidianos em oportunidades de discipulado.

Paul David Tripp, em DESAFIO AOS PAIS – Os 14 princípios do evangelho, insiste que a tarefa de criar filhos precisa ser compreendida a partir do evangelho, e não simplesmente a partir de técnicas de comportamento. Seu argumento é que os pais precisam enxergar sua própria necessidade da graça de Deus enquanto educam seus filhos. A obra procura oferecer princípios fundamentados no evangelho em vez de simplesmente apresentar uma lista de técnicas para produzir filhos bem-comportados. Essa perspectiva é essencialmente cristã porque nos lembra de uma verdade que às vezes esquecemos: pais também são pecadores que precisam da graça enquanto criam filhos pecadores que também precisam da graça.

Isso nos protege de dois extremos. O primeiro é o autoritarismo, que acredita que bons filhos são produzidos pela força, pela ameaça e pelo controle absoluto. O segundo é a permissividade, que imagina que amar significa nunca corrigir, nunca estabelecer limites e nunca dizer não. A Bíblia rejeita os dois extremos. Provérbios 22.15 afirma que “a estultícia está ligada ao coração da criança”, enquanto Hebreus 12 apresenta a disciplina como uma expressão do amor de Deus por seus filhos. O pai cristão, portanto, precisa aprender a corrigir sem humilhar, estabelecer limites sem destruir, disciplinar sem abusar e dizer “não” sem transformar a casa em um ambiente de medo. A disciplina bíblica é uma expressão de amor orientado pela verdade.

Também precisamos reconhecer que nenhum pai fará isso perfeitamente. Talvez essa seja uma das partes mais importantes desta reflexão. Quando olho para meu próprio pai, não penso em um homem perfeito. Penso em um homem real, com limitações, defeitos, acertos e erros, mas que deixou uma marca positiva em minha vida. E isso me faz pensar que o legado de um pai não depende de perfeição. Depende de caráter, presença e direção. Um pai não precisa ser impecável para ser um bom pai, mas precisa ser humilde o suficiente para reconhecer seus erros, pedir perdão quando necessário e continuar buscando viver de maneira digna diante de Deus.

Há uma grande diferença entre um pai que nunca erra e um pai que sabe pedir perdão. O primeiro não existe. O segundo pode ser encontrado. Quando um pai diz ao filho: “Eu errei com você. Perdoe-me”, ele está ensinando uma das maiores lições do evangelho. Ele está mostrando que autoridade não elimina humildade e que liderança não impede arrependimento. Um pai que pede perdão não perde autoridade; pelo contrário, demonstra que sua autoridade está submetida a uma autoridade maior. O filho aprende que homens verdadeiramente fortes não são aqueles que jamais admitem seus erros, mas aqueles que têm coragem de reconhecê-los e corrigi-los.

É por isso que o maior legado de um pai não é aquilo que ele deixa para os filhos, mas aquilo que ele deixa nos filhos. Um patrimônio pode ser herdado; caráter precisa ser transmitido. Uma casa pode ser recebida; uma memória precisa ser construída. Dinheiro pode proporcionar conforto; exemplo pode formar uma vida. Podemos trabalhar durante toda a nossa existência para deixar alguma coisa para nossos filhos e, ainda assim, descobrir tarde demais que eles precisavam muito mais da nossa presença do que das nossas posses.

O próprio apóstolo Paulo apresenta uma imagem muito bonita dessa transmissão de vida quando escreve a Timóteo sobre a “fé sem fingimento” que primeiro habitou em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice e que, segundo ele, também habitava em Timóteo (2Tm 1.5). O texto não descreve um processo mecânico, como se a fé pudesse ser geneticamente transmitida. Antes, apresenta uma fé que foi testemunhada, ensinada e vivida dentro de uma família. A fé de Timóteo tinha uma história. Havia pessoas que haviam vivido diante dele uma fé genuína. Esse é um dos maiores privilégios da paternidade cristã: viver de tal maneira que nossos filhos possam olhar para nossa vida e perceber que o evangelho que ensinamos é o evangelho em que realmente cremos.

Por isso, neste Dia dos Pais, minha homenagem ao meu pai não se limita à saudade que sinto. Ela também passa pela gratidão. Meu pai morreu, mas aquilo que ele deixou em mim continua vivo. E talvez seja justamente isso que um legado significa. Pessoas podem partir, mas aquilo que ensinaram por meio de sua vida continua falando. Hebreus 11.4 afirma que, embora Abel esteja morto, “ainda fala”. A vida de um homem pode continuar falando depois que sua voz se cala. A pergunta é: o que nossa vida estará dizendo quando não estivermos mais aqui?

Pais cristãos precisam pensar nisso. Nossos filhos talvez esqueçam muitas das palavras que dissemos, mas dificilmente esquecerão completamente aquilo que viram em nós. Eles se lembrarão de como tratávamos sua mãe, de como reagíamos diante dos problemas, de como lidávamos com dinheiro, de como tratávamos pessoas mais simples, de como reagíamos quando éramos contrariados, de como enfrentávamos a doença, a perda e a frustração. Eles observarão nossa relação com a igreja, com a Bíblia, com a oração e com Deus. Eles aprenderão, principalmente, aquilo que nossa vida ensinou.

A paternidade bíblica, portanto, não é simplesmente gerar filhos. É assumir diante de Deus a responsabilidade de participar da formação desses filhos. É ensinar e viver. É corrigir e amar. É prover e estar presente. É proteger sem controlar. É exercer autoridade sem autoritarismo. É discipular sem transformar a casa em uma sala de aula permanente. É apontar para Cristo sabendo que o próprio pai precisa diariamente da graça de Cristo.

No final das contas, talvez nossos filhos não se lembrem de quanto dinheiro ganhamos, de qual carro dirigíamos ou de quantos bens acumulamos. Talvez não saibam nem mesmo todos os sacrifícios financeiros que fizemos por eles. Mas poderão lembrar-se de que o pai estava lá. Poderão lembrar-se de que o pai os abraçava. Poderão lembrar-se de que o pai orava. Poderão lembrar-se de que o pai abria a Bíblia. Poderão lembrar-se de que o pai tratava sua mãe com amor. Poderão lembrar-se de que, quando errava, ele pedia perdão. Poderão lembrar-se de que, quando a vida ficava difícil, aquele homem continuava confiando em Deus.

Esse é o legado que vale a pena deixar.

Mais do que coisas, deixemos exemplo. Mais do que patrimônio, deixemos caráter. Mais do que palavras, deixemos uma vida que aponte para Cristo.

Que Deus nos conceda pais que compreendam que a paternidade é uma vocação, que os filhos são uma dádiva do Senhor (Sl 127.3) e que a casa é um dos primeiros campos onde o evangelho deve ser vivido, ensinado e testemunhado.

E que, quando nossos filhos um dia olharem para trás, possam dizer não que tiveram um pai perfeito, mas que tiveram um pai que procurou andar com Deus.

Esse, afinal, é um legado que a morte não consegue levar.

 

Soli Deo gloria

Princípios de Deus para o casamento

Meu espanto ainda é grande quando vejo que poucos “crentes” conhecem o princípio de Deus para o casamento, quase sempre deparo-me com pensamento de casais desejando a separação ou jovens me perguntando por que não podem praticar sexo antes do casamento de eles se “amam”.

Como seria salutar a todos se ao invés de perder tanto tempo nas rede sociais, investíssemos nosso tempo no conhecer ao Senhor.

Paulo responde algumas perguntas que ainda hoje são feitas pela igreja. O capitulo 7 de I Coríntios é a mais longa discussão sobre sexualidade e assuntos correlatados em todas as cartas de Paulo. As instruções ali mencionadas, não se encontram em nenhuma outra parte de seus escritos.

Neste capitulo, Paulo começa a responder as perguntas da igreja local, não é um tratado teológico sobre celibato e casamento, mas respostas diretas à algumas perguntas específicas.

Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, – 1 Coríntios 7:1

É preciso ressaltar que Paulo não esgota seu ensino sobre casamento aqui.

Antes de iniciarmos assunto, é necessário entendermos algumas expressões paulinas neste capitulo.

Digo isso como concessão, e não como mandamento. – 1 Coríntios 7:6

Aos casados dou este mandamento, não eu, mas o Senhor: que a esposa não se separe do seu marido. – 1 Coríntios 7:10

Aos outros eu mesmo digo isto, e não o Senhor: se um irmão tem mulher descrente, e ela se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela.
1 Coríntios 7:12

Quanto às pessoas virgens, não tenho mandamento do Senhor, mas dou meu parecer como alguém que, pela misericórdia de Deus, é digno de confiança. – 1 Coríntios 7:25

Em meu parecer, ela será mais feliz se permanecer como está; e penso que também tenho o Espírito de Deus. – 1 Coríntios 7:40

Paulo faz uma distinção entre o que Cristo ensinou e o que ele está ensinando. O que Cristo ensinou ele não vai tratar novamente, pois o assunto já está decidido. Porém, aquilo que Jesus não ensinou, Paulo vai tratar dando orientação apostólica e inspirada para a igreja. Portanto não existe qualquer divergência entre Cristo e Paulo.

Paulo precisa lidar com algumas perguntas que Jesus não havia tratado. Quando uma questão levantada pela igreja de Corinto já havia sido tratada por Cristo, Paulo se referia as suas Palavras, mas quando a pergunta dos coríntios não houvesse sido tratada por Cristo, Paulo respondia à igreja com autoridade apostólica.

Os assunto que Jesus tratou sobre casamento e divórcio estão registrado em:

“Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’.
Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério”. – Mateus 5:31,32

Tendo acabado de dizer essas coisas, Jesus saiu da Galiléia e foi para a região da Judéia, no outro lado do Jordão.
Grandes multidões o seguiam, e ele as curou ali. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova. E perguntaram-lhe: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher por qualquer motivo? ” Ele respondeu: “Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. Perguntaram eles: “Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora? ” Jesus respondeu: “Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério”.
Os discípulos lhe disseram: “Se esta é a situação entre o homem e sua mulher, é melhor não casar”. Jesus respondeu: “Nem todos têm condições de aceitar esta palavra; somente aqueles a quem isso é dado. Alguns são eunucos porque nasceram assim; outros foram feitos assim pelos homens; outros ainda se fizeram eunucos por causa do Reino dos céus. Quem puder aceitar isso, aceite”. – Mateus 19:1-12

Então Jesus saiu dali e foi para a região da Judéia e para o outro lado do Jordão. Novamente uma multidão veio a ele e, segundo o seu costume, ele a ensinava. Alguns fariseus aproximaram-se dele para pô-lo à prova, perguntando: “É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher? ” “O que Moisés lhes ordenou? “, perguntou ele. Eles disseram: “Moisés permitiu que o homem desse uma certidão de divórcio e a mandasse embora”. Respondeu Jesus: “Moisés escreveu essa lei por causa da dureza de coração de vocês. Mas no princípio da criação Deus ‘os fez homem e mulher’.
‘Por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe”. Quando estava em casa novamente, os discípulos interrogaram Jesus sobre o mesmo assunto. Ele respondeu: “Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela. E se ela se divorciar de seu marido e se casar com outro homem, estará cometendo adultério”. – Marcos 10:1-12

“Quem se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher estará cometendo adultério, e o homem que se casar com uma mulher divorciada do seu marido estará cometendo adultério”. – Lucas 16:18

Quando Paulo diz que agora não é o Senhor, mas ele, é porque aquele assunto Jesus não havia tratado e agora ele irá tratar.

Ao responder as perguntas, Paulo tem em mente três grupos distintos:

  1. Cristãos casados com cristãos – 7:1-11
  2. Cristãos casados com não cristãos – 7:12-24
  3. Cristão não casados – 7:25-40

Cristão casados com cristãos – 7:1-11

Na igreja de Corinto havia dois  extremos. Um grupo pensava que sexo era pecado, mesmo no casamento, como ainda hoje alguns pensam. Esse grupo defendia que o celibato é um estado moralmente superior ao casamento.

O outro grupo, talvez formado pela maioria dos judeus, julgava que o casamento não era opcional, mas sim compulsório, obrigatório.

Para Paulo, tanto o casamento quanto a celibato são  dons de Deus, Paulo combateu os dois extremos.

Dois assunto são abordados por Paulo aqui, a pureza do casamento 7:1-9 e sua duração 7:10-11.

A pureza do casamento – 7:1-9

Paulo proíbe a multiplicidade de parceiros no casamento, ou seja, tanto a poligamia quanto a poliandria. Paulo ressalta o aspecto singular do casamento, “cada um deve ter a sua esposa, e cada uma o seu marido”.

Paulo proíbe a união homossexual (7:2). Quando Paulo diz que cada um tenha a sua esposa e cada uma tenha seu marido, fica claro a ideia de uma relação heterossexual. As relações homossexuais eram  algo comum no tempo de Paulo. mas ele define essa prática como uma paixão infame, um erro, uma distorção mental reprovável, uma abominação à Deus. A relação homossexual já é aprovada civilmente em muitos lugares, mas jamais será chancelada pelas leis divinas. O “politicamente correto” não é correto diante de Deus. Uma decisão não é ética apenas por ser legal.

Paulo proíbe o celibato compulsório (7:1). Paulo escreve: “… bom que o homem não toque em mulher…“. Essa expressão tem o sinônimo de casar-se.  O celibato é permitido, mas não ordenado. Nem todos tem o do do celibato (7:7-9). É por isso que a igreja romana enfrenta tantos problemas com a sexualidade de seus sacerdotes. O celibato não tem base bíblica. O celibato não pode ser imposto. Esse é o ensino de Cristo (Mt 19:10-12). O principio estabelecido por Deus desde o principio é que o homem não esteja só (Gn 2:18).

Paulo destaca a completa mutualidade dos direitos conjugais (7:3-4). Paulo vivia em uma sociedade machista, mas ele quebra esse paradigma da cultura prevalecente e afirma a igualdade dos direitos conjugais. Paulo diz: ” O marido conceda à esposa o que lhe devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao marido” (7:3).  Paulo está falando do relacionamento sexual, o dever habitual para ambos. Diante de Deus, o sexo fora do casamento é pecado, mas no casamento, a ausência de sexo também é pecado. Marido e esposa tem direitos assegurados por Deus de desfrutarem a plenitude da satisfação sexual no contexto sacro do casamento.

Paulo prossegue afirmando: ” A mulher não tem poder sobre seu próprio corpo, e sim o marido; também, semelhantemente, o marido não tem poder seu seu próprio corpo, e sim a mulher” (7:4). O conceito divino, é que o sexo é um direito legítimo do cônjuge.

Paulo vai mais profundo nessa questão quando escreve: “Não vos priveis um ao outro” (7:5a). A pratica do sexo no casamento é uma ordem apostólica. A ausência de sexo no casamento é pecado. Hernandes Dias Lopes [1] citando Charles Hodge diz que nada poderia ser mais estranho à mente do apóstolo Paulo do que ver os cristãos enchendo os mosteiros e conventos da igreja medieval.

Paulo afirma que o casal só pode se abster de sexo quando ambos estão em sintonia a respeito da decisão de que por um curto espaço de tempo, irão dedicar-se expressamente a oração. Muitos casais cometem erros gravíssimos, dando desculpas infundadas para “fugir” da relação sexual, alegando cansaço, dor de cabeça, etc. A bíblia ensina que negligencia sexual para com seu cônjuge é pecado. Sempre que ensino este mandamento alguns casais perguntam-me: “Mas se realmente um dos cônjuges estiver realmente cansado?“. Se o cansaço for uma frequência que traga a interrupção da relação, há uma inversão de valores que deve ser corrigida imediatamente para que nada venha afastar o casal, nem oração, nem trabalho, nem filhos, nem os pais, etc. Há ainda casos de pessoas que se escondem atrás de uma falsa espiritualidade para sonegar ao cônjuge a satisfação sexual. Isso está em desacordo com o padrão bíblico. Mesmo quando a abstinência for por causa de oração, Paulo não recomenda que este período seja longo. Ele diz: “[…] e, novamente vos ajunteis” (7:5).

Paulo conclui dizendo: “[…] para que satanás não vos tente por causa da incontinência” (7:5). Sempre que um casal descumpri esse mandamento, o diabo entra na vida do casal e arrebenta com o casamento, é quando muitos se perguntam, “onde foi que eu errei?“.

A duração do casamento – 7:10-11

Não sei responder quantas vezes por ano sou interpelado sobre a duração do casamento, casais me questionam se realmente não podem separar-se, os “motivos” para separação são inúmeros, na grande maioria sem fundamento, sem razão de ser, desejam separar-se apenas porque na verdade são incapazes ou simplesmente não desejam cumprir o que a palavra de Deus determina para o casamento.

Paulo diz: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do seu marido” (7:10). O Senhor já havia tratado do assunto do divórcio (Mt 19:3-12), não é necessário Paulo tratar novamente. O casamento deve durar enquanto durar a vida (7:39-40).

As mesmas perguntas que muitos fazem hoje, a igreja de Corinto também fez.

  • O que fazer se eu estiver arrependido de ter casado?

Há muitos casais nesta situação dentro das nossas igrejas. Há pessoas que depois de terem casado reconhecem que fizeram uma grande besteira. O que fazer agora? Paulo responde com um desafio aos casais que veem poucas ou nenhuma esperança em seu casamento: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do seu marido” (7:10-11). Casou, permaneça casado. Busque no Senhor e na sua palavra formas de transformar o casamento conforme deve ser, segundo as escrituras.

  • O que fazer quando a situação se torna insustentável?

Há casamentos que adoecem a tal ponto que a decisão de permanecerem juntos pode ser arriscada, já vi casos que é melhor, até para garantir saúde emocional, a separação. Para esses casos Paulo oferece duas soluções. A primeira solução: separe, mas fique sozinho. (7:11a). A segunda solução: faça a reconciliação (7:11b). Contudo, de maneira algumas o apóstolo apoia o divorcio.

Paulo reafirma assim o ensino de Jesus de que o divórcio só é permitido para o cônjuge que foi vítima de infidelidade conjugal (Mt19:9).  O ensino bíblico é que “[…] o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19:6). Deus colocou muros ao redor do casamento não para fazer dele uma prisão, mas um lugar seguro.

Cristãos casados com não-cristãos – 7:12-24

Antes de mais nada, Paulo não está tratando aqui de casamento misto (cristão casou com não-cristão). O ensino bíblico sobre isso é bastante claro. O casamento deve ser no Senhor (7:39). Para Paulo, namoro misto constitui um ato de desobediência aos preceitos divinos.

Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? – 2 Coríntios 6:14,15

Algumas pessoas na igreja de Corinto se converteram ao evangelho depois de casadas. Essa é a problemática que Paulo trata aqui. A igreja levanta a seguinte pergunta: “Devemos permanecer casados com nossos cônjuges incrédulos?“. Paulo responde com um SIM. “Aos mais digo eu, não o Senhor…” (7:12-13). Aqui o Senhor não havia tratado dessa matéria. Agora é Paulo que vai tratar do assunto, e ele diz: “[…] se algum irmão tem mulher incrédula, e essa consente em morar com ele, não a abandone; e a mulher que tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não deixe o marido” (7:12-13).

É um ato de desobediência um cristão casar-se com um incrédulo, Mas se a pessoa se torna cristão depois de ter se casado, ela não não pode usar esse acontecimento como justificativa para a separação. Ao contrário! Ela precisa exercer a influência que tem como cristã para transformar seu lar e levar seu cônjuge à conversão (7:17-24). Paulo diz que a conversão não altera nossas obrigações sociais.

A dissolução do casamento – 7:15

Há casos em que o cônjuge incrédulo se recusa a conviver com o cônjuge crente. Caso o cônjuge incrédulo tome a iniciativa de separar-se do cônjuge crente, este fica livre do jugo conjugal (7:15). John Stott diz:

Se o cônjuge incrédulo desejar permanecer casado, então o cônjuge crente não deve recorrer ao divórcio. Mas se o cônjuge incrédulo não desejar permanecer casado, então o cônjuge crente está livre para divorciar-se e até casar novamente. – John Stott [2]

Em resumo, dos assuntos não tratados por Jesus, Paulo esclarece que só por abandono é permitido o divórcio aos cristãos. A regra geral, é que só há duas condições aceitas para o divórcio do cristão: infidelidade (Mt 19:9) ou abandono (7:15). A confissão de fé de Westminster retifica a infidelidade e o abandono como os únicos motivos para o divórcio e um novo casamento.


Notas:

[1] Henandes Dias Lopes, 1 Coríntios – Comentários expositivos, Hagnos

[2] John Stott, Grades questões sobre sexo.

1 Corintios, Simon Kistemaker, cultura cristã

Soli Deo gloria

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